terça-feira, 10 de novembro de 2009

O Reino de Deus em nós

Há dois mil anos atrás, Jesus, nascido numa manjedoura, filho de carpinteiro, residindo na pobre cidade de Nazaré, trouxe ao mundo a inauguração do maior, mais duradouro e mais glorioso Reino que este mundo já presenciou. Jesus trouxe uma porção, ainda limitada, do Reino celestial, a fim de ser desfrutado antecipadamente, até a chegada de sua plenitude eterna. Este Reino celestial já está entre nós! Mas como evidenciá-lo ao mundo?

Por causa dos muitos pecados cometidos diariamente, durante o Antigo Testamento, sem nenhuma preocupação com um verdadeiro arrependimento e mudança, o povo de Israel foi levado cativo para a Babilônia em 586 a.C., e a partir deste episódio, Israel foi subjugado por diversos reinos sequencialmente: Babilônico, Medo-Persa, Grego, Ptolomaico e Selêucida, e Romano. Toda a experiência vivida por Israel, naquele período, fez com que o povo ansiasse pela reconstituição de seu próprio reino, livre e glorioso à semelhança do reinado nos dias do rei Salomão: “Eram, pois, os de Judá e Israel muitos, numerosos como a areia que está ao pé do mar; comiam, bebiam e se alegravam. Dominava Salomão sobre todos os reinos desde o Eufrates até à terra dos filisteus e até à fronteira do Egito; os quais pagavam tributo e serviram a Salomão todos os dias da sua vida.” (I Rs.4.20-21). Enquanto, no período interbíblico, os judeus criaram uma expectativa de tornarem-se um reino próspero e dominante na terra através da chegado do messias libertador, o dia da chegada do Reino dos céus estava próximo e viria através do Deus-homem sentado num jumentinho.

Jesus trouxe o Reino glorioso de Deus: “Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós.” (Mt.12.28). No entanto, Israel não conseguiu ver em Cristo um Rei e nem em sua proposta um reinado libertador e próspero tão esperado por todos. Israel não entendeu que “o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.” (Rm.14.17). Jesus estava anunciando um reinado isento de interesses políticos, ausente de construções formosas, à parte do domínio econômico mundial, sem exército e generais. Qual a razão de ser deste reino tão aparentemente impotente? Onde está a glória deste reino celeste anunciado por um carpinteiro?

Jesus estava trazendo “um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre,” (Dn.2.44). O Reino dos céus é a manifestação do poder e glória, graça e vida abundante de Deus entre o Seu povo. Cristo, o mediador e herdeiro do Reino dos céus, veio com poder: libertando os endemoniados, curando os enfermos, restaurando os marginalizados. Cada gesto e Palavra de Jesus era uma manifestação do poder, glória, graça e abundante vida do Reino de Deus.

Como mostrar ao mundo a presença real do Reino de Deus que é invisível, ausente de estrutura física e palpável, no entanto, glorioso e superior a todo e qualquer reino deste mundo? Como revelar o poder, a glória, a graça e abundante vida deste Reino?

O Reino de Deus é propagado através da Pregação da Palavra de Deus e por meio da vida daqueles que são súditos, e filhos, deste Reino eterno.

A igreja, desta forma, precisa continuar pregando o evangelho a todas as gerações e nações, para que o Reino dos céus continue a crescer. A igreja prega a justiça e santidade do Reino de Deus, mostrando ao mundo os valores eternos e perfeitos deste Reino sem mancha. Enquanto os reinos humanos são marcados pelo pecado e todo tipo de injustiça, o Reino eterno de Cristo é santo, como Santo é o Senhor do Reino. Ainda que o Reino seja santo e justo não é excludente. A graça divina, presente no Reino de Deus, possibilita ao pecador, que reconhece com sinceridade sua condição miserável e necessidade da justiça de Cristo, a inclusão no perfeito Reino divino através da justiça do justo e justificador, Jesus. Dentro deste reino invisível, mas glorioso, o pecador justificado encontra vida. Neste Reino recebe-se o amor incondicional de Deus, que alcança até o mais solitário dos homens; a paz de Deus que excede todo entendimento, capaz de guardar os corações nas lutas da vida; a esperança da vida eterna, que concede sentido às frágeis vidas humanas; a alegria no Senhor, mesmo em meio a lágrimas diante das aflições do mundo; e “toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo” (Ef.1.3). Ao anunciar o agir de Deus, Seu poder, glória, graça e abundante vida, a igreja está anunciando o Reino presente e eterno de Seu Filho, dominando e subjugando os poderes deste século.

