quarta-feira, 1 de junho de 2016

AVE MARIA

Em março de 2011 escrevi esse texto. Hoje dando uma passada aqui no Ortopraxia, entendi que era tempo de falar sobre esse assunto mais uma vez... 

Desejo que algumas reflexões sejam promovidas pela leitura tranquila dessa breve pastoral.

Um grande abraço



Outro dia na mesa de um restaurante ouvi a seguinte pergunta: Ricardo (na verdade fui chamado por um apelido carinhoso. Apelido esse que somente essa tia e sua filha podem usar. rsrsrs – censurado) o que vocês (protestantes) pensam sobre Maria?

Sabe quando alguém faz uma pergunta e você agradece a Deus pelo privilégio de poder respondê-la? Então, foi assim que me senti naquele momento. Alguns dias antes eu havia comentado com que escreveria sobre esse assunto. Tinha agora a oportunidade de “testar” meu texto e isso enquanto degustava um bom churrasco em companhia de pessoas que amo.

Disse exatamente o que penso. Nada mais do que a Bíblia diz sobre essa serva abençoada do Senhor. Maria foi sem dúvida alguma uma jovem (adolescente) muito dependente do Deus de sua vida. Demonstrou confiança, humildade, mansidão e submissão. Por tudo isso, é sim um dos maiores ícones da fé cristã.  

O anjo vai ao seu encontro e em uma frase que já diz muito, mas muito mesmo sobre quem é essa moça: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lucas 1.28). Nossa que afirmação magnífica! Imagine-se no lugar dessa garota de aproximadamente 16 a 20 anos. Ela acabara de ouvir que deveria alegrar-se, pois era cheia do favor não merecido de Deus e que Ele mesmo era com ela. A menina judia mal sabia que a graça do Senhor sobre sua vida a faria meio pelo qual o Salvador, o Rei dos reis tornar-se-ia homem (Lucas 1.30).

A menina teve medo, mas logo recebeu do anjo palavras que certamente começaram a encher seu coração de paz.  Ela seria instrumento pelo qual o Filho do Altíssimo, o herdeiro do trono de Davi tomaria forma humana (Lucas 1.31,32). Mas o que é fantástico ao ler sobre o encontro do anjo com Maria é o relato de sua resposta: “Eis aqui a escrava do Senhor. Aconteça comigo segundo tua palavra”. (Lucas 1.38). Que dependência, disponibilidade! A jovem estava colocando em risco todos os seus sonhos ao lado de José – afinal de contas como explicar a gravidez quando ainda não “conhecia” homem algum? Como dizer para seu futuro marido, que não o traiu, mas que carregava no ventre uma criança? - O QUE VOCÊ FARIA NO LUGAR DELA?

Pois bem, penso de Maria exatamente o que Bíblia me diz sobre ela.  E sinceramente, vejo duas “marias” sendo propagadas por aí e ambas não refletem a humilde serva do Senhor. A primeira é vista, aclamada e venerada como co-Redentora, uma espécie de quarta pessoa da divindade. Tem poderes de intercessora, pode fazer milagres, é tão ou em alguns momentos, mais importante que o próprio Filho. Essa Maria em nada se compara a jovem humilde, escrava, dependente da graça. Ela é sofisticada, pomposa, tem vários dias de comemoração especial. É adorada (venerada como alguns dizem – significa a mesma coisa) em diversos santuários, tem músicas especiais e ainda tem direito a frases que a colocam em papel imprescindível para a fé cristã. Você nunca leu TUDO COM JESUS. NADA SEM MARIA?

Pois bem, essa não pode ser a Maria da Escritura. Não é a moça que cantou: “Minha alma engrandece o SENHOR e rejubila meu espírito em DEUS, MEU SALVADOR, porque olhou para a humildade de suaSERVA. Eis que desde agora me chamarão FELIZ todas as gerações, porque grandes coisas fez em mim o PODEROSO cujo nome é SANTO. Sua misericórdia passa de geração em geração para os que o temem.” (Lucas 1. 46-50).

A Maria da Bíblia jamais quereria ser adorada, pois é uma adoradora. Em momento algum requereria o título de RAINHA, pois se submeteu ao privilégio de ser ESCRAVA DA GRAÇA sob a mão do PODEROSO. Essa FELIZ serva do Senhor não precisa ser tida como virgem eternamente para ter meu respeito e até gratidão. A Escritura registra que ela teve a BÊNÇÃO DE SER MÃE DE OUTROS FILHOS ALÉM DE JESUS (por favor, leia na sua Bíblia o evangelho de Marcos 6. 1-3). A Jovem mãe do Jesus não foi concebida sem pecado (apenas Jesus foi – se houvesse nascido sem pecado seria uma deusa e a Bíblia não a trata como tal). Ela também não teve seu corpo elevado ao céu (a Bíblia não diz a forma como ela morreu, mas se houvesse tido tão importante destino certamente haveria registro).

Há uma segunda “Maria” bastante difundida. Uma mulher sem virtudes, sem respeito, sem reconhecimento. Essa é “maria” dos evangélicos. Ela surge como uma espécie de resposta à primeira. REPOSTA MUITO MAL DADA, DIGA-SE DE PASSAGEM. 
Deixar de reconhecer quem foi o essa mulher extraordinária é não é ser fiel a Bíblia.  Os “crentes” são especialistas em exaltar servas fantásticas como Sara, Rebeca, Raabe e tantas outras. Isso é muito bom. Mas Maria, a moça dependente do Senhor é posta de lado. E não vejo dentre servas e servos de Deus, ninguém que como Maria, tenha evidenciado de forma tão prática o que é submissão ao Senhor.

Maria era sim uma mulher simples, falível, pecadora. Mas foi sim fundamental na execução dos planos de Deus para a vida daqueles que seriam salvos por meio de Cristo. O Senhor Deus quis dá a esta humilde serva o privilégio de ser instrumento nas mãos d´Ele para execução dos Seus planos. Assim é que deve ser vista, como um exemplo de cristianismo prático. Mas não como uma “deusa” nem, como uma qualquer, sem papel no Reino de Deus.

Quero muito ser pai de uma menina. E quando minha pequena nascer quero ensinar-lhe a viver olhando os grandes nomes da fé e aprendendo deles. Maria a menina corajosa e humilde de Israel é sem dúvida o maior exemplo de serva de Deus que um pai pode querer ensinar para sua filha.

Enfim, rejeito as duas “marias”, mas deleito-me pelo privilégio de ser irmão pelos laços da Cruz da verdadeira Maria, a Maria da Bíblia a Maria que exalta ao que tem que ser exaltado.

Que o Deus de Maria nos cuide!

Um abraço carinhoso,
Caco,
um irmão de Maria




PS.: Todos os textos bíblicos citados foram retirados da Bíblia Sagrada co-edição VOZES E SANTUÁRIO (Versão Católica).     


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