A pergunta do nosso enunciado tem, na verdade, o objetivo de saber se o enchimento do Espírito tem de alguma forma influência nas obras praticadas pelos crentes; se tem, como isso se dá? Em que medida? Mas antes de tentar responder isto precisamos definir “estar cheios do Espírito”
A palavra traduzida por enchei transmite a idéia de controle; ela está no passivo, na verdade, seria mais bem traduzida por “ser cheio”, mas está num modo permissivo; então, uma tradução mais acertada seria: “vocês devem constante e continuamente, deixar que o Espírito de Deus tome conta de suas vidas (Rienecker, Rogers, Chave Lingüística do Novo Testamento). O que podemos concluir dessa breve análise é que ser cheio do Espírito é voluntariamente ser dominado, dirigido por ele.
Lloyd Jones diz sobre o enchimento do Espírito, que ele faz com que o santo deseje dar de si, ampliar as fronteiras do reino de Deus, para que outras pessoas venham a desfrutar com ele do privilégio de ser dominado pelo Espírito. A alegria existe de forma indubitável, indizível, veramente através dessa ação do Deus, Espírito Santo. Ele acrescenta que somente por meio desse enchimento é que o santo pode experimentar uma vida de entusiasmo constante (D. M. Lloyd Jones, Vida no Espírito. PES).
Sob influência do Espírito, o cristão não perde o controle, mas ganha. Stott traça quatro conseqüências imediatas desse enchimento prescrito por Paulo. Inicialmente, tal processo proporciona a comunhão com os irmãos (19a); em seguida o desejo de adorar (19b) é outra conseqüência do ser dominado; a terceira bênção proporcionada pelo enchimento é a gratidão (20); o crente cheio do Espírito vive em ações de graças; por fim, a submissão (21) é a última das ocorrências imediatas ao ser tomado pelo Espírito (John Stott, A Mensagem de Efésios).
O Espírito dá a pecadores miseráveis uma nova natureza, uma nova mente, um novo tudo! Ele promove a santificação, ele domina inteiramente a vida daqueles a quem guia e que andam n’Ele. Ao serem governados pelo Espírito, os homens são capacitados a viver de modo digno do Senhor Deus, a viver de acordo com aquilo para o qual eles foram criados, a glória de Deus.
O grande princípio a ser percebido no que diz respeito à ordem de Paulo é que, quando a Igreja busca o enchimento do Espírito, ocorre avivamento, e isso produz transformação de vida, mudança social, não conformação com o curso desvairado desse século. Por isso é dito que não há outra maneira de viver a vida cristã de forma a realizar aquilo que o Senhor quer, senão pelo enchimento do Espírito.
J. I. Packer diz que somos ativados pelo Espírito, em todo serviço que prestamos aos outros, desde as formas mais simples de ajuda prática, ao aconselhamento espiritual mais delicado, e às exortações mais diretas para abandono do pecado. É o poder do Espírito que gera toda generosidade das boas obras no coração do cristão (Packer. A Redescoberta da Santidade. Ao conduzir um homem a Cristo, o Espírito o leva à obediência, a sua vocação, molda-o segundo a imagem de Jesus e o faz andar piedosamente em boas obras (Charles H. Spurgeon. Eleição). Todo e qualquer pecador regenerado é convocado a uma vida constante de enchimento do Espírito, a fim de ter em sua alma o fruto da alegria, e o privilégio de, dominado por ele, ter a cada instante o prazer glorificar ao Senhor por todas as suas obras.
Ao dizer que o crente não deve embriagar-se com vinho, mas encher-se do Espírito, Paulo está exortando-lhes a não buscarem em outras fontes a alegria, a adoração, a gratidão. Somente através desse agir sobrenatural de Deus é que tais coisas são verdadeiramente possíveis à vida dos santos (Russel Shedd. Tão Grande Salvação). O enchimento do Espírito provoca uma convicção tremenda de que é preciso realizar obras justas. Quando isso acontece, o crente percebe que, como disse Spurgeon: “Você tem que realizar boas obras tão zelosamente como se tivesse de ser salvo por meio delas e tem de confiar nos méritos de Cristo como se não tivesse feito nada”.
