terça-feira, 2 de julho de 2013

PAZ & MEDO




Há algum tempo uma música ou uma frase dentro da canção me martela a cabeça. A música em questão é A MINHA ALMA (A paz que eu não quero) de Marcelo Yuka, do grupo “O Rappa”. O trecho que ecoa é exatamente: “Pois paz sem voz, paz sem voz Não é paz, é medo!”. Gostaria de mencionar alguns fragmentos do meu pensar...
Não desejo falar sobre toda a música. Não pretendo fazer uma análise da poesia ou da mensagem nela contida. Mas quero mencionar o que me chamou a atenção. O que prendeu e instigou meus pensamentos. Refiro-me a  essa afirmação gritante, latente que chega a doer “positivamente” em meus ouvidos e que fez a minha alma bradar: PAZ SEM VOZ NÃO É PAZ, É MEDO!
Em pleno século XXI ainda se escraviza o homem em uma prisão de acomodação por preguiça, letargia ou mesmo por medo de enfrentar aquilo que lhe aflige, afronta e corrói. Por muitas vezes essa postura que beira a covardia é aplaudida como um esforço piedoso em busca da paz. Eles se entregam ao sistema, ficam mudos e acomodados. E recebem um “título” de pacifistas ou de promovedores da paz. Já aqueles que têm outra postura e lutam, clamam e reclamam são tidos como inimigos da paz, do bem, da ordem. São loucos, ébrios, insanos.
Infelizmente a IGREJA é um dos lugares onde em muitos momentos e sob diversos aspectos, impera essa falsa paz, esse sentimento de acomodação, letargia e preguiça de pensar e falar. O ambiente eclesiástico é extremamente propício para que, em nome da paz, do respeito, da honra e do testemunho cristão, alguns dominem muitos que permanecem mudos, apáticos, incapazes de gritar!
Quando alguém se posiciona contra aquilo que faz parte da “tradição” levantam-se imediatamente os paladinos da justiça, os donos da moral, os senhores do saber, os detentores dos oráculos mais precisos para calar a boca do insano que se postou de forma contrária ao que “deve ser preservado” na busca da paz. E em nome disso, aplica-se uma nova e igualmente vil “santa inquisição”. E a isso se dá o nome de paz. Mas PAZ SEM VOZ NÃO É PAZ, É MEDO!
Lembro-me que um dia em uma reunião eclesiástica questionei sobre determinada prática de alguns líderes flagrantemente errada ao contrastada com a Escritura. Um “pilar eclesiástico” levantou-se disse que não admitia ser repreendido por um “moleque recém-ordenado”. E o que se esperava? PAZ SEM VOZ! Mas prefiro a guerra! Dou-me a batalha, mas não me contento com essa falsa paz, com esse comodismo que escraviza, corrói e mata como um câncer cruel e desenfreado. Qual o resultado? “santa inquisição”!
            Não posso ficar calado quando vejo pastores “lançando no inferno” cristãos que deixaram de ir ao culto para assistir o jogo da seleção brasileira de futebol (não pretendo discutir a escolha, mas abomino esse juízo infame) ou tratando como falsos pastores aqueles líderes que decidiram mudar o horário de suas programações em virtude do mesmo jogo (também não discuto essa escolha, mas odeio os santarrões que sacralizam horários). É lamentável perceber que do outro lado, aqueles que optaram por ficar em casa ou mudar o horário dos cultos atacam os primeiros e se mantém uma guerra imbecilizada que apenas faz sofrer a Igreja e entristece o seu Deus.
Não posso viver essa PAZ SEM VOZ que impede que cristãos saiam às ruas com gritos pela justiça social, por uma educação de qualidade, por moradia, saúde, agricultura, enfim, por um país melhor.  Não irei ficar calado por ser crente e querer a paz. Aliás, é exatamente por isso que bradarei, é por isso que farei ecoar aonde meu grito chegar: QUERO A PAZ, MAS AQUELA QUE SE CONSTRÓI SEM MEDO, SEM AMARRAS!
Em tempos de sofrimento e dor, de fome e aflição o apóstolo Paulo falou de uma paz que ultrapassa todo entendimento (Filipenses 4.7). Ele estava falando daquela que só Cristo dá. E o próprio Jesus disse que veio trazer essa paz (João 14.27). Pena que achamos que tê-la é não viver sofrimentos, é ficar calado para a “corda não romper do nosso lado”, é fingir que a dor não dói. Precisamos entender e fazer as pessoas entenderem que a paz que Cristo promete não é ausência do mal, mas é convicção absoluta da presença d’Ele em meio a todas as aflições e dores, mesmo que sejam dores de morte (Salmo 23.4).
Quero desafiar você a buscar em Cristo a verdadeira PAZ, também quero convocá-lo para luta. Há uma guerra em nossos guetos religiosos, mas a batalha não é contra as forças ocultas do mau - ou é! Risos. É uma peleja contra nós mesmos, contra a capacidade de nos acomodarmos as dores, as mentiras, as insanidades daqueles que escravizam, oprimem e fazem sofrer o povo de Deus.
Eu e você precisamos lutar em favor da verdade, precisamos falar, gritar e fazer ecoar nos quatro cantos do mundo que PAZ SEM VOZ NÃO É PAZ, É MEDO! Devemos DESPERTAR as pessoas e dizer que é hora de ressuscitar a voz, fazer levantar a alegria e viver como loucos que falam, gritam, choram, mas não se acomodam diante de tanto sofrimento. É hora de viver a verdadeira paz, mas aquela que não se constrói com o silêncio acomodado e amedrontado, com acordos eclesiásticos ou com “cala-te boca ungido”. A paz em questão, a paz de uma consciência que pode debruçar-se no travesseiro e repousar tranquila é resultado de um grito, de um brado, de uma voz que pronuncia a verdade com sinceridade e amor!
Busquemos a paz com voz, pois se ela for muda será apenas medo e medo é uma prisão avassaladora. Libertemo-nos e experimentemos a paz!

