quarta-feira, 21 de março de 2012

PARABÉNS DAVI. OBRIGADO SENHOR!


Hoje quero prestar uma homenagem a alguém muito especial. Meu amigo, irmão, ovelha, Davi. Ele tem 27 anos, é uma figura. Joga futebol, brinca, é um cristão comprometido, é inteligente, doce, amável.

Davi gosta de paquerar, adora recolher os copinhos logo depois da celebração da Ceia. Ama futebol, embora não tenha um bom gosto, é vascaíno. Tem sempre um sorriso no rosto, exceto quando é substituído no campo. Sabe abraçar, sabe como extrair um sorriso de alguém e consegue ser amado pelo simples fato de amar. Ah! Ia esquecendo, o Davi tem Síndrome de Down. Mas isso nem é tão importante, o que é crucial mesmo é saber quem ele é e o que significa tê-lo em nosso meio.


Desde o primeiro encontro com Davi decidi que não o trataria como diferente, mas não como incapaz. Sim, como diferente porque ninguém é igual. Cada um tem suas marcas pessoais, seus defeitos e virtudes. Na Comunidade Presbiteriana de Conde ele é um membro como outro qualquer, no rebanho ele é ovelha como todas as demais. É tão precioso para Deus quanto qualquer outro.

Aqui Davi é tratado de acordo com suas peculiaridades. Suas posturas inadequadas são corrigidas como as dos demais, seus acertos são reconhecidos como os dos outros. Mas aqui não o vemos como coitadinho.  Ele não é!

Davi é limitado em algumas coisas e reconhecemos isso, e você não é?

Hoje é o dia Internacional da Síndrome de Down. Comecei falando sobre o Davi porque queria que você pensasse um pouco sobre a forma que olha quando vê um “Down”. Geralmente as pessoas sentem “pena”. Outras são mais preconceituosas ainda e os tratam com desdém, com desrespeito.

Pessoas com Down não são menos importantes do que os “normais”. Afinal de contas, quem é normal? Elas são gente e querem ser tratadas assim. Não querem ser vistas como coitadinhas. Definitivamente, elas não são. Como eu e você, carecem de amor, carinho, dedicação, normas, limites, aplausos, reclamações, sorrisos, oportunidades...

Então meu caro amigo, por favor não imagine que quem tem Down é um doente e que a “doença” dele pode lhe fazer mal. Na verdade, o doente é você. Procure imediatamente um tratamento adequado. Quando ficar curado você perceberá como é bom amar.

Cada vez que abraço ou sou abraçado pelo Davi sinto amor, carinho e respeito. Quando ele vem brincado e me chama de “Gordo Fraco” logo após me vencer em uma “queda de braços” ou ao fazer um gol durante nossos jogos, percebo como Deus foi bondoso comigo ao colocar Davi em minha vida.

Obrigado meu Deus porque através de Davi o Senhor mostra-me como sou limitado.

21 de Março - Dia Internacional da Síndrome de Down


Deus nos cuide!

Um abraço,

 

Pr. Caco



13 comentários:

Elivanaldo Fernandes disse...

Concordo plenamente com o Davi quando te chama de gordo... rsrsrs
Brincadeiras à parte, você tem toda razão quando chama pessoas preconceituosas e que se acham "normais" de doentes.
Nunca gostei do termo "deficiente" que é como pessoas com algum tipo de problema físico ou neurológico são comumente chamadas. E o Davi, ao que parece é prova da eficiência dessas pessoas. Não conheço o Davi pessoalmente, mas acredito em suas palavras Rev. Ricardo... Deus abençoe seu ministério e a Congregação de Conde!

Renan Pinheiro disse...

Conheci Davi em um retiro espiritua... Foi muito bom. Espero encontrar todos em breve... Abraço

Robinson disse...

Muito bom texto, Ricardo. Sensível e coerente. Parabéns.

yuri disse...

Antes de qualquer descriminaçao, pense bem! Quem a final e doente? davi voce e um exemplo de anormalidade espero que continue sempre assim. Deus está contigo!! sim na proxima queda de braço eu irei ganhar!

Liliane disse...

Meus parabens a cada pessoinha q tenha essa sindrome, que
em cada ano se vença esse preconceito de que um down ser diferente,
ser um doente isso é pura maldade, eles sao ate mais sensiveis, alegres
que os "normais" de hoje. Um bjao a davi que é um fofo e meu grande amigo
Pastor Ricardo que todos os dias nos diz uma palavra de apoio,
de reflexao e amiga...voce mora no meu coraçao!

