quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Choro a morte de mais dois pastores que cometeram suicídio



Sempre que leio notícias como essa, minha alma fica extremamente abalada. Dói o coração ver pessoas desistindo da vida. Mais abalado ainda, fico quando pastores sucumbem perante a falta de desejo de viver e se rendem, não a vontade de morrer, mas à morte como finalizadora das dores.

Não sei os motivos que os levaram a desistir de tudo, mas sei que algumas cargas são pesadas demais e sei que muitos esperam que pastores sejam superpoderosos, infalíveis, incansáveis, imunes as dores das vida. NOSSA, QUANTA INJUSTIÇA!

Nalgumas vezes sentimo-nos sós, abandonados, acoados, aflitos...

Nalguns momentos não encontramos nem mesmo em outros pastores a tal 'destra da comunhão'.

Diversas vezes choramos sozinhos, pois não encontramos no outro, um ombro e um abraço. Ao invés disso, dedos em riste, apontam e condenam.

Choro agora pelas famílias despedaçadas que sofrem duas vezes. Sofrem as perdas prematuras e os julgamentos contínuos que viverão. Afinal, são filhos, esposas, mães e pais de um pastor que cometeu suicídio. E os teólogos de plantão discutirão para onde vão os espíritos dos suicidas. Até porque é mais fácil ‘encomendar’ o corpo, do que cuidar da alma.  

Choro agora porque sei quão pesados são os fardos. Não refiro-me ao pastoreio como fardo. ISSO É PRIVILÉGIO. Fardos são os pesos da religiosidade, as cobranças desmedidas e descabidas. São o abandono que muitas vezes nós mesmo impomos aos que amamos, são os juízos sem amor, sem graça e sem qualquer misericórdia.

Quantos pastores perderam famílias, honra, dignidade! Quantos homens de Deus têm passado privações, tem sido humilhados, alvos de fofoca, de intriga, de ultrajes e de toda sorte de maldade por parte de gente que se diz 'irmão'.

Quando vamos aprender que pastores choram, sofrem gemem, vacilam, decepcionam, se decepcionam? Mas que sendo, pecadores que amam a Cristo, deveriam ser alvos do amor de quem se diz Igreja de Cristo.

De todas as dores que já vivi, a maior delas foi causada pelo ABANDONO. Nada é pior para um pastor do que sentir-se só, inútil, desprezado.


Lamento profundamente que esses irmãos tenham desistido. Oro por suas famílias. Que Deus os console e que não os permita desistir da caminhada.

Choro ao ler sobre isso porque sei o que é sofrer dores indizíveis. Sei o que é olhar para os lados e não ver sequer a mão de irmão. Sei o que é 'olhar a morte' e pensar: “É, parece que apenas tu me queres”. Sei o que é cortejar com o desespero.

Não quero engrossar a fila dos ‘juízes dos suicidas’. Prefiro estar na fila de quem estende a mão. Sei quão maravilhoso foi ter mãos estendidas para mim. Quero ser compassivo, pois encontrei compaixão. Prefiro ser misericordioso porque fui alcançado pela Misericórdia.

Lamento profundamente que esses irmãos tenham sucumbido. Lamento mais ainda por saber que não serão os últimos, infelizmente outros homens de Deus ao redor do mundo estão ‘entregues’ as dores e ao desespero.

Choro as dores de meus irmãos pastores. Elas são minhas também.

O Supremo Pastor haverá de fortalecer-nos em meio às cruéis aflições. Mesmo sendo falíveis como somos, corramos para os Seus braços, encontremos n’Ele refúgio e refrigério.

Por fim,  pastores carecem de cuidado, oração, amor e zelo! Orem, amem e cuidem dos seus pastores.

Pastores precisam ser PASTOREADOS!


