sábado, 13 de junho de 2015

HOMOSSEXUAIS E IGREJA, UMA GUERRA SEM VENCEDORES

Publiquei esse texto aqui no ortopraxia no dia 25 de julho de 2011. O momento já era conturbado na relação entre igreja e movimento gay. Diariamente as coisas pioram. Em dias de muitas agressões de parte à parte, xingamentos, desavenças, ridicularização do ser,  crimes contra a fé, resolvi republicar hoje, pois parece que a reflexão parece pertinente. 



Tenho visto e ouvido muita discussão nos últimos dias acerca das causas homossexuais, homofobia, briga religiosa e toda uma gama de “perrengues”. Gostaria de trazer uma reflexão.  Não pretendo dar uma última palavra sobre o assunto, até porque entendo que esse tema ainda vai gerar muita discussão e que, infelizmente está longe do fim. Almejo ter uma palavra pastoral sobre o tema.

Fico observando um cenário estranho onde vejo homossexuais sendo agredidos, espancados, mortos porque tem escolhas diferentes dos heterossexuais. ISSO É DEPLORÁVEL! Também vejo religiosos e fiéis dos mais diversos credos sendo ridicularizados e tidos por criminosos por entenderem de acordo com seus livros de fé, que o homossexualismo é uma prática desagradável a divindade que cultuam. ISSO É IGUALMENTE DEPLORÁVEL!


Particularmente percebo muitos erros de todos os lados. Gostaria então de esboçar meus pensamentos e trazer a reflexão. Antes quero repetir algo que já disse antes: é bem natural que meu posicionamento seja, nalgum momento, carregado de um ‘preconceito’ próprio da visão bíblica e cristã - não há crime nisso, e tenho o direito de pensar assim, segundo a Constituição desse País”. Por um convívio no meio cristão protestante, é bem normal que as observações quanto aos religiosos sejam mais ácidas. Mas vamos aos pontos:

1. ERRO DOS RELIGIOSOS – Infelizmente nesse meio há muita homofobia. Geralmente essa postura não é vista nas pregações que dizem que Deus ama o pecador, mas odeia o pecado (isso dá outro artigo, até porque discordo biblicamente disso). Podemos perceber uma postura preconceituosa quando os religiosos se omitem de ter relacionamentos de respeito com pessoas que tem opção sexual contrária a sua ou quando nos templos religiosos, homossexuais não são recebidos com o mesmo afeto e carinho que outras pessoas consideradas mais “dignas” o são.

A religião erra quando se omite em lutar para que homossexuais sejam respeitados em suas escolhas. Digo que esse erro é muito maior por parte do protestantismo histórico. Em suas bases esse ramo do cristianismo tem um humanismo que prega o respeito individual. É bem presente a ideia de que posso discordar plenamente do seu querer, mas devo lutar pela sua liberdade de escolha. Isso sem permitir que me torne um defensor da prática homossexual. Posso exemplificar isso de forma bem clara assim: Sou cristão protestante, entendo que o cristianismo apresenta o plano de vida para humanidade de acordo com a vontade de Deus. Discordo dos ensinamentos mulçumanos, mas jamais quererei ver um mulçumano sendo humilhado, espancado ou morto em meu país em função da sua escolha religiosa. É simples, posso considerar tal fé um erro na visão acerca da divindade, mas devo respeitar a escolha alheia.

Lutar pelo direito de respeito ao homossexual não significa APOIAR O HOMOSSEXUALISMO, mas demonstra que entendo biblicamente que qualquer pessoa nesse país deve ter o direito de pensar diferente de mim, de agir de forma oposta a minha e de ser respeitada em suas escolhas, por mais que elas sejam contrárias a fé que tenho.

Quando eu digo que entendo que dois homens que viveram juntos durante 30 anos e construíram um patrimônio tem direito a serem herdeiros naturais um do outro, não estou apoiando sua postura sexual, mas estou reconhecendo que há um vínculo inegável entre eles. E posso tranquilamente dizer isso, e continuar afirmando que segundo a Bíblia que é o livro Sagrado do cristianismo, entendo que o homossexualismo é uma prática oposta a natureza de Deus e aos propósitos do Criador para a humanidade – ISSO NÃO ME TORNA HOMOFÓBICO.

Há uma postura meio estranha quando os religiosos toleram pessoas mentirosas, invejosas, desonestas, adúlteras, sem, contudo, combater pecados que diante de Deus, são tão nocivos e condenáveis à vida espiritual quanto o homossexualismo, o homicídio e quaisquer outras práticas pecaminosas.

