sábado, 24 de setembro de 2011

LIXÃO GOSPEL, DE QUEM É A CULPA?


Ontem entrei no salão para cortar o cabelo e um moço, membro da mesma Igreja Evangélica que o cabeleireiro disse: “Oia, oia!” Eu, com cara de poucos amigos (quem já me viu cansado, chateado sabe bem do estou falando...) olhei sem entender nada.
O rapaz apontou para o aparelho de som e disse: “Oia a música Vaso!”. Tocava algo que não consegui decodificar bem, não sei se pelo cansaço ou pela minha “burrice” espiritual. Apenas sei que aquilo que o menino me mandava “oiar” doeu nos ouvidos e piorou meu estado de espírito.
Hoje cá estou pensando no que escrever, abro minha Bíblia, leio: Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11.33-36).
Que belíssimo texto de exaltação ao Senhor Deus. Ler essa majestosa poesia “atiça” minha mente que começa a ferver em questionamentos. O que está acontecendo com a poesia? Por onde anda boa música? O que foi feito com o talento no meio cristão? Onde estão todos?
Não consigo ligar o rádio do carro e escutar por mais de cinco minutos uma rádio dita evangélica. Não dá pra ouvir “remove a minha pedra”, ou “quando eu prego o diabo me bateu” ou os jargões da adoração profética e tantos outros e não ficar quase chorando de indignação diante dessa bagaça existencialista, antropocêntrica e mentirosa da música cantada em nossas Igrejas (inclusive nas históricas). Se fosse possível, meus ouvidos lacrimejariam quando fossem atacados com os jargões doentios da música gospel. NÃO SUPORTO ESSA COISA TOSCA MIADA, CHORADA, GRUNIDA, EMOCIONALISTA, MANIPULADORA E CLARAMENTE COMERCIAL.
Carecemos urgentemente de poesia naquilo que cantamos, precisamos homens e mulheres de Deus, com talentos e dons dedicados a composições de boa poesia, de canções que nos levem ao trono da graça, em adoração sincera ao Rei dos reis e Senhor dos senhores.
Não sou de modo algum um defensor da tese de ritmo santo. Apenas almejo por ouvir e cantar música de qualidade, com fidelidade bíblica e se possível, encaixada na cultura local. Amo ouvir o pé-de-serra do Sal da Terra, também deleito-me nos acordes de João Alexandre e Nelson Bomilcar, consigo ficar em paz e me alegrar coma loucura do Metal Nobre. Na verdade, posso tranquilamente ouvir o que ainda reste de bom de quem já esteve Diante, mas hoje está Distante do Trono.
Infelizmente a música evangélica virou comercial e em nada promove a exaltação ao Senhor Deus. Mas DE QUEM É A CULPA? Quem são os responsáveis por esse cenário tão sombrio? Penso que há três culpados. 1. Pastores; 2. “Cristãos” Artistas; 3. Cristãos “comuns”. Deixem-me ser claro:

1. Pastores são culpados pelo simples fato de que estão preocupados com quaisquer outros assuntos e não com o doutrinamento bíblico das ovelhas que Deus lhes deu para cuidar, alimentar, guiar e amar. Muitos são covardes ou mercenários que preferem calar ante as vontades de pessoas que não amam a Deus, mas que lhes enchem os bolsos de dinheiro. Há ainda pastores que não ensinam porque simplesmente não sabem e não querem aprender. Tem preguiça de ler a Palavra e preferem proferir as mais impensáveis sandices, mas que agradam aos corações doentes.
Seremos culpados pastores se não pregarmos a verdade! Seremos culpados pastores se não estivermos prontos a dilacerar pela Palavra o ego humano, a sua arrogância, e prepotência! Seremos culpados pastores quando não nos dispusermos a pregar com o mais profundo desejo de que as pessoas rendidas ao Soberano, o louvem pelo que ELE É e não pela “barganha da fé”.
2. “Cristãos” Artistas são culpados, não por fazer da música uma profissão e por receberem dinheiro por isso. Creio que é justo que recebam sim. Não vejo menor problema em honrar um músico, afinal de contas eles viverão como?
Mas vocês são culpados quando transformam Deus uma espécie Frankenstein da “Gospelândia”. Um monstro estereotipado que tem diversas “emendas” teológicas e que está sempre pronto a atender aos caprichos ensinados com os pedaços das heresias recolhidas do Lixão Gospel.
São sim responsáveis por se dizerem “Levitas” sem o menor conhecimento de quem eram eles. São sim culpados por não amarem a Escritura e não buscarem reproduzir com fidelidade o que ela ensina.
Artistas, sejam cristãos verdadeiros, parem de colocar “pedras” no caminho da fé e depois evocar a Bíblia como base para suas heresias. Parem reconstruir o véu! Lembrem-se que Cristo já o rasgou na Cruz (um bom artista já cantou isso – honras a João Alexandre).
Não banalizem o evangelho para engordar suas contas. Voltem ao trono, dobrem-se ante o Soberano e o louvem pelo que ELE é, não pela “barganha da fé”.
3. Cristãos “Comuns” são culpados quando não conferem tudo pela Escritura. São responsáveis por “engolir” tudo como se fosse sagrado. Cada servo de Deus é responsável pelo que aceita em sua casa. E quando você meu irmão, recebe sem refletir aquilo que é contrário ao caráter de Deus, torna-se tão culpado quando quem produziu a heresia.
Quando canta algo que deturba um texto bíblico, quando se deleita naquilo e faz disso praticamente uma oração ou confissão de fé, está dizendo a Deus que crê do seu jeito e que Ele tem que agir de acordo com sua crença, não como a Palavra ensina. Cristãos “comuns” parem de se dobrar diante dos ídolos e curvem-se diante do Soberano, louvem-no pelo que ELE É. Não pela “barganha da fé”.
Oro diariamente para que isso mude e creio que mudará quando pastores tiverem coragem de ensinar a Bíblia, quando tivermos mais artistas cristãos sem aspas mesmo e quando os demais crentes forem mais bíblicos.