Certamente chegamos à conclusão que o Espírito tem influência sobre as obras praticadas pelos santos, e isso deve ocorrer integralmente. Quanto mais buscarem ser cheios do Espírito, mais dominados por ele os crentes serão, e mais poderão glorificar o Deus Todo poderoso.
Então, depois dessas colocações surgem alguns questionamentos para as nossas vidas. São algumas perguntas simples, cujas respostas dirão muito sobre nossa relação com o Espírito Santo. 1. Cremos e buscamos ser cheios pelo Espírito? 2. A nossa vida diária reflete essa busca? 3. Essa nossa relação com o Espírito resulta numa relação nova com as outras pessoas? 4. Sentimos prazer em ser bênção?
Queridos, é preciso que o Espírito Santo encha nossas vidas em todo tempo, que sejamos cheios dEle, que reflitamos o caráter de Deus através de obras dignas de eleitos do Senhor.
Que o Espírito transborde em nós!
Um abraço afetuoso.
Você já leu o salmo 15? É certamente um dos textos mais confrontadores da Escritura. Nele o salmista nos faz duas perguntas que têm o mesmo sentido e que objetivam asseverar o caráter do cidadão dos céus. O poeta queria deixar claras as exigências para ser aceito no “monte do Senhor”. Quem habitará no teu tabernáculo? Quem há de morar no teu santo monte? (1)
As respostas dadas nos versos seguintes revelam-nos muito mais do que a lista de exigências a serem cumpridas, elas nos mostram como reconhecemos um cidadão dos céus. Ele é identificado pelo que faz e pelo que não faz, pelo sim e pelo não que diz.
O cidadão dos céus é alguém que vive em retidão, na prática do que é justo; um verdadeiro filho de Deus tem seu coração cheio da verdade; por ser verdadeiro, tem por desprezível aquilo e aquele que é reprovável diante do Senhor. Simplesmente odeia o que aborrece ao a Yaweh. Ele honra os que temem ao Senhor. (2, 4a).
Um cidadão das moradas celestiais é tomado por um sentimento tão profundo de humilhação diante do Senhor que em determinadas situações é capaz de “jurar com dano próprio”, ele está pronto para se, necessário for, tomar sobre se a injustiça, porque para um filho da luz, melhor é sofrer a injustiça do que cometê-la (4b).
Por outro lado um homem que de fato teme ao Senhor e que tem seu lugar reservado nos céus não é capaz de difamar com a língua, ou de maquinar o mal para o próximo ou ainda de lançar sobre o outro acusação (testemunho) falso. Ele não se aproveita das dificuldades dos mais pobres para lhes explorar em suas necessidades.
Esse salmo tem que levar-nos a uma reflexão: será que temos em todo tempo vivido como cidadão dos céus? Será que temos sido homens e mulheres retos diante do Senhor de nossas vidas? Quando paramos e refletimos chegamos a conclusão que temos andado em todo tempo como embaixadores do reino de Deus?
Gostaria de lhe convidar a refletir sobre esse salmo. Pense direito, avalie sua vida. Dedique seu tempo, suas emoções, suas orações a uma busca sincera pelo Senhor da Palavra, pelo Deus da aliança. Peça a ele que lhe dê forças para andar em todo tempo e em qualquer lugar como cidadãos dos céus.
Que o Senhor lhe bendiga!
Um abraço afetuoso!
PR. RICARDO JORGE PEREIRA
Sou um pecador miserável, alcançado pela graça e feito ovelha do Pastor e pastor das Suas ovelhas! Casado, pai e pastor da Igreja do Senhor, servindo na IPB, em João Pessoa, Paraíba
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