quinta-feira, 13 de abril de 2017

PÁSCOA DE HOJE, A EVIDÊNCIA DE UM CRISTIANISMO CAPENGA







Escrevi esse texto em 2012. Infelizmente a realidade de nossos dias, em nada difere aos que já se passaram. A "festa da libertação" continua sendo, juntamente com o natal, uma forte declaração de que vivemos um verdadeiro aprisionamento religioso e ritualístico.  Estamos mais preocupados com formas, pompas, brilhos... Temos esquecido a essência. Vamos refletir um pouco?

Ter espírito fraterno, brando e sensível hoje é muito fácil. Ir a missas, procissões, cultos ou outras diversas programações alusivas ao período pascal é “moleza”. Fazer jejuns disso ou daquilo é a praxe da época. Postar fotos meigas ou com retratos dolorosos da morte de Cristo também é muito fácil. Dar e receber ovos de chocolate é bom demais. Mas isso apenas revela superficialidade de um cristianismo capenga, meramente ritual e bastante irrelevante.

Comemorar a morte e ressurreição de Cristo num dia e no outro viver desgraçadamente nos torna hipócritas sem Deus, sem rumo e sem fé! E sejamos bem sinceros, um cristianismo que sobrevive de duas festas anuais que na verdade, há muito foram transformadas em COMÉRCIO, não é nem de perto o que o Senhor recomendou aos seus discípulos no “Sermão do Monte” (Mateus 5 – 7).

Não tenho nada contra ovos de chocolate (podem presentear-me). Mas a cada ano sinto-me mais triste com a postura distante de Deus que temos tomado. Entristeço-me ao ver que pessoas que se dizem cristãs insistam em dar “a cruz ao coelho”, tirando dela o Cordeiro! 

  A Igreja que se diz de Cristo há muito esqueceu que não é um coelho mutante (que põe ovos) o símbolo da Páscoa. A Libertação real tem pão e vinho como símbolos. Mas não um mero pão feito de trigo, um pão Vivo que desceu do céu. O vinho não é o da videira perecível, mas o da Videira Verdadeira (João 15). O sangue perfeito que correu nas veias do Homem Perfeito (João 6.22-40) foi derramado por causa de pecadores miseráveis que nada merecemos.

Se querem tanto um “animal” para a páscoa, tirem os olhos do coelho e olhem fixamente para o Cordeiro Santo de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29)! O Cordeiro é o verdadeiro símbolo da Páscoa! Ele sim trouxe nova vida, libertação e paz. Essa páscoa não está à venda nas prateleiras dos supermercados, nas conveniências ou nos shoppings center da vida. Essa Páscoa não é comercial e não acaba no domingo da Ressurreição.

Infelizmente os cristãos ainda querem ficar presos a costumes antigos ou se pegar novas “ondas” do Comércio, mas não são capazes de como livres, viver a Páscoa do Cordeiro que esteve morto e agora ESTÁ VIVO.


Para nossa tristeza, o cristianismo tem sido irrelevante porque a morte e ressurreição de Cristo não tem mudado a vida de muitos que se dizem "do Caminho". Não há mais amor, amizade, respeito, alegria fé. NÃO EXISTE ADORAÇÃO AO CORDEIRO! O que existe é um povo ensimesmado, egoísta, existencialista, antropocêntrico e completamente alheio a Deus. Onde está esse povo? Vai no culto domingo a noite ou na missa. O povo está lá, cantando, chorando e dizendo glória a Deus que ressuscitou o filho. Mas da segunda feira em diante, esse mesmo povo passará o resto do ano "gritando: CRUCIFICA-O". Um povo que se diz livre, mas vive como escravo. Uma gente que grita aleluia, hosana ao que vem em nome do Senhor, mas que não ama ao próximo, que pisa no seu semelhante e depois "paga o dízimo" ou faz um jejum para "amenizar a ira de Deus". Pessoas que se dizem libertas, mas que nunca conheceram a liberdade.

A liberdade cristã exige mais do que um período de contrição, jejuns, cultos, missas, ritos. A páscoa do Cristianismo só existe porque o Cordeiro nos libertou e por isso, somos verdadeiramente livres. Livres da acusação e condenação eternas (João 8.32). Livres para viver uma NOVA VIDA COMO, NOVAS CRIATURAS (2 Coríntios 5.17). E ser nova criatura não resume-se a poucos dias, mas a uma vida inteira. A liberdade do cristianismo não está pautada em jejuns, festas, ritos, presentes, ovos de chocolate. Está firmada exclusivamente na Páscoa outorgada pelo Cordeiro que esteve morto e reviveu e com seu sangue comprou para si, gente que procede de toda língua, tribo,  povo e nação (Apocalipse 5.9).

E esse Cordeiro não quer menos do que sua vida inteira dedicada a Ele. Cristo não se contenta com seus feriados, com seu dízimo, com jejuns, missas, cultos, procissões. Aliás, muito disso ele NÃO QUER. Paulo entendeu bem a vontade de Cristo e pediu: "Rogo-vos irmãos que apresenteis OS VOSSOS CORPOS (a totalidade de sua vida) como sacrifício VIVO, SANTO E AGRADÁVEL A DEUS, que o culto racional de vocês". Jesus quer que nossa vida, nossas amizades, nossa alegria mais intensa, nosso prazer mais real, nosso amor mais sincero, nossas relações mais dignas sejam dedicadas a Ele como CULTO. Isso é muito mais que um ritual ou uma festa anual.

Páscoa de poucos dias é lixo, é comércio, é tradição capenga! Festa que não nos transforma em pessoas diferentes a cada dia, que não muda nossa existência é só um feriado com uma “dietinha” no meio. Dietinha quebrada por deliciosos chocolates. Páscoa real nos amolda ao caráter do Cordeiro.

Que Deus nos abençoe e nos faça viver diariamente sob a intensa convicção de que Cristo se entregou por nós, esteve morto e reviveu! E com essa certeza em mente, sejamos CRISTÃOS DE ATO, PORQUE O MUNDO ESTÁ CANSADO DE CRISTÃOS BARATOS.

Um grande braço!

Ricardo Pereira





Foto de: http://coacia.educacaoadventista.org.br

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