Que o AQUELE que tem ser louvado pelo que É e não pela barganha da fé nos bendiga!


Um abraço,

Caco, o pastor

8 comentários:

Jannayna Rezende disse...

Infelizmente, nós somos obrigados a ouvir cada barbaridade, e o que mais me revolta são as músicas NEOPENTECOSTAIS. Em uma delas a palavra "AGORA" é repetida, quase um milhão de vezez, tornando uma lavagem cerebral, e me tirando literalmente do sério.Hj em dia em nossas Igrejas,falta compromisso, ensaio e acima de tudo alguém que cante que preste, como se nossos ouvidos acabaram de se tornar valas de esgoto. Cadê o compromisso, com os que se intitulam "LEVITAS"? Ah sinceramente não sei, espero que consigamos mudar essa situação. Abraço a todos, e principalmente no Pr.Caco. Parabéns amei o Texto! =D

Prof. Pádua disse...

Hoje pela manhã, enquanto o estudo para a reunião da noite, escutava o Gulherme Kerr e em seguida escutei o Grupo Hágios e ficava a pensar... é raro escutar canções como essas. Concordo com o texto, pois é muito difícil ligar um rádio ou comprar um CD que preste e traga algo que edifique de verdade. E o mais insuportável é ter que chegar na igreja e ter que aguentar os ditos "levitas" cantar aqueles letras que são verdadeiras aberrações e os pastores acham tudo normal. Não sei... sou sei que sou um miserável carente da graça de Deus. Anti-pentecostal por convicção. Valeu Rev. Caco. Que a tua pena continua firme e forte!

Julyanne Rezende disse...

É Caco, cada dia que passa mais aberrações giram em torno do mundo "Gospel" ... "Do manda fogo meu Senhor" ao "mantra gospel", tem de toda qualidade, e pra todos os gostos, do funk ao axé , uma salada de frutas "ungidas", músicas com letras heréticas que parecem mais mensagens subliminares do que um louvor a Deus rsrsrs ...
Há uma separação hoje em dia em dizer isso é gospel e isto é secular, que acaba se tornando uma briga fútil e ridícula.
No lugar de ajuntar só espalham ...
Eu sinceramente prefiro ouvir músicas de boa qualidade "seculares" do que ouvir heresia, claro com todo respeito aos cantores gospelsssss ...
Graças a Deus que não podemos jogar todos na fogueira, existe sim alguns bons cantores cristãos,raros rsrsrs mas existe, alguns ai exemplificado no próprio texto ...
Enfim ... mais um texto show de bola heim teacher?
Arrazou!
Beijo Grande!
:*

Susy Nobre disse...

Pr. Ricardo, li seu texto e a partir dele fiz algumas reflexões e confesso que compartilho de sua mesma angústia. A música gospel hoje é um fiel reflexo do que se” doutrina” em determinadas igrejas, onde a verdadeira adoração tem perdido cada vez mais espaço para a “interesseira” adoração , na qual ‘O louvor ao Cristo Vivo pelo que Ele é’, sai de cena e entra ‘O louvor ao Cristo pelo o que Ele pode me dar’. Parece-me que a música gospel, tem se tornado uma espécie de moeda de troca. Se eu canto, grito e choro, repetindo refrões insistentemente talvez assim eu consiga convencer a Deus que sou merecedor de suas bênçãos. Esquecendo-nos que fomos alcançados pela graça e Graça é favor imerecido. Enfim, finalizo aqui uma de minhas considerações, parabenizando-o pelo excelente texto e almejando dias melhores .Paz!