Além de revelar a soberania de Deus, através da pregação do evangelho do Reino, a igreja deve mostrar a manifestação do poder de Deus, advindo com o Reino dos céus. A vida de cada membro do corpo de Cristo deve refletir o poder, a glória, a graça e abundante vida que o Reino de Deus trouxe aos pecadores. A igreja, povo de Deus, comunidade dos crentes, deve refletir o perfeito reinado de Cristo através de sua vida de adoração.

Gostaria de aproximar essa realidade à tua vida. Como todo pecador, você estava debaixo da ira de Deus (Ef.2.1,2). Um dia a mensagem do Reino de Deus é trazida até seu coração. Inicia-se a manifestação do poder deste Reino. O poder de Deus faz o impossível acontecer em tua vida. Um pecador, completamente separado de Deus, reconhece sua miserabilidade e prostra-se diante do Senhor, com o coração arrependido e desejoso de ter Cristo como Senhor absoluto de sua vida. Essa é a primeira manifestação do poder e graça do Reino de Deus, capaz de alcançar o pior dos pecadores, tornando-o justo em um só ato de justiça, a justiça de Cristo. Todas as vezes que você submete seus pensamentos, que por natureza se inclinarão para o pecado, à santidade do Senhor Jesus, você estará revelando o poder do Reino de Deus para subjugar tua vida ao Reinado eterno e poderoso de Jesus. Assim, ocorrerá com cada gesto e palavra dita ou evitada, por causa do conhecimento da Palavra de Deus. Desta forma, você mostrará ao mundo que o Reino de Deus é realmente poderoso, não só para justificar o pecador, como também para transformá-lo com poder, moldando-o ao caráter de Cristo. O mundo verá que o poder transformador deste Reino é glorioso, ou seja, santo, justo, verdadeiro, amável. Verá ainda, que tais valores, poderosamente trazidos ao pecador, agora justificado, trazem consigo, de forma graciosa, a vida abundante deste Reino concedendo o prazer de ser súdito do Reino de Deus. Nestes termos, vê-se a seriedade de cada palavra e ação da igreja perante o mundo. Cada uma delas carrega consigo a mensagem do poder, glória, graça e abundante vida que o Reino veio trazer para os pecadores arrependidos.

O Reino de Deus não possui templos, catedrais, mansões, riquezas. O Reino de Deus é visto em cada palavra e ação propagada pela igreja que vive dentro do Reino dos céus. Quando a igreja deixa de submeter sua vida ao poder transformador do Senhor, o Reino de Deus é deixado de lado, juntamente com sua glória, graça e vida, pois a igreja visível, presente no mundo, e o Reino celeste, que veio com Jesus, não são a mesma coisa.

sábado, 7 de novembro de 2009

TEMOS PASTOR - 1ª PARTE

Em um tempo que a idéia de pastorado tem sido perdida é preciso olhar para a Escritura e contemplar o pastoreio do Senhor. Olhe com carinho para o belo Salmo 23.

De forma bastente simples e devocional, tentarei trazer algumas verdades acerca da forma como Deus nos pastoreia.