Pressuponho igreja como comunidade acolhedora e terapêutica que traz para si pessoas de todos os tipos; não apoia seus erros – combate-os; não concorda com suas mazelas, ao contrário, tenta sará-las.

  
2. ERRO DOS HOMOSSEXUAIS (das lutas de causa em geral) – Tenho dedicado mais tempo nos últimos dias para assistir televisão. Percebo a cada dia um apelo muito maior às lutas homossexuais. Já deixei claro que com algumas delas concordo, com outras não - ISSO ME TORNA HOMOFÓBICO? NÃO! - Discordo sim, do direito de adoção por parte de casais homossexuais, entendo que o modelo bíblico de família é heterossexual. E não sou anti-gay por isso. Apenas penso diferente! Acredito que esse é o modo correto de pensar. Quero ter o direito de discordância respeitado.



As lutas de causa em geral confundem discordância ideológica com preconceito. Não acho que homossexuais não sejam capazes de serem pais ou mães carinhosos, cuidadosos e zelosos (isso seria um vil preconceito), mas entendo biblicamente que o padrão é outro (isso é princípio de fé). E deve ser respeitado.



Não adianta pregar igualdade quando eu suprimo direitos de uns em favor dos outros. Simplesmente não dar pra querer ingerir sobre princípios, padrões religiosos, crenças... Não dar pra eu querer taxar com alcunhas pejorativas alguém que em seus conceitos de fé, discorda de minhas escolhas sexuais.


As “campanhas” vistas na TV não promovem a paz e o respeito, tentam fazer com que as pessoas tenham como normal aquilo que seu princípio de fé rejeita, e é um erro tremendo querer regular a crença do indivíduo com base nos meus objetivos, por mais nobres que eles sejam para mim. O princípio básico a ser obedecido não é mudar o conceito alheio, mas conscientizar as pessoas de que apesar do lastro ideológico oposto é preciso respeitar as escolhas e principalmente os indivíduos.


É também preciso parar de uma postura vil de vitimização. Explico. Quando alguém vai para a TV ou em um teatro cria um personagem estereotipado – ou não – de um religioso, fazendo disso um motivo de riso, ninguém trata do assunto como preconceito, mas no momento atual, fazer isso com um homossexual é HOMOFOBIA! Você tem que ser politicamente correto e qualquer piada com homossexual toma logo o ar de homofobia.

 Fazer manifestações em frente a templos religiosos em horários de reuniões, cultos, missas, além de ser crime é tão nojento quanto agredir pessoas por sua cor, origem étnica, sexo ou opção sexual. Queimar Bíblias porque pastores e padres pregam contra o homossexualismo é tão idiotizado e desrespeitoso quanto queimar o Alcorão por ser um livro muçulmano.

  
3. ERRO DOS PARLAMENTARES - Esses erram quando abandonam a Constituição do país que define claramente os direitos fundamentais do indivíduo. São incapazes de legislar de forma clara e definir com justiça, o que é homofobia e o que é liberdade de expressão. Pessoalmente entendo que homofobia é qualquer postura que promova a violência física, moral, psicológica ou emocional contra o indivíduo por causa de sua opção sexual.


Dizer que segundo meu preceito de fé, entendo que o homossexualismo é pecado contra Deus e que, os que praticam estão sujeitos ao inferno, NÃO É HOMOFOBIA! O nome disso é liberdade de expressão. Do mesmo modo, discordar publicamente de posturas de igrejas não é crime – é também liberdade de expressão. Nos dois casos basta haver RESPEITO!

Vocês são os responsáveis pela justiça nesse país. Se criarem leis justas as coisas andarão bem, se continuarem travados nas buscas pelos interesses pessoais ou de “currais” eleitorais, nosso país continuará nesse lamaçal desgraçado.

Segregar, desrespeitar, agredir ou incentivar a agressão é homofobia. Mas se negar a realizar um casamento religioso entre homossexuais e discordar da prática por causa dos meus princípios não o é crime. Deixar de contratar um indivíduo por sua opção sexual é crime, mas não contratá-los por não se encaixar no perfil técnico da empresa não é.


Respeitar é fundamental. Nunca concordaremos cabalmente em tudo. Mas se em todos os momentos mantivermos a postura de respeito, aprenderemos a conviver harmonicamente apesar das diferenças. Isso é possível sim, sem que precisemos abrir mão dos princípios.

Um abraço,



 Caco Pereira 

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