Ricardo Pereira


segunda-feira, 27 de novembro de 2017

NÃO 'apenas' ame, SE



Se o seu amor não tiver raízes profundas no AMOR DE DEUS;
Se o seu amor não estiver pronto a dizer VERDADES DURAS;
Se o seu amor não estiver disposto a ser DISCIPLINADOR;
Se o seu amor não estive disponível para COMBATER O PECADO;
Se o seu amor não for capaz de CARREGAR AS CARGAS ALHEIAS, como suas;
Se o seu amor não conhece o significado de COMPAIXÃO;
Se o seu amor não for irmão gêmeo da MISERICÓRDIA;
Se o seu amor não não for o melhor amigo da GRAÇA;
Se o seu amor não for embaixador da PAZ;
Se o seu amor não promover em DEUS a ALEGRIA;
Se o seu amor não tiver fundamento nos PRECEITOS BÍBLICOS;
Se o seu amor não o fizer pronto a PROCLAMAR de Deus, O AMOR;
Se o seu amor não ODEIA tudo o que DEUS ODEIA...
Se o seu amor não SOFRE COM O PECADO do outro;
Se o seu amor não deseja TRANSFORMAÇÃO de vida;
Se o seu amor NEGOCIA PRINCÍPIOS;
Se o seu amor for um sentimento meramente PERMISSIVO;

Amor só o é, de fato, se lhe fizer capaz de amar o outro como imagem e semelhança de Deus. Quando vir o objeto do amor assim, jamais quererá que essa “imagem de Deus” no seu próximo, seja manchada por quaisquer coisas que ofendam a santidade d’Aquele que o fez amar.

Que Deus nos conduza ao amor que não é um mero abrir a boca e dizer palavras bonitas, mas é resultado de uma alma rasgada e transformada pelo Amor incondicional que se permitiu dilacerar na cruz e ressurgiu glorioso, por amor.

Que o DEUS do amor nos ensine a de fato AMAR!


Ricardo Pereira
buscando amar!

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Sobre culpas, mazelas e recomeços... Uma carta para você

Gostaria de escrever mais uma das minhas ‘cartas’. Dessa vez meu destinatário é você. Sim, você mesmo que está lendo agora. Nem sei se é homem, mulher, negro, branco, índio, europeu, gay, bi, hétero, de direita, de esquerda, qual seu time, sua comida preferida, enfim, não sei nada sobre você, nem preciso saber. Mas quero falar um pouco com você. Pode “me” ler por alguns minutos? Vamos lá?


Oi,

Como andam as coisas? Complicadas ainda? Ainda há feridas a serem cicatrizadas? Ainda há dores machucando a alma? Ainda há dedos em riste? Talvez você pense que venho lhe dizer uma porção de palavras lindas, lhe indicar versículos de “vitória” ou alguma palavra de autoajuda, ou “promeça” – assim mesmo – de que sua vitória vai ter sabor de mel. Sinto muito, mas lhe desapontarei. Não venho lhe dizer coisas bonitinhas. Por amor, preciso fazer isso.

Bem, deixa eu ser bem sincero: Algumas dessas dores, lamentos e tristezas que tem vivido, são culpa sua. Você sabe que são; e se sou seu amigo, preciso dizer isso assim, na lata, sem meias palavras, sem um falso amor que esconde verdade duras. Você tem muita culpa nisso tudo! Então, na boa! Pare de culpar os outros, pare de arranjar desculpas, assuma suas culpas, levante e mude os caminhos, refaça a história e seja aquilo que de fato é pra ser. Pare de lançar nos lombos dos outros as cargas que são suas.

Sei que vai lembrar de tudo que tem vivido, das decepções, das tristezas, enfim, de tudo que os outros lhe fizeram e fazem e que lhe causa tanta dor. Mas hoje queria lhe chamar atenção para o que suas escolhas têm feito, sobre o que você tem vivido como decisão sua e não dos outros.

Nós temos a mania de sempre arranjar culpados. Outro dia, estava lendo minha Bíblia, e vi um texto do profeta Jeremias, no Livro das Lamentações. Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados”.

