sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Sobre culpas, mazelas e recomeços... Uma carta para você

Gostaria de escrever mais uma das minhas ‘cartas’. Dessa vez meu destinatário é você. Sim, você mesmo que está lendo agora. Nem sei se é homem, mulher, negro, branco, índio, europeu, gay, bi, hétero, de direita, de esquerda, qual seu time, sua comida preferida, enfim, não sei nada sobre você, nem preciso saber. Mas quero falar um pouco com você. Pode “me” ler por alguns minutos? Vamos lá?


Oi,

Como andam as coisas? Complicadas ainda? Ainda há feridas a serem cicatrizadas? Ainda há dores machucando a alma? Ainda há dedos em riste? Talvez você pense que venho lhe dizer uma porção de palavras lindas, lhe indicar versículos de “vitória” ou alguma palavra de autoajuda, ou “promeça” – assim mesmo – de que sua vitória vai ter sabor de mel. Sinto muito, mas lhe desapontarei. Não venho lhe dizer coisas bonitinhas. Por amor, preciso fazer isso.

Bem, deixa eu ser bem sincero: Algumas dessas dores, lamentos e tristezas que tem vivido, são culpa sua. Você sabe que são; e se sou seu amigo, preciso dizer isso assim, na lata, sem meias palavras, sem um falso amor que esconde verdade duras. Você tem muita culpa nisso tudo! Então, na boa! Pare de culpar os outros, pare de arranjar desculpas, assuma suas culpas, levante e mude os caminhos, refaça a história e seja aquilo que de fato é pra ser. Pare de lançar nos lombos dos outros as cargas que são suas.

Sei que vai lembrar de tudo que tem vivido, das decepções, das tristezas, enfim, de tudo que os outros lhe fizeram e fazem e que lhe causa tanta dor. Mas hoje queria lhe chamar atenção para o que suas escolhas têm feito, sobre o que você tem vivido como decisão sua e não dos outros.

Nós temos a mania de sempre arranjar culpados. Outro dia, estava lendo minha Bíblia, e vi um texto do profeta Jeremias, no Livro das Lamentações. Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados”.

O povo de Deus estava sendo escravizado, sofrendo nas mãos dos inimigos e Jeremias os convida a se queixarem deles mesmos. Era hora de refletir sobre suas próprias ações contra Deus. Se eles queriam recomeçar precisavam aprender sobre culpas como causadoras das suas dores.

Você quer mesmo recomeçar? Então o primeiro passo é o do RECONHECIMENTO de suas culpas, mazelas, incapacidades. Não um reconhecimento para remorso ou para acomodação do tipo ‘Gabriela -  eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim -, mas um ato de total desprezo aquilo que tem se tornado em virtude do pecado que escolheu viver diariamente. Quer mesmo fazer queixas? Queixe-se então do enorme crime de não buscar viver para Deus, de ter feito de si mesmo um deus de egoísmo, de ambição, de maldade e de uma porção de pecados eivados em sua alma, e que a cada dia lhe tornaram mais odiável perante o Deus Santo.

Cara, você está sendo duro e demasiadamente cruel. Você poderia me dizer. Foi exatamente isso que senti quando ‘Jeremias’ me mandou parar de eleger culpados para as culpas que são minhas. Eu tive raiva do profeta, afinal de contas, quem era ele para me mandar queixar-me de mim mesmo? Mas lembrei que ele foi apenas ‘boca de Deus’ e que, a fala dura da Escritura, era na verdade a transformadora voz do Deus que me ama dizendo: Ei, pare e venha! Achegue-se a mim!

Sabe, nos últimos anos eu vivi a terrível realidade de arranjar culpados para minhas dores, para minhas lutas, para ‘covas’ que eu mesmo havia cavado e nas quais agora sucumbia. Mas na verdade, o grande culpado era eu mesmo. Eu havia me distanciado de Deus, magoado pessoas, havia entristecido o Espírito, eu errara o caminho e buscava em outros pecadores como eu, as culpas que eram minhas. De verdade, talvez você esteja fazendo o mesmo, por isso, digo cheio de amor: Quer recomeçar? Queixe-se de si mesmo! O exercício é fantástico.

Quando continuei ouvindo a voz de Deus na Escritura percebi que era preciso avaliar o que sou, medir a mim mesmo, e não aos outros “Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o SENHOR”. Se eu quisesse realmente reencontrar a felicidade, precisaria me voltar para o Senhor Deus. Não como um pedinte de coisas, mas como um pecador desgraçado, arrependido e convicto de que não merecia nada de d’Ele. Era hora de derramar minha alma ante o trono da graça e clamar pelos cuidados do Deus do recomeço. Era momento de como o ladrão na cruz pedir para que Ele se lembrasse de mim. Precisava como o moço da parábola, sair do meio dos porcos e clamar por migalhas vindas do Pai.

Por isso lhe digo com toda convicção do meu coração. Ainda que você esteja com a alma abatida cruelmente, com o coração eivado de dores, angústias, culpas, e medos, invoque ao Senhor! Adore ao Senhor! Clame ao Senhor!


Com o coração tomado de fé e alma rasgada em arrependimento, lance sua vida diante d’Ele. Tenha certeza que Ele sairá em seu socorro. Não para lhe atender caprichos ou para lhe promover vinganças egocêntricas, mas para tratar intimamente das suas mazelas, daquilo que lhe apodrece a alma e lhe torna odiável perante Ele.

Nesse dia você poderá dizer que: “Da mais profunda cova, SENHOR, invoquei o teu nome”. E ainda mais: “De mim te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.  Pleiteaste, Senhor, a causa da minha alma, remiste a minha vida”.

Olha, nós dois somos pecadores miseráveis. Não importa quais os meus e os seus, eles são pecados horríveis e nos afastam de Deus. Mas Ele é rico em bondade e misericórdia e pela obra de Cristo Jesus, na cruz do calvário Ele nos faz trilhar um novo e vivo caminho, um caminho de recomeço, de vida e alegria. Não de modo transitório, mas um caminho de eternidade.

Então, não sei quais suas culpas, suas dores e mazelas, mas de uma coisa eu sei. Ele e somente Ele pode lhe conduzir...
Que sua oração seja: Converte-nos a ti, SENHOR, e seremos convertidos!

Deus lhe cuide!
Um grande abraço!

Caco Pereira


Ps.: Leia Lamentações de Jeremias Capítulo 3

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