Marcos Ramos disse...

Quando li o título deste texto que tratou de mostrar esse assunto, me veio à lembrança algumas orientações que eu havia preparado para os grupos de louvor da Igreja Presbiteriana em Cruz das Armas, nas quais eu poderia alistá-las aqui resumidamente quanto ao que seria estar cantando louvores ao Senhor. Sim, porque essas muúicas ouvidas nas rádios, são as que popularmente chegam a quererem ser cantadas na Igreja também e essas orientações podem fazer ou não com que dessa maneira, venha-se saber que o povo de Deus desde sempre teve um amor particular pelo que seja louvar ao Senhor. Os Salmos bíblicos são a base para entendermos isso. Os louvores sempre foram de valor excelente na comunicação do SENHOR com o Seu povo. Então, sabendo-se o quanto é importante se posicionar diante dessa realidade lendo-se o que foi escrito e refletindo-se sobre os pontos que seguem: (1 – O aspecto visual – a equipe modela a “ligação” da igreja com Deus: transmite amor, modéstia e deve ter a ausência da mentalidade de algo inédito para poder mostrar tocando ou cantando;
2 – O aspecto interpessoal – Nós precisamos sempre entender que somos uma família feita de pessoas honestas, que apóiam uns aos outros, perdoam, servem e são rápidos para resolver conflitos;
3 – O aspecto musical – Precisamos combinar excelência musical e espontaneidade;
4 – O aspecto do caráter – Precisamos constantemente, como crentes que somos desenvolver: pureza, humildade e serviço.
5 – O aspecto do encorajamento – Existe a necessidade de entendermos que teremos diversos desafios em nossa caminhada, enquanto participantes do nosso grupo. Não existimos para providenciar apenas uma “introdução musical” para a pregação, mas somos aqueles que são chamados de “verdadeiros adoradores” que “...adorarão o Pai em espírito e verdade; porque o Pai procura (que quiser dizer: esforça-se por obter ou deseja, requer, pede, exige, pergunta ou investiga) a tais que assim o adorem”. João 4:23.
6 – O aspecto da retrospectiva: Precisamos estar sempre avaliando cada domingo de período de adoração para podermos estar afastando a insegurança, e, estarmos nos animando e apreciando o quanto Deus operou em nosso meio como grupo.
7 – O aspecto da autonomia: Cada grupo terá a liberdade para poder liderar todo o momento de louvor: deverá determinar a lista de músicas (inclusive fazer os “power points”) e trazer alguma exortação para a igreja — desde que de maneira equilibrada e com compaixão —, não esquecendo de orar pela congregação e a falar para as pessoas sobre a importância da adoração — sem ser chato e repetitivo, obviamente.
8 – O aspecto do relacionamento: A equipe de louvor precisa saber que não é “empregada”, mas são pessoas apreciadas por Deus por serem servas.
9 – O aspecto da interação: Devemos aprender a conduzir uma música como ela é e não como achamos que ela deve ser: isto se chama harmonia e unidade grupal.
10 – O aspecto da direção: Dirigir um cântico cantando ou tocando é antes de tudo uma prática de humildade e sensibilidade); haveremos de ver que precisamos, para nos mantermos coerentes e coesos, da boa música, para podermos batalhar por algo que não nos separe, mas nos una sempre, como verdadeiros adoradores.
O que temos cantando tem refletido o que foi escrito? Pense-se.
Parabéns e abraço.

Carlos Puck disse...

Pastor... meu apoio ao texto. Meu desafeto ao gosto desgosto. Ouço música, inclusive de artistas variados que não são da igreja. Mesmo eles conseguem fazer coisa melhor que isso que você menciona. Os prefiro. Sempre. Agora, pendo sempre que muitos de nós tentamos ensinar, sim, mas o ouvidos estão fechados e o coração se melindra com corretivas mesmo que doces. Querem fazer valer o poder do louvor... mas a quem?
Fica aí, instalada minha voz de pedido de socorro mesmo pelos grupos que usam o nome de Deus em vão... Abraços pastor. Do amigo Puck.

Flávia Cristina disse...

Hoje existe muita comercialização da fé cristã. A teologia da prosperidade vem "prosperando" em vendas no meio evangélico. A moda da hora é o mantra gospel.
Parabéns pelo texto, foi bem oportuno.
Precisamos voltar a ortopraxia!

djava2 disse...

Está tudo errado...

As Tradições dos Homens nas Igrejas dos Homens

http://www.aosseuspes.com/As-Tradicoes-dos-Homens