O povo de Deus estava sendo escravizado, sofrendo nas mãos dos inimigos e Jeremias os convida a se queixarem deles mesmos. Era hora de refletir sobre suas próprias ações contra Deus. Se eles queriam recomeçar precisavam aprender sobre culpas como causadoras das suas dores.

Você quer mesmo recomeçar? Então o primeiro passo é o do RECONHECIMENTO de suas culpas, mazelas, incapacidades. Não um reconhecimento para remorso ou para acomodação do tipo ‘Gabriela -  eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim -, mas um ato de total desprezo aquilo que tem se tornado em virtude do pecado que escolheu viver diariamente. Quer mesmo fazer queixas? Queixe-se então do enorme crime de não buscar viver para Deus, de ter feito de si mesmo um deus de egoísmo, de ambição, de maldade e de uma porção de pecados eivados em sua alma, e que a cada dia lhe tornaram mais odiável perante o Deus Santo.

Cara, você está sendo duro e demasiadamente cruel. Você poderia me dizer. Foi exatamente isso que senti quando ‘Jeremias’ me mandou parar de eleger culpados para as culpas que são minhas. Eu tive raiva do profeta, afinal de contas, quem era ele para me mandar queixar-me de mim mesmo? Mas lembrei que ele foi apenas ‘boca de Deus’ e que, a fala dura da Escritura, era na verdade a transformadora voz do Deus que me ama dizendo: Ei, pare e venha! Achegue-se a mim!

Sabe, nos últimos anos eu vivi a terrível realidade de arranjar culpados para minhas dores, para minhas lutas, para ‘covas’ que eu mesmo havia cavado e nas quais agora sucumbia. Mas na verdade, o grande culpado era eu mesmo. Eu havia me distanciado de Deus, magoado pessoas, havia entristecido o Espírito, eu errara o caminho e buscava em outros pecadores como eu, as culpas que eram minhas. De verdade, talvez você esteja fazendo o mesmo, por isso, digo cheio de amor: Quer recomeçar? Queixe-se de si mesmo! O exercício é fantástico.

Quando continuei ouvindo a voz de Deus na Escritura percebi que era preciso avaliar o que sou, medir a mim mesmo, e não aos outros “Esquadrinhemos os nossos caminhos, provemo-los e voltemos para o SENHOR”. Se eu quisesse realmente reencontrar a felicidade, precisaria me voltar para o Senhor Deus. Não como um pedinte de coisas, mas como um pecador desgraçado, arrependido e convicto de que não merecia nada de d’Ele. Era hora de derramar minha alma ante o trono da graça e clamar pelos cuidados do Deus do recomeço. Era momento de como o ladrão na cruz pedir para que Ele se lembrasse de mim. Precisava como o moço da parábola, sair do meio dos porcos e clamar por migalhas vindas do Pai.

Por isso lhe digo com toda convicção do meu coração. Ainda que você esteja com a alma abatida cruelmente, com o coração eivado de dores, angústias, culpas, e medos, invoque ao Senhor! Adore ao Senhor! Clame ao Senhor!


Com o coração tomado de fé e alma rasgada em arrependimento, lance sua vida diante d’Ele. Tenha certeza que Ele sairá em seu socorro. Não para lhe atender caprichos ou para lhe promover vinganças egocêntricas, mas para tratar intimamente das suas mazelas, daquilo que lhe apodrece a alma e lhe torna odiável perante Ele.

Nesse dia você poderá dizer que: “Da mais profunda cova, SENHOR, invoquei o teu nome”. E ainda mais: “De mim te aproximaste no dia em que te invoquei; disseste: Não temas.  Pleiteaste, Senhor, a causa da minha alma, remiste a minha vida”.

Olha, nós dois somos pecadores miseráveis. Não importa quais os meus e os seus, eles são pecados horríveis e nos afastam de Deus. Mas Ele é rico em bondade e misericórdia e pela obra de Cristo Jesus, na cruz do calvário Ele nos faz trilhar um novo e vivo caminho, um caminho de recomeço, de vida e alegria. Não de modo transitório, mas um caminho de eternidade.

