domingo, 25 de dezembro de 2016

O ÓDIO QUE VOU CONTINUAR SENTINDO



Hoje volto a escrever aqui no Ortopraxia e você pode imaginar que eu versaria sobre o “espírito natalino”, a importância do natal ou acerca dos planos para o próximo ano. Até poderia, mas como não costumo seguir “tendências e convenções da hora”, vou falar sobre o que tem “latejado” na minha mente nos últimos dias, sobre o que incomoda meu coração, aterroriza meu ser e deixa minha alma abatida em dor.

Vamos conversar sobre Ódio. Isso mesmo quero falar sobre o ódio que quero continuar sentindo até a volta de Cristo ou ao dia que partirei ao Seu encontro.

Salomão é o típico homem que seria recebido com toda honra em quaisquer de nossas igrejas, a despeito de ser um adúltero, promíscuo e “conchavista”. Mas certamente sofreria incessantemente com um dos maiores males da história da humanidade. A fofoca, a futrica, o disse-me-disse, o boato. O sábio Salomão, ainda que redimido, justificado e perdoado pelo Senhor, sofreria diariamente o “inferno” proposto e produzido pelo que chamo de “religiosos do cristianismo”. Uma raça vil, implacável e doente que está arraigada em todos os lugares, e que infelizmente, é muito forte do meio evangélico.

Falando sobre a língua Salomão escreveu: Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta:  olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos”. (Provérbios 6.16-19 NVI)

A fofoca é um mal de poder avassalador, ela pode e tem destruído reputações, famílias e ministérios ao longo dos tempos. E mesmo sabendo disso, os líderes não parecem interessados em agir contra essa peste. Não têm interesse em pregar de modo veemente contra essa mazela. Mas por quê? Talvez porque muitos são adeptos dessa prática odiosa e, ou porque ainda não tenham atentado para o fato de que a fofoca é sim uma das maiores armas do Diabo contra a Igreja do Senhor.

Tenho diversos e terríveis defeitos, pecados dos quais me envergonho e minha alma sente-se atormentada só em lembrá-los, mas se há algo que odeio de todo meu coração, de toda minha alma e de todo meu entendimento são diálogos que começam com: “me disseram... olhe, vou lhe contar uma coisa, mas não diga a fulano... eu ouvi dizer que... estão dizendo por aí... fiquei sabendo...”. Não! Por favor, não me contem coisas  sobre pessoas e digam que seus nomes não possam ser postos de forma clara, não acusem, não informem, não digam nada sobre alguém sem que estejam dispostos a dizer na frente desse alguém. As relações cristãs não podem ser pautadas pelos mexericos, pela falsidade, pelos tapinhas hipócritas!

Odeio de todo meu coração essa postura covarde, injusta e cruel que promove o juízo, profere a sentença condenatória e aplica as “sanções” sem dar ao menos o direito do “réu” sequer saber que está sendo julgado. É diabólica essa postura que provoca dores indizíveis e causa feridas gigantesca nas almas das pessoas. Infelizmente a fofoca e o fofoqueiro são tolerados na vida da igreja cristã e o pior, são tratados como algo normal e inofensivo.

Tiago, irmão do Senhor falando sobre os males de uma língua fofoqueira, deixou muito claro que “a língua, porém, ninguém consegue domar. É um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero” e que com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (Tiago 3.8,9 NVI). 

Sabendo que o Senhor Deus odeia essa mazela, devemos nós odiá-la com toda nossa força. Precisamos estar sensíveis às palavras de Tiago e ter noção do poder destruidor de uma língua não domada.

A fofoca deve ser odiada pelo simples fato de que quebra o segundo mandamento no qual Jesus resumiu toda a lei. Ela é um ato de desamor, é a declaração tácita de que não amamos o outro.

Via de regra está associada a mentira, ao engano, a inveja. É resultado de um coração que maquina o mal contra o outro e o executa sem a menor preocupação com seu efeito devastador.

Todos nalgum momento nos vimos envolvidos em alguma conversa sobre a vida alheia e infelizmente agimos de modo a compactuar com estorinhas de mexeriqueiros. Mas se realmente amamos a Deus, esse amor é evidenciado também nas relações com o próximo e a Escritura é bem clara quando diz: "Não espalhem calúnias no meio do seu povo. Não se levantem contra a vida do seu próximo" (Levítico 19.16).

Certamente também já fomos vítimas do poder da fofoca, da força do que é dito na surdina, nos corredores, ao pé do ouvido. Se sabemos os males, se vivenciamos as dores devemos ser inimigos dessa prática odiosa e satânica. Nela não há absolutamente nada aproveitável, nada de bom e tudo na fofoca deve ser abominado pelo servo de Deus, pois o Senhor a odeia.

O mexeriqueiro é alguém infeliz. Pessoas que têm felicidade real não perdem tempo falando mal dos outros. Elas estão mais preocupadas em fazer com que as pessoas encontrem a felicidade que elas encontraram, pois estão convictas que amor, alegria e bondade é que devem ser espalhadas, e não o mal.

Sim, devemos odiar a fofoca, devemos ser implacáveis com ela e combatê-la tendo em nossa mente a clara convicção de que ela é uma poderosa arma nas mãos do inimigo de nossas almas. Não podemos ser agentes contra o Reino. E não podemos tolerar que ninguém se instrumentalize com essa arma do mal. Sejamos inimigos do mal e não tolerantes com ele.

Que nossa oração seja a do Salmista: Senhor, livra-me dos lábios mentirosos e da língua traiçoeira!(Salmo 120.2 NVI).

Que o desejo mais sincero do nosso coração seja o de buscar ter na boca as palavras de cura, conforte descrito por Salomão:  “Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura” (Provérbios 12.18 NVI).

Eu sigo aqui odiando de todo meu coração essa mazela que infelizmente continuará assolando muitas vidas, destruindo relacionamentos, arruinando ministérios e envergonhando a Noiva do Cordeiro. Mas meu coração é tomado pela convicção de que apesar de nós, Deus ainda nos preservará de modo a nos apresentar diante dEle no Dia Final.

Que o Deus da verdade nos bendiga e nos faça odiar tão grande mal!


Caco Pereira

















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