quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Choro a morte de mais dois pastores que cometeram suicídio



Sempre que leio notícias como essa, minha alma fica extremamente abalada. Dói o coração ver pessoas desistindo da vida. Mais abalado ainda, fico quando pastores sucumbem perante a falta de desejo de viver e se rendem, não a vontade de morrer, mas à morte como finalizadora das dores.

Não sei os motivos que os levaram a desistir de tudo, mas sei que algumas cargas são pesadas demais e sei que muitos esperam que pastores sejam superpoderosos, infalíveis, incansáveis, imunes as dores das vida. NOSSA, QUANTA INJUSTIÇA!

Nalgumas vezes sentimo-nos sós, abandonados, acoados, aflitos...

Nalguns momentos não encontramos nem mesmo em outros pastores a tal 'destra da comunhão'.

Diversas vezes choramos sozinhos, pois não encontramos no outro, um ombro e um abraço. Ao invés disso, dedos em riste, apontam e condenam.

Choro agora pelas famílias despedaçadas que sofrem duas vezes. Sofrem as perdas prematuras e os julgamentos contínuos que viverão. Afinal, são filhos, esposas, mães e pais de um pastor que cometeu suicídio. E os teólogos de plantão discutirão para onde vão os espíritos dos suicidas. Até porque é mais fácil ‘encomendar’ o corpo, do que cuidar da alma.  

Choro agora porque sei quão pesados são os fardos. Não refiro-me ao pastoreio como fardo. ISSO É PRIVILÉGIO. Fardos são os pesos da religiosidade, as cobranças desmedidas e descabidas. São o abandono que muitas vezes nós mesmo impomos aos que amamos, são os juízos sem amor, sem graça e sem qualquer misericórdia.

Quantos pastores perderam famílias, honra, dignidade! Quantos homens de Deus têm passado privações, tem sido humilhados, alvos de fofoca, de intriga, de ultrajes e de toda sorte de maldade por parte de gente que se diz 'irmão'.

Quando vamos aprender que pastores choram, sofrem gemem, vacilam, decepcionam, se decepcionam? Mas que sendo, pecadores que amam a Cristo, deveriam ser alvos do amor de quem se diz Igreja de Cristo.

De todas as dores que já vivi, a maior delas foi causada pelo ABANDONO. Nada é pior para um pastor do que sentir-se só, inútil, desprezado.


Lamento profundamente que esses irmãos tenham desistido. Oro por suas famílias. Que Deus os console e que não os permita desistir da caminhada.

Choro ao ler sobre isso porque sei o que é sofrer dores indizíveis. Sei o que é olhar para os lados e não ver sequer a mão de irmão. Sei o que é 'olhar a morte' e pensar: “É, parece que apenas tu me queres”. Sei o que é cortejar com o desespero.

Não quero engrossar a fila dos ‘juízes dos suicidas’. Prefiro estar na fila de quem estende a mão. Sei quão maravilhoso foi ter mãos estendidas para mim. Quero ser compassivo, pois encontrei compaixão. Prefiro ser misericordioso porque fui alcançado pela Misericórdia.

Lamento profundamente que esses irmãos tenham sucumbido. Lamento mais ainda por saber que não serão os últimos, infelizmente outros homens de Deus ao redor do mundo estão ‘entregues’ as dores e ao desespero.

Choro as dores de meus irmãos pastores. Elas são minhas também.

O Supremo Pastor haverá de fortalecer-nos em meio às cruéis aflições. Mesmo sendo falíveis como somos, corramos para os Seus braços, encontremos n’Ele refúgio e refrigério.

Por fim,  pastores carecem de cuidado, oração, amor e zelo! Orem, amem e cuidem dos seus pastores.

Pastores precisam ser PASTOREADOS!


Ricardo Pereira


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