Naíla Lopes disse...

Estou emocionada com a sensibilidade e com o olhar pastoral de Cristo que o pastor Caco teve ao falar de Davi. Concordo com tudo o que foi escrito e peço a Deus que levante cada vez mais pastores que tenha esse olhar, e que levante também mais servos comprometidos, humildes e dispostos com a obra do Senhor como esse Davi. Deus guarde a vida de vcs.

André Gomes disse...

Olá meu amigo Ricardo,

Gostei muito do texto. De fato quem é limitado somos nós. Deus te abençoe e continue sendo esse pastor que abraça à todos. Parabéns Davi, Deus te abençoe. Abraço.

Betel Brasileiro Seixas disse...

Mesmo com os esclarecimentos quando a síndrome os preconceitos ainda existem. Mas é de grande importância que vidas como a sua venham trazer a tona a realidade dessas pessoas que são literalmente especiais, pois quem tem um contato com elas contemplam a alegria, a sinceridade e outros atributos tão peculiares para eles. Eles tem muito a nos ensinar, nós que somos simples diante da especialidade dessas vidas.
Grande abraço!
Deus nos ajude!

Renato Cunha disse...

Grande Rev. Caco. Saudades de você cara. Muito obrigado por me convidar a visitar teu espaço na blogosfera.

Se me permite, gostaria de falar um pouco sobre minha convivência com os "diferentes". Deus não me concedeu a graça de conviver com um Davi como o teu amigo, mas me proporcionou andar por três seminários diferentes de minha antiga igreja.

Convivi com os ultra-ortodoxos puritanos do STNe e senti na pele os efeitos de ser hostilizado cotidianamente.

Depois, fui para o Recife (onde nos conhecemos) e tive o privilégio de estudar aos pés de Jorge Issao Noda. Ele me ensinou que antes de criticarmos o diferente, precisamos entender as razões das diferenças, etc. Aprendi que todas as minhas críticas não devem ser terceirizadas. Eu precisaria ler, ponderar e concluir por meu próprio senso crítico. Se sou teólogo, ou se pretendo ser, preciso ter a minha visão de mundo, pensar por mim mesmo e oferecer soluções à humanidade decaída.

Do Recife, recebi honroso convite para estudar no JMC. Maior e disparadamente o melhor seminário da IPB. Era é é um seminário conservador, mas que sabe lidar com os diferentes como eu. Ninguém acreditava que o tema de minha monografia fosse ser aceita ou, pior, que algum professor do corpo docente se dipusesse a me orientar. Para supresa de muitos, meu tema foi aceito, tive todo apoio e Deus me garantiu a companhia de um dos melhores orientadores que poderia cogitar.

Enfim, tive meus Davis pela estrada e aprendi a enxergar o mundo com mais compreensão, orar por ele e rogar a Deus que se apiede de todos os que, ainda, não foram visitados pela sublime graça divina que nos faz os enxergar os diferentes, simplesmente como diferentes. Apenas isso.

Parabéns pelo artigo e lembrancas ao Davi.

Abração, seu gordo fraco hahahahaha

Ana Lívia disse...

Gostei muito desse texto... se eu pudesse defini-lo com uma só palavra, esta seria, HUMANO!
A igreja deve ser assim... pessoas que amam pessoas, pessoas que estão sempre prontas para abraçar... sem fazer distinção, sem preconceitos... COM O AMOR DE CRISTO NO CORAÇÃO! Deus continue te abençoando Pr, e mantendo essa tua visão!

Julyanne Rezende disse...

Poxa Caco, que belo texto!
De fato, o amor une perfeitamente todas as coisas ...
Que o Senhor nos ajude a amar as pessoas independente das diferenças :)
Parabéns Daaaaaaaaaavi,Vc acima de tudo é um exemplo pra mim ...
Valew Caco :*

Pr.Herberte Henrique disse...

De fato devemos ser auspicioso com pessoas maravilhosas como o Davi, e nos alegrarmos na companhia dos mesmos, pois, eles nos mostram o quão limitados somos. E o Davi tem um ótimo gosto pelo time que torce!

Emiliany disse...

Parabéns Ricardo pelas palavras tão sábias referente a um assunto ainda tão polêmico, tão mal interpretado.
Como você mesmo falou, quem não tem limitações?
Deus abençoe a todos e que você continue com esse dom maravilhoso da palavra.
Emy