Caco Pereira
Buscando paz sem medo!


23 comentários:

Wiron Barreto disse...

Se possível faça a paz, mas nunca ao preço da verdade - Lutero

Mano, Acho muito importante suas palavras e argumentos. Não se pode ter paz se há tantas coisas que precisam ser transformadas em nós e neste mundo. O silêncio muitas vezes não será a força motriz para essa transformação e muito menos a ausência da verdade.
Acrescentaria a esta sua reflexão estes pontos que acho primordiais dentro do assunto em questão:

1 - O fato de termos paz com Cristo não significa que teremos paz conosco mesmos nem com as outras pessoas - especialmente se as pessoas falam a verdade para nós ou se a falamos para elas e não há uma aceitação. (vim trazer guerra, disse Jesus)
2 - A verdade que por vezes almejamos colocar para os outros muitas vezes são nossas próprias mentiras, coisas que achamos importantes mas que não refletem os valores do Reino de Deus;
3 - O caminho do diálogo sempre foi sugerido pela Bíblia e pelos pensadores grandes e pequenos como o melhor caminho para se expor a verdade e conquistar adeptos.

Esses três pontos entre muitos são alguns que acho também pertinentes para a reflexão deste tema.

Giovanni Guimarães disse...

Gostei do texto Caco, me fez refletir que tipo de paz a gente tem aqui na cidade onde moro, Igreja que pastoreio, na família a qual faço parte. Fez-me pensar também o quanto tenho lutado em busca desta paz... Continue escrevendo.

Igreja Presbiteriana de Belo Jardim disse...

Texto muito bom, desafiador e verdadeiro. A sua leitura da situação é perfeita. Precisamos acordar para esta realidade e acabar com esse negócio de transferir nossa preguiça, letargia e acomodação para Deus. Jesus nunca se calou perante os líderes do seu tempo, inclusive religiosos que se achavam donos da verdade e senhores de Deus. Parabéns mano por mais um texto escrito com muita propriedade.

Anônimo disse...

Aqui em Curitiba a RPC TV afiliada da rede globo fez uma campanha tambem com esse nome, foi interessante porque a mídia impulsiona quanto a gravidade das coisas que acontecem na localidade, ms muitos politiqueiros de plantão aproveitam pra dizer que estão fazendo alguma coisa... me da mais medo ainda!!!!!
O povo ta na rua porque esta com medo, um medo real de acontecer algo, mas o que realmente ninguem sabe, mas sabe aquela sensação que algo de ruim vai acontecer...
É muito louco mas vamos abrir a boca e falar o importante é não sofrer calado :)
Rosielle

Adrielle Vilela disse...

Beeeeem assim... as pessoas nao querem se envolver e usam como desculpa para sua covardia a paz

vicente disse...

Valeu Pastor, suas ideias se aproximam das minhas. Bela reflexão.

vicente disse...
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Talita Mendes disse...

Muito bom o texto pastor!! gostei da forma como vc expôs suas ideias a respeito desta música... precisamos refletir mais sobre isso.

Ricardo Trajano disse...

