segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

OUTRO CONTESTADOR





Como todos sabem escrevo textos, digamos um tanto apimentados. Nunca escondi de ninguém essa minha veia mais polêmica, contestadora, atiçadora, inquieta... Tenho sempre ouvido que deveria ser mais manso, calmo, suave. “Caco, você precisa ser menos estressado. Seja mais cuidadoso, pois está falando de homens de Deus”.
Geralmente justifico-me informando que é necessário defender a Igreja contra os ataques cruéis dos falsos mestres, lobos, salteadores e de toda sorte de mazelas. Jeremias, Ezequiel, João, Pedro, Paulo, os pais da Igreja, os reformadores e tantos outros servos de Deus fizeram isso. Além do próprio Senhor Jesus que atacou “cruel” e veementemente os fariseus (Leia Mateus 23).
Pois bem, hoje quero apresentar-lhes outro “contestador”. Um moço que para muitos é desconhecido, mas que teve uma capacidade de destruir a arrogância de alguém que se achava mais justo que Deus e calar aqueles que eram meros acusadores sem conhecimento.  Você já ouviu falar de Eliú? Ele é o mais jovem de todos os que estavam em um debate com Jó. Suas palavras nos capítulos 32 a 37 são implacáveis, duras, desprovidas da “sensibilidade tosca que o universo gospel exige”. O rapaz declara que os muitos anos não são sinônimos de sabedoria e em seguida convoca seus ouvintes para uma “peleja”.
O discurso é fantástico, irônico, piedoso, contemplativo e desafiador.  No capítulo 32, já no verso 11 vemos uma pontada de ironia quando diz: Enquanto vocês estavam falando, esperei; fiquei ouvindo os seus arrazoados; enquanto vocês estavam procurando palavras...” (Jó 32.11 NVI) Ele simplesmente diz que os “mestres” que falaram não tinham o que dizer, eram fracos de argumentação. O que vejo no restante desse texto é um moço indignado com o pecado de um e a incapacidade dos outros de lutarem contra um pecador arrogante.
Nos versos 18-22 Eliú revela-se um contestador, um polemista em defesa da verdade. “... pois não me faltam palavras, e dentro de mim o espírito me impulsiona. Por dentro estou como vinho arrolhado, como vasilhas de couro novas prestes a romper. Tenho que falar. Isso me aliviará. Tenho que abrir os lábios e responder. Não serei parcial com ninguém, e a ninguém bajularei, porque não sou bom em bajular; se fosse, o meu Criador em breve me levaria” (NVI).
Apenas ao ler esses versos podemos perceber quão grandemente esse moço era implacável, sincero e desejoso do bem. Seu espírito jamais estaria em paz se toda a verdade em seu peito não fosse verbalizada em um confronto direto contra Jó e seus amigos. Eliú não estaria em paz com Deus se não pregasse contra o erro. Não poderia ser um bajulador, não sabia fazer isso. O Criador era o centro de sua existência; em torno de Deus girava a vida de Eliú. Os interesses do Senhor eram os dele, por isso, não se calaria ante o erro.
Eliú não está confrontando um “Zé Ninguém”. Perceba meu caro leitor que o confrontado é Jó, um homem considerado justo, conselheiro de príncipes, reverenciado por todos de sua região. E o nosso “contestador” o chama de zombador, perverso, sem sabedoria, sem temor, ímpio, rebelde, arrogante. Nossa, imagine se isso fosse dito contra os “ídolos da gospelândia”. Ai de quem disser qualquer dessas coisas contra o Malafeita, o MaisCedo ou mais tarde vou te roubar ou Santa Paulinha de BH.
Eliú revela-se um sábio e convoca Jó a escutar dele a sabedoria. Fica claro em todo seu discurso que a sabedoria está intimamente atrelada a conhecer intimamente a Deus, contemplar suas maravilhas, seu grandioso poder e conhecimento. E não ao poder humano, honras, títulos...
Ao ler esse moço sinto-me inda mais instigado a confrontar o erro e seus autores. Eliú, assim como os demais “contestadores” bíblicos são inspirações para pecadores miseráveis como eu, que foram chamados para defender a verdade de Deus.
Tenho certeza que muitos de vocês, assim como Eliú tem muito o que falar,  estão constrangidos a isso, não são bajuladores e que a verdade em seu peito está pronta a explodir avassaladoramente em ataques certeiros contra a heresia, o erro e contra tudo que é oposto ao caráter de Deus.
Não se calem por medo das “más impressões”, não retrocedam pela conveniência, não relutem! Preguem, confrontem! Aqueles que pertencem ao Senhor e estão no erro, serão confrontados pelo poder de Deus e voltarão, os que não são d’Ele serão desmascarados pelo mesmo poder de Deus – A PALAVRA que vocês pregam.
Por isso meus amados, contestem!
Contestem para glória de Deus!
Um grande abraço!


Pr. Caco Pereira





2 comentários:

Signora Rejane disse...

Se o povo de Deus parar para conhecer as Escrituras e o Poder de Deus; não errariam o caminho!
É muito triste ver grandes rebanhos serem levados para pastos artificiais
por lideres que não meditaram em Isaías 66.2!
Choro e Clamo a Deus para permanecer ouvindo: Isaías 43.10-13... e não desvanecer em meio há tanta iniquidade. Porque A Igreja do Senhor tem que proceder: 1 Pedro 1. 13-16.
Muito bom o texto exortativo caro amigo!

franck doo disse...

Gostei muito do texto pastor. É por não contestarem que muitos crentes por ai viram papagaios de pastores,não buscam estudar a palavra e imitam o pastor, muitas vezes esses pastores são vasos de desonra pra Deus.
por isso na igreja que sou membro sou instigado por meu pastor a pensar, a ter opinião formada