1. Ele é Providente (1 - 3a) - Nas muitas vezes que falamos do Senhor, sempre usamos figuras que representem seu poder. Isso se dá de forma muito notória no próprio livro dos Salmos, onde predominam figuras como “rei”, “libertador” ou até outras mais impessoais como “rocha” e “escudo”. Mas aqui o Salmista, que provavelmente está vivendo um dos mais felizes momentos de sua vida; faz-nos parar e perceber uma outra figura de extrema importância a respeito do nosso Deus. Ele é o Pastor.

Quando contemplamos o nosso Deus como Davi o fez, e traçamos um comparativo do cuidado que um pastor de ovelhas tem com sua possessão, percebemos então a grandeza dessa afirmação simples porém complexa do salmista maravilhado pelo seu Deus. Para o israelita o pastor não só orientava e tomava providências em favor do rebanho, mas também disciplinava e julgava. Por isso a idéia de pastor veio a ilustrar, quase que sempre, no Antigo Testamento e depois no Novo, a função do rei. Textos como Jr 23.3,4 e Lc15.3 -7 ilustram essa verdade. O Senhor é o pastor providente com sua possessão. Davi diz que de nada sentirá falta ou dEle não terei falta. Não está o rei falando necessariamente de bens materiais, se bem que o Senhor também nos supre com eles, mas aqui o salmista volta-se para o sustento, para a provisão espiritual que o Pastor proporciona às suas ovelhas.

Amados, no segundo verso, logo em seguida a sua afirmação inicial o rei querendo ainda mais acrescer elementos de confiança, revela outros dois traços da ação pastoral de Deus: Ele me faz repousar em pastos verdejantes... Leva-me para junto das águas de descanso. Em meio a uma região quente como a Judéia, os pastores sempre buscavam lugares calmos nos quais as ovelhas pudessem descansar, bem como águas tranqüilas, pois era inconveniente para o rebanho beber água em fortes correntes. No terceiro verso, parte inicial, há mais uma bela verdade sobre o pastoreio de Jehovah. Em seu livro Teologia da Alegria, John Piper ao comentar esse trecho nos diz o seguinte: “... Isso significa que Davi teve dias ruins. Houve dias em que sua alma precisou ser reanimada. A vida do servo de Deus é um normal processo repetitivo de restauração e renovação”.

O Senhor nosso Pastor não mudou ao longo dos anos, continua sendo um zeloso cuidador do seu povo. Precisamos confiar nEle como nosso Sustentador. Ainda hoje Deus que continuar cuidando de todos aqueles por quem o seu Filho Amado morreu na cruz.

Que o Supremo Pastor cuide de nós!

Um abraço carinhoso,

Pr. Caco


quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Servos pela graça de Deus

Amados irmãos e irmãs,
Fico grato ao Senhor a cada oportunidade concedida para contribuir com a propagação da Palavra de Deus: perfeita, fiel, reta, pura, límpida, verdadeira, justa (Sl.19.7-9). Ao acompanharem o serviço, que pessoas como nós, dedicam ao Senhor, nas mais diversas esferas da vida cristã, não pensem em nossa grandeza, “pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (I Co.1.27-29). Assim somos nós: loucos, fracos, humildes, desprezados perante o mundo. Não há em nós glória alguma. E, ao olharmos para Jesus, o Filho de Deus, encontramos, um filho de carpinteiro, esvaziado de glória e poder, feito um de nós, tentado em todas as coisas, submisso ao Pai em tudo e por fim humilhado até a morte e morte de cruz (Mt.13.55; Fp.2.7; Hb.2.17; 4.15; Lc.22.42; Fp.2.8) Se Ele, que é a nossa glória, fez-se desprezado pelo mundo, o que será de nós seus meros servos. Jesus bebeu o cálice da ira de Deus por nós, tomando sobre si nossos pecados. Agora, mortos com Cristo na cruz, para o mundo, vivemos para aquele que nos amou.
Ao mesmo tempo em que agradecemos a Deus por sua imensa graça, que nos basta (II Co.12.9), anunciamos que todo aquele que crê em Cristo é vaso de misericórdia em Suas mãos (Rm.9.23). Em Cristo, todos são servos, e cheios do Espírito Santo, todos são sustentados com o poder de Deus para servir. Para Deus não há pequeno ou grande, fraco ou forte, inculto ou sábio, “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Fp.2.13). Quem foram os “heróis da fé”: Abraão foi peregrino em terra estranha (Hb.11.9); José era o menor entre seus irmãos, vendido como escravo (Sl.105.17,18); Moisés foi exilado no deserto (At.7.29); Gideão era da família mais pobre de Israel e o menor de sua casa (Jz.6.15); Ester, órfã que vivia com o tio, tornou-se rainha numa terra estranha e libertou seu povo da iminente morte (Ester); os profetas viveram “errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.” (Hb.11.38). Estes não foram homens de destaque, contudo, foram instrumentos nas mãos de Deus para nEles ser revelado o poder do Senhor, Criador dos céus e da terra.
Com a igreja do Novo Testamento também foi assim, e continua sendo. Tendo, os apóstolos Pedro e João pregado a Palavra de Deus e curado um coxo de nascença, os lideres religiosos da época os prenderam e passaram a interrogá-los. Boa parte dos apóstolos eram pescadores, pessoas simples da sociedade. Eles não eram “iletrados ou incultos” (At.4.13) como o texto foi traduzido em nossas Bíblias, pois falavam fluentemente e ainda sabiam ler: o grego (língua universal da época), o aramaico (língua falada entre os judeus) e o hebraico (língua utilizada nas cerimônias religiosas). Quando Lucas escreveu, originalmente, quis dizer que Eles não tinham recebido instrução rabínica (agrammatói), cursado o seminário judeu, para pregar com tanto conhecimento e convicção. No entanto, o Sinédrio reconheceu que Pedro e João haviam estado com Jesus. Que anos proveitosos foram aqueles! Os discípulos haviam aprendido com o Mestre Jesus “coisas concernentes ao Reino de Deus” (At.1.3). E uma vez, tendo sido revestidos com o poder de Deus (At.1.8), que o Espírito Santo trouxe, como cumprimento da promessa de Joel 2.28 de que todo Israel de Deus receberia unção, capacitação, para servir o Senhor, os apóstolos passaram a falar com ousadia e coragem, com autoridade do céu.
Não somos da escola de profetas do Antigo Testamento, nem fomos escolhidos por Jesus como apóstolos autorizados para representá-lo com sinais e maravilhas, mas somos membros do corpo de Cristo “fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior” (Ef.3.16). Você é parte deste corpo, a igreja de Jesus, família de Deus, templo do Espírito Santo. Somos pedras vivas que juntas formam o grande e glorioso templo de Deus, sendo Cristo a pedra fundamental (I Pe.2.5). Tudo isto significa, que mesmo desprezados pelo mundo, os menores dos homens, somos instrumentos nas mãos do Altíssimo, recebendo dons “visando a um fim proveitoso” (I Co.12.7).
Você crê em Cristo como Senhor e Salvador? Têm compromisso com Jesus e Sua igreja? Então você também é parte do corpo de Cristo! Não há pequeno ou grande demais. Todos são servos, e cheios do Espírito somos instrumentos em Suas mãos. Talvez você esteja se perguntando: O que fazer para ser uma benção? A resposta é: Submeta sua vida ao Senhorio de Cristo. Viva para Jesus. Busque-o em oração constante. Ouça a voz do Senhor que ecoa nas Sagradas Escrituras. Você não precisa fazer mais que isto, pois o restante, todo o restante, é com o Senhor da glória. Você estará se colocando humildemente e obedientemente nas mãos daquele que pode “das pedras suscitar filhos a Abraão” (Mt.3.9). Não busque o “jeitinho brasileiro” que inadequadamente tenta encontrar soluções. Apenas prostre-se perante o Senhor e clame, ore, busque.

àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, 21 a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!” (Ef.3.20,21)

Deus vos abençoe!
Pr. Alexandre A. Costa