É verdade Caco, o Silêncio nem sempre tem aparência de Paz. A igreja tem sofrido muito porque, enfraquecida de conhecimento se torna alienada por lideres que querem ser o paladino da verdade. e sabemos que só Jesus, é o Caminho a verdade e a Vida. Precisamos de uma geração que viva o cristianismo no nosso tempo e que Deus na pessoa de Cristo tenha piedade de nós. Parabéns pela reflexão.

André Sérgio disse...
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André Sérgio disse...

Excelente reflexão, Caco! Podemos facilmente confundir paz com ausência de conflitos e medo. E não podemos ficar inertes diante de tudo o que está acontecendo. Enquanto Corpo de Cristo, precisamos orar, pregar as boas novas de salvação e protestar e agir por um país melhor e menos desigual. Só precisamos ter cuidado e pedir sabedoria a Deus para falar na hora certa e também se calar na hora certa e se for necessário. Paz pra você, meu irmão!

alcimar dias disse...

Ricardo, gostei do texto. Acho que as manifestações recentes no Brasil encorajam o povo antes calado. Mas acho que a voz precisa ter sentido, pois do contrário será somente uma voz. As discussões doutrinárias sempre vão existir, enquanto a unanimidade será sempre utópica. Porém, jamais devemos nos calar diante daquilo que realmente cremos que seja a verdade.

alcimar dias disse...
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alcimar dias disse...
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André Bronzeado disse...

Pr. Ricardo, mais uma vez um excelente texto. De fato, tem faltado sinceridade e verdade em nosso meio. Vivemos o "falso" em detrimento do verdadeiro. A conveniência humana impera e o cristianismo verdadeiro sofre ou cai na "santa inquisição" como você bem falou. Que vivamos em paz de verdade, que falemos a verdade e que vivamos a verdade!

André Bronzeado disse...

Veja também o texto que escrevi esta semana: http://andrebronzeado.blogspot.com.br/2013/07/culto-x-jogo-celebracao-do-futebol.html

Douglas Jr. disse...

Texto muito bom cara!!!
Era isso o que acontecia no Brasil, tava todo mundo acomodado, havia protestos apenas no facebook e de lá ninguém saia, mas agora "o gigante se levantou" (acho que ele não acordou ainda, digamos que ele ainda está "sonâmbulo", mas ai já é outra história)
Não devemos nos calar diante do que está errado, não importa quem fale ou quem faça, se está errado, corrija! Seja a mudança que vc quer que aconteça no mundo!

francisco chico disse...

Nao devemos ficar calados só porque esta tudo "tranquilo", mas devemos procurar saber o porque de esta assim.
Se estiver tudo okay, ótimo, se não, temos o dever, não só por ser cristao ou umbandista ou espirita, mas sim por sermos cidadãos com ânsia de paz, mas paz verdadeira e não medo.

Leonardo J. N. Félix disse...

Para que mudanças ocorram na igreja é necessário em nós uma "insatisfação santa". Isso amedronta alguns líderes que preferem a sua zona de conforto e o status quo da igreja, e porque não, da sociedade. Paz e liberdade precisam andar juntas e para se ter liberdade, e consequentemente a paz, precisamos viver em conflito com um mundo perverso.

Abraço,

Leonardo Félix
Meu blog: http://criticasagrada.blogspot.com.br/

João disse...

"Pastores" como você envergonham o Evangelho. A Palavra de Deus nunca foi um convite a essa balburdia em que vocês querem transformar a Igreja de Deus. É preciso respeitar a santidade da igreja. Ministério não é lugar para meninos rebeldes como você.
Um pastor deve ser reverente, sóbrio. Não consigo aceitar que alguém se diga pastor e louco.
Como pode alguém imaginar mudar o horário de culto por causa de coisas vãs? Seu texto é fútil e sem Bíblia.

Juninho Pimenta disse...
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Juninho Pimenta disse...

Gostei Caco!!!
A palavra de Deus diz que se depender de vós, tende paz com todos os homens, tento por em prática, mas se ouço ou vejo algo que não me traz paz, falo não tenho medo. Meirijane Mota.

Ana disse...

É uma realidade. Infeliz realidade. Vejo muita gente, cristã ou não, com muita coisa entalada na garganta, vejo muita gente gritando por dentro, mas preferindo, em nome da "paz", se calarem, alimentando assim a falsa sensação de que tudo está bem. Talvez até conseguem deixar escapar um gemido, tímido, que teime em sair. Talvez esse gemido até ganhasse força e se tranformaria em um estrondoso grito, mas logo é espremido pela opinião da "maioria" e então, por comodidade, ou medo, ou.... simplesmente por ser mais fácil continuar.. "em paz", ele é então esquecido.. mais uma vez.