Então, não sei quais suas culpas, suas dores e mazelas, mas de uma coisa eu sei. Ele e somente Ele pode lhe conduzir...
Que sua oração seja: Converte-nos a ti, SENHOR, e seremos convertidos!

Deus lhe cuide!
Um grande abraço!

Caco Pereira


Ps.: Leia Lamentações de Jeremias Capítulo 3

terça-feira, 25 de julho de 2017

CONVERSA DE MISERÁVEIS: É POSSÍVEL REFAZER CAMINHOS



Leia por favor 2Samuel 12 e o Salmo 51

Você já cometeu falhas enormes? Na caminhada da vida e da fé errou o caminho? Perdeu o rumo? Ficou sem norte e pediu a morte? Já agiu de um modo intensamente contrário aquilo que era comum em sua vida? Despedaçou o próprio coração e o dos outros em virtude de decisões e posturas incoerentes com seu caráter e crenças?

Se já passou ou está passando por isso, sente aí, acomode-se e vamos conversar, vamos bater um papo de miseráveis, um papo entre pessoas que contrariaram o próprio senso de justiça, de santidade e bondade.
                                                                                       
Vamos falar sobre esse sentimento horrível de culpa, de dor. Tratemos dessa angústia miserável que assola o coração e nos faz sentir as piores pessoas do mundo, os mais condenáveis dos pecadores, os mais indignos de qualquer bem. Venha, vamos conversar sobre a luta intensa entre o que somos e o que deveríamos ser.

Mas deixa eu dizer que não estamos apenas nós dois, tem um cara que esteve na mesma situação que nós. Quem é ele? Vou deixar que ele se apresente.  Venha amigo, fique a vontade:

Olá, eu sou alguém que foi chamado de “homem segundo o coração de Deus”. O maior rei que Israel já viu. Sempre fui tido por justo, decente, misericordioso e compassivo. Compus lindos salmos, cantei para o rei que me antecedeu, lutei contra os inimigos do povo de Deus e venci. Sempre fui considerado um bom homem e misericordioso, inclusive com os que tramaram o mal contra mim.

Porém fui um péssimo pai, injusto em meus julgamentos, covarde na aplicação da disciplina justa. Mas o ápice do meu pecado, a “coração” da devassidão foi quando desejei e tive para mim a mulher de outro homem. Ela era linda, eu a quis e a tive. Ela engravidou e eu precisava que o marido assumisse o filho, então tentei armar de todo jeito para que eles tivessem relações, mas isso não aconteceu, então tramei a morte dele. Sim, eu um homem de Deus, um homem segundo o coração de Deus, o ungido do Senhor! Eu fiz tudo isso! 

O que concluí ? Sou um grande pecador, um miserável e injusto homem. Não há em mim nada que possa ser reputado por bom! Sou um homem completamente desprovido de qualquer virtude. Deus sempre será considerado puro no falar e completamente justo no julgamento a meu respeito. Concluí que mereço a condenação. Mereço a morte! Eu, Davi, o grande rei de Israel não passo de um miserável pecador!

Mas esperem um pouco. Quando concluí o que sou e o que mereço, prostrei-me ante os pés do Grande e Poderoso Deus, coloquei-me em total humilhação, contrito, quebrantado, moído, confrontado pela verdade da Palavra de Deus e clamei pelo perdão, clamei por ter de volta a alegria de pertencer Àquele do qual jamais me perdi. Busquei no mais íntimo de minha alma as forças para clamar pelo perdão. E o Senhor ouviu meu clamor, perdoou-me e me fez perceber que é possível refazer caminhos, reaprender a adorar e que não há culpa que não seja perdoada pelo Deus de misericórdia.

Sofri as consequências dos meus atos. Deus executou seu juízo contra mim sim, mas agiu com misericórdia, poupou-me e reabilitou-me a servi-lo com integridade e pureza de coração.

Queridos, a história de Davi não é uma licença para o pecado. É na verdade uma enorme exortação a uma vida santa. Em Davi somos levados a perceber que os pecados embora perdoados, deixam marcas e consequências que trazem dor e sofrimentos para nós e para quem amamos.

Mas essa história também nos faz ver que por mais que tenhamos nos tornado odiáveis, cruéis e terríveis em escolhas pelo pecado, Deus o nosso Deus é Senhor da misericórdia que Ele pode nos devolver a alegria da salvação. Ele perdoa e reabilita todos aqueles que de fato lhe são filhos.

Não temos licença para pecar, mas temos a convicção absoluta de que apesar de nossa pecaminosidade, de nossa luta constante contra o pecado que em nós habita, apesar de nossa natureza pecaminosa, o Senhor Deus age de modo a nos preservar e nos apresentar diante d´Ele mesmo, purificados, imaculados e prontos para a mesa da eternidade.

Sim meu amigo, você que já cometeu falhas enormes, que na caminhada da vida e da fé errou o caminho, perdeu o rumo, ficou sem norte e pediu a morte... Você mesmo, deixe lhe dizer uma coisa: apresente-se diante de Deus com um coração contrito e quebrantado. Rasgue sua alma diante do Rei da misericórdia, clame-o e ele endireitará seu caminho. Humilhe-se e ele o exaltará.

Tenha em mente que somos todos igualmente pecadores miseráveis, merecedores do inferno. Não há em nós bondade alguma. Não há virtude, não há boa obra, não há justiça. Somos todos igualmente condenáveis. Apenas Cristo é homem perfeito, apenas Ele é aceitável no trono do Pai. Mas ao morrer na Cruz do Calvário, ao rasgar o santo dos santos, Ele nos deu acesso livre, direto e incontestável ao Trono da Graça.

Fiados em Seus méritos, entremos na presença do Senhor e clamemos por sua misericórdia. Ele nos ouvirá e restaurará nossos corações, endireitará nossos caminhos e como Pastor que é, guiar-nos-á pelos caminhos da justiça. Ele consertará nossos caminhos e nos ensinará a reconstruir. O Deus que restaurou a sorte de Davi, de Salomão, de Adão, de Abraão, de Pedro, de Paulo e de tantos outros é o mesmo Senhor hoje e não há nada tão vil, tão sórdido, tão pecaminoso, tão imundo que Ele não possa purificar.  "Venham, vamos refletir juntos", diz o Senhor. "Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão” (Isaias 1.18 NVI)

Pois é meu amigo, a história de Davi não é nenhum pouco diferente da nossa. E o melhor, o Deus de Davi é o nosso Deus!

O Deus de Davi nos ensinará sobre o perdão. Nos mostrará que perdoar é habilitar para o recomeço! Sua bondade nos fará sentir que ainda que todos nos acusem e queiram nos "apedrejar" como aconteceu com a mulher adúltera (João 8) ou que nós mesmos nos julguemos miseráveis pecadores, o que realmente somos, Ele ainda assim olhará para nós e enxergará o mérito do Cristo que morreu na cruz em nosso lugar, sofreu as dores que eram nossas para nos dar o céu que é d´Ele. Ele nos perdoará e nos reabilitará ao recomeço. Ele é Deus que reconstrói!

Que o Senhor dos miseráveis cuide de nós e nos ensine a refazer caminhos!




Caco Pereira

quinta-feira, 13 de abril de 2017

PÁSCOA DE HOJE, A EVIDÊNCIA DE UM CRISTIANISMO CAPENGA







Escrevi esse texto em 2012. Infelizmente a realidade de nossos dias, em nada difere aos que já se passaram. A "festa da libertação" continua sendo, juntamente com o natal, uma forte declaração de que vivemos um verdadeiro aprisionamento religioso e ritualístico.  Estamos mais preocupados com formas, pompas, brilhos... Temos esquecido a essência. Vamos refletir um pouco?

Ter espírito fraterno, brando e sensível hoje é muito fácil. Ir a missas, procissões, cultos ou outras diversas programações alusivas ao período pascal é “moleza”. Fazer jejuns disso ou daquilo é a praxe da época. Postar fotos meigas ou com retratos dolorosos da morte de Cristo também é muito fácil. Dar e receber ovos de chocolate é bom demais. Mas isso apenas revela superficialidade de um cristianismo capenga, meramente ritual e bastante irrelevante.

Comemorar a morte e ressurreição de Cristo num dia e no outro viver desgraçadamente nos torna hipócritas sem Deus, sem rumo e sem fé! E sejamos bem sinceros, um cristianismo que sobrevive de duas festas anuais que na verdade, há muito foram transformadas em COMÉRCIO, não é nem de perto o que o Senhor recomendou aos seus discípulos no “Sermão do Monte” (Mateus 5 – 7).

Não tenho nada contra ovos de chocolate (podem presentear-me). Mas a cada ano sinto-me mais triste com a postura distante de Deus que temos tomado. Entristeço-me ao ver que pessoas que se dizem cristãs insistam em dar “a cruz ao coelho”, tirando dela o Cordeiro! 

  A Igreja que se diz de Cristo há muito esqueceu que não é um coelho mutante (que põe ovos) o símbolo da Páscoa. A Libertação real tem pão e vinho como símbolos. Mas não um mero pão feito de trigo, um pão Vivo que desceu do céu. O vinho não é o da videira perecível, mas o da Videira Verdadeira (João 15). O sangue perfeito que correu nas veias do Homem Perfeito (João 6.22-40) foi derramado por causa de pecadores miseráveis que nada merecemos.

Se querem tanto um “animal” para a páscoa, tirem os olhos do coelho e olhem fixamente para o Cordeiro Santo de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29)! O Cordeiro é o verdadeiro símbolo da Páscoa! Ele sim trouxe nova vida, libertação e paz. Essa páscoa não está à venda nas prateleiras dos supermercados, nas conveniências ou nos shoppings center da vida. Essa Páscoa não é comercial e não acaba no domingo da Ressurreição.

Infelizmente os cristãos ainda querem ficar presos a costumes antigos ou se pegar novas “ondas” do Comércio, mas não são capazes de como livres, viver a Páscoa do Cordeiro que esteve morto e agora ESTÁ VIVO.


Para nossa tristeza, o cristianismo tem sido irrelevante porque a morte e ressurreição de Cristo não tem mudado a vida de muitos que se dizem "do Caminho". Não há mais amor, amizade, respeito, alegria fé. NÃO EXISTE ADORAÇÃO AO CORDEIRO! O que existe é um povo ensimesmado, egoísta, existencialista, antropocêntrico e completamente alheio a Deus. Onde está esse povo? Vai no culto domingo a noite ou na missa. O povo está lá, cantando, chorando e dizendo glória a Deus que ressuscitou o filho. Mas da segunda feira em diante, esse mesmo povo passará o resto do ano "gritando: CRUCIFICA-O". Um povo que se diz livre, mas vive como escravo. Uma gente que grita aleluia, hosana ao que vem em nome do Senhor, mas que não ama ao próximo, que pisa no seu semelhante e depois "paga o dízimo" ou faz um jejum para "amenizar a ira de Deus". Pessoas que se dizem libertas, mas que nunca conheceram a liberdade.

A liberdade cristã exige mais do que um período de contrição, jejuns, cultos, missas, ritos. A páscoa do Cristianismo só existe porque o Cordeiro nos libertou e por isso, somos verdadeiramente livres. Livres da acusação e condenação eternas (João 8.32). Livres para viver uma NOVA VIDA COMO, NOVAS CRIATURAS (2 Coríntios 5.17). E ser nova criatura não resume-se a poucos dias, mas a uma vida inteira. A liberdade do cristianismo não está pautada em jejuns, festas, ritos, presentes, ovos de chocolate. Está firmada exclusivamente na Páscoa outorgada pelo Cordeiro que esteve morto e reviveu e com seu sangue comