segunda-feira, 8 de julho de 2013

NÃO ACREDITO NESSA IGREJA!



Vivo no ambiente eclesiástico. Sou cristão protestante, pastor e vim aqui hoje dizer que NÃO ACREDITO NESSA IGREJA! Isso mesmo que você está lendo. Estou registrando em palavras aquilo que gostaria de bradar em alto e bom som: NÃO ACREDITO NESSA IGREJA!
Louco! Esse cara é louco! Como ele pode ser pastor e dizer que não acredita na Igreja?
Bem, deixe-me ponderar um pouco. Dê-me alguns minutos do seu tempo para que justifique a minha “incredulidade” e talvez lhe convença a também não crer. Vamos lá?
Aprendi com um grande mestre no Seminário a ver o Sermão do Monte (Mateus 5-7) como uma espécie de código de ética do Reino de Deus. Em cada palavra proferida o Rei do Reino convoca seus discípulos a uma filosofia de vida inteiramente contrastante com o sistema religioso farisaico daquela época. A justiça esperada dos súditos desse Rei deveria exceder em muito aquela vivida pelos religiosos de plantão. No cristianismo de Cristo, o reino anunciado, a conduta esperada era completamente diferente daquilo que se vivia.
Jesus evidenciou isso durante seu ministério terreno. Os diversos milagres, discursos, posturas, enfim, tudo que Ele fez apontou para uma mentalidade diferente daquela deflagrada pelos fariseus. O Reino nos moldes de Cristo não era apenas para os Judeus, mas para todos quantos cressem em seu nome. A “igreja” segundo Jesus não era um mero padrão ritualístico. Ao contrário, ela nunca esteve presa a outra coisa que não fosse a Escritura (Antigo Testamento) e é explicada no Sermão do Monte, evidenciada e anunciada por Jesus em todos os momentos que viveu na Terra.
Cristo diversas vezes deixou claro para os religiosos da época que as escolhas deles eram completamente reprovadas pelo PADRÃO DO REINO. Os “pastores” fingiram querer apedrejar uma adúltera (João 8.1-11), mas foram humilhados pela informação de que eram tão merecedores do juízo quanto ela. O Mestre também ensinou a uma samaritana que a adoração que Deus espera transcende lugares e não é oferecida conforme a “dignidade” do adorador (João 4). Noutro momento deixou claro que o Reino daquele que tem poder sobre a vida e a morte é um cheio de compaixão (Lucas 7.11-14). Ainda evidenciou que seus súditos deveriam se reconhecer como necessitados d’Ele (Lucas 8.9-14) e que na “Igreja” cabem as piores pessoas (Lucas 19.1-10).  Ah! Ainda ensinou que o perdão é fundamental nessa filosofia (Mateus 6.12).
E o que isso tem com o fato de eu não acreditar nessa igreja? TUDO! Pare e pense um pouco. Na igreja dita cristã dos nossos dias quem é mais importante, o rito ou o Deus do rito? Seja bem sincero consigo mesmo. Reflita e perceba que o homem, o público têm sido adorados. “Cultos” ao ego, desvalorização da Escritura, promessas vazias, mentiras agradáveis, falsa paz e tudo mais permeiam a fé cristã. As pessoas escolhem suas “igrejas” como se opta por um prato em um restaurante. O pior é que algumas parecem “bodegas de quinta categoria”.
            A compaixão parece não existir na filosofia do cristianismo atual. Pessoas são execradas quando pecam. Nalguns momentos tenho a impressão de que só não apedrejamos por medo da justiça dos homens. A misericórdia, o amor, o perdão, o cuidado com o mais necessitados tem sido deixados de lado. O que impera é um festival de proibições e permissões, promessas, profetadas, revelamentos, sais, óleos, rosas, política, acordos, enfim, tudo que dominava o cenário religioso dos tempos de Cristo domina em nossos dias. Isso é a mesma religiosidade que historicamente levou Jesus à Cruz. Claro que entendo que Cristo deu-se na cruz em lugar daqueles que se prostram aos seus pés, mas historicamente A RELIGIÃO CRUCIFICOU CRISTO.
            Por isso EU NÃO ACREDITO NESSA IGREJA sem piedade, sem graça, sem amor, sem temor, sem Bíblia. Não acredito em uma filosofia que se diz cristã, mas não ama, não perdoa, não ajuda a crescer por entender que mudar de vida é um processo lento e muitas vezes doloroso.
            EU NÃO ACREDITO NESSA IGREJA que expulsa os que não aceitam suas proibições, suas normas absurdas, feitas para atender o capricho de homens que nada mais são do que, santarrões hipócritas, cheios de engano e de engodo teológico.
            EU NÃO ACREDITO NESSA IGREJA que não cuida dos necessitados e ainda prega o amor. Ela nunca leu os profetas. Jamais se debruçou para ser moldada pelas palavras de Tiago irmão do Senhor (Carta de Tiago) e por isso nunca soube o que é cristianismo prático.
            Mas ESSA IGREJA na qual não acredito NÃO É A IGREJA DO SUPREMO PASTOR! Isso mesmo! Ela é um conglomerado de denominações, teologias, doutrinas, costumes, filosofias. Mas NÃO É A IGREJA! Muitos dos que nela estão, são parte da IGREJA, DA NOIVA DO CORDEIRO. E por isso sofrem, gemem, gritam, mas são cheios da prazerosa esperança de que um dia poderão está com o SEU REI. E esses muitos conseguem em meio a NÃO IGREJA, SER IGREJA.
A Igreja de Cristo NÃO É UMA INSTITUIÇÃO! Ela é uma noiva que ainda não está pronta. Ainda está com o rosto cheio de rugas, suas roupas ainda não são dignas para se apresentar diante do Noivo. Por isso, apesar de ODIAR essa que coisa estereotipada que se diz, mas não é a IGREJA, sou tomado por um imenso amor que me move em direção a IGREJA QUE ESTÁ NA NÃO IGREJA.
Tenho plena certeza de que a religiosidade, a santarrice, a hipocrisia que dominam não serão capazes de impedir que A IGREJA cumpra sua missão adoradora. Por isso, apesar de NÃO ACREDITAR NESSA IGREJA. Tenho total paz e convicção absoluta de que o SENHOR JESUS conduzirá a SUA NOIVA!
Amo a Cristo e sua Palavra. Debruço-me e deleito-me diante das verdades da Escritura. Sou um pecador miserável que tento diariamente moldar-me pela Voz de Deus. Acredito em cada promessa, anseio por cada tesouro. Pela Bíblia sou levado todo dia a me ver como mais um merecedor do inferno que graciosamente foi solapado da morte eterna para os braços acolhedores do Amor. E por ser assim, não me julgo melhor que ninguém, ninguém mesmo! Sei que muitos outros pecadores como eu também tem esse mesmo amor, deleite, convicção e esperança. Se você é um deles, acreditamos nas mesmas coisas, confessamos oque somos e nos rendemos a quem ELE É. Se assim for, somos parte da IGREJA e com ELE estaremos eternamente.
Que o Pastor nos pastoreie!
Caco Pereira

Acreditando apesar de não...


5 comentários:

Erick Newman disse...

Olá, pastor, professor, irmão em Cristo. Extremamente pertinente sua reflexão, também não acredito nessa igreja sem graça, misericórdia e amor. Também não acredito nessa igreja que expulsa pessoas que não concordam com suas proibições. E refletindo sobre o texto, fui impelido a tempos de Betel Brasileiro, onde era discriminado por discordar de algumas coisas que julgava erradas e que sofria com sermões de condenação de cunho medieval do tipo: você está indo de encontro e batendo de frende com a liderança da igreja, não seja rebelde e obedeça a sua liderança, você vai perder a bênção do seu pastor se discordar dele. Cansei dessas pregações com pretexto de dominação, isso nunca foi liderança bíblica e sadia, isso é tiranismo, opressão. Nunca será igreja, mas pode até ser, uma sociedade religiosa. Forte abraço pastor, meu professor de Homilética, levo de bom do tempo de seminário só os amigos e grandes mestres que tive. Deus tenha misericórdia de nós.

Blog de Martorelli Dantas disse...

Caro Caro,

Paz e Bem!

Louvo a Deus por sua coragem e eloquência em dizer estas coisas. Afirmar a sua ruptura com a igreja que é, de fato, usurpadora do nome e lugar que pertence à Igreja de Cristo. Com esta, e somente com esta, devemos ter compromisso e entrega.

Com carinho,

Martorelli

Daniel Luiz disse...

Parabéns pelo texto. Penso que chegamos a mesma constatação. O caminho agora é dar um passo adiante - o da transformação. Vamos em frente!

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Eu concordo profundamente com estas palavras do pastor, é muito triste, mas é verdade!