quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Moralistas, ah! moralistas!



Por esses dias um grande nome da radiofonia de uma cidade “ali”, teve sua vida virada de “pernas pro ar” ao ter um possível relacionamento homossexual exposto ao público.  Houve publicização desnecessária, invasão da vida familiar, enfim, todo um enredo sensacionalista e cruel. A história tem contornos de novela, pois o tal comunicador faz a linha “machão homofóbico”, moralista, defensor da moral e dos bons costumes, sem, contudo, deixar se apresentar como machista com ares de pegador. Enfim, típico de um folhetim das 21h.

Sinceramente, pouco me importa a vida sexual de qualquer pessoa. Não tenho a menor pretensão de averiguar as condutas de ninguém, exceto as dos meus filhos, a quem devo ensinar a serem homens de bem, cidadãos decentes. E isso até que eles se tornem responsáveis por suas escolhas e posturas.

Tenho sim opiniões fundamentadas na minha fé conservadora bíblica e cristã. Esses conceitos devem delinear as minhas escolhas, pregação e a educação que dou aos meus meninos. Mas não me dão o direito de ser desrespeitoso com o que o outro escolhe.

A história do comunicador de seu “love proibido” só me serve para ilustrar o que já chamei antes “ConservadorismoHipócrita” da sociedade brasileira. Ela aponta para uma realidade bem presente. Vivemos um cristianismo hipócrita, mentiroso e completamente alheio às verdades da Escritura. Confundimos pregar a mensagem do evangelho, com lançar no fogo do inferno quaisquer pessoas que não aceitam nossos padrões. E o pior, fazemos questão de não esperar que as pessoas morram para chegarem lá. Oferecemos nós mesmos as “amostras grátis” dos sofrimentos eternos. Somos sim preconceituosos, acusadores, vis e hipócritas!

Ah! Antes que algum “defensor da pregação” me acuse de apoiar a homossexualidade como escolha legítima, repito que acredito na Bíblia como regra de fé e nela crendo, entendo que tal escolha é pecaminosa. Assim como o adultério, a inveja, a mentira, a ira, a hipocrisia, o machismo, o feminismo (comprei briga com algumas mulheres! Rsrs) a violência...

Na verdade a discussão aqui nem é sobre a homossexualidade ser ou não pecado. A minha fala é sobre essa santarrice, esse falso moralismo capaz de criar gradações de pecados.  O mesmo cara que abomina homossexuais convive tranquilamente com a corrupção política, com a morte de inocentes e com outros crimes.

O pior ainda é: muitos defensores absolutos da moral e dos bons costumes escondem verdadeiros cemitérios em suas vidas. Homens vis, aos quais Jesus chamou de túmulos vazios, sepulcros caiados, sinagogas de Satanás. Pessoas capazes de “pagarem de santinhas” mas que vivem na verdade, grandes mentiras. HIPÓCRITAS!

Repito: Sinceramente não me importa com o que essa ou aquela pessoa faz de sua vida pessoal. Então se o tal comunicador tem suas preferências que as viva. É a vida dele, e dará contas disso apenas a Deus e aos seus. Mas na boa, que abra mão de pousar de santarrão, de fingir que é aquilo que de fato nunca foi.

Que tal fazer como Paulo, o apóstolo e dizer que Cristo veio ao mundo para salvar pecadores dos quais ele (Paulo) se considerava o principal? Ou olhar como Isaias e dizer: “Estou perdido, sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios”...  ?

Até quando preferiremos um cristianismo tacanha, que não cuida, não ama, não evidencia o amor que prega? Até quando manteremos os dedos apontados aos homens chamando-os de miseráveis pecadores, sem, contudo, mostrar Cristo como Aquele que de fato transforma? Precisamos mudar nossa fala e nossa prática.

Ei, senta aqui, somos todos miseráveis pecadores e carecemos do perdão do Senhor. Vamos todos aos pés d’Aquele que pode nos transformar. Coloquemos nossas mazelas diante d’Ele. Encontremos n’Ele a paz que tanto almejamos, o perdão que não podemos comprar e a correção que nem queremos ter.

Ei falso moralista, dá uma checada nos grandes nomes da fé. Sim, vai desde o Antigo Testamento. Nenhum dos grandes nomes caberia no seu padrão moralista. Nenhum!

Sim, devemos pregar contra o pecado. É nosso dever anunciar a verdade do evangelho e a vontade de Cristo. Mas na boa, “vocês são a luz do mundo. Não dá para acender uma luz e colocar debaixo da mesa, é preciso coloca-la em cima, num lugar alto, para que os homens vejam as suas BOAS OBRAS (condutas, escolhas, decisões) e glorifiquem o Pai de vocês que está nos céus”. Jesus Cristo, o Filho do Homem.

Por fim, as únicas diferenças de alguém que vive uma moral de faz de conta e alguém que é completamente amoral são: o segundo não precisa se preocupar com máscaras enquanto o primeiro não pode pensar em sair sem elas; o segundo é mais confiável, afinal de contas, ninguém se decepciona ao ser mordido por uma jararaca, mas quando o seu bichinho de estimação lhe morde...






Caco Pereira
um pecador!




Um comentário:

Isaac Marinho disse...

Graça e Paz sejam contigo, pastor Caco!

É triste constatar que, cerca de 90% ou mais, de nossas "pregações" consistem em apontar os pecados (dos outros) e protestar fervorosamente contra comportamentos contrários aos padrões (bíblicos, da comunidade, da sociedade, nossos...) enquanto a mensagem do Evangelho da Graça é, jeitosamente, posta de lado. O outro, o espectador-pecador-impenitente, é colocado no banco dos réus, é julgado e condenado... e mal se menciona que há um advogado, que o escrito de dívida foi cancelado, que "a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens" e que ela "nos ensina a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver de maneira sensata, justa e piedosa nesta era presente, enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo".

Se não somos capazes de nos enxergar no outro, de ver nele a nossa carência de Deus (que, enfim, é a mesma) e pensar: essa pessoa precisa da mesma Graça que me alcançou, se não formos o "mendigo dizendo a outros mendigos onde há pão" (assim me disse um amigo) ainda estaremos resistindo à voz que diz: "Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Vão aprender o que significa isto: ‘Desejo misericórdia, não sacrifícios’. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores".

Que Deus tenha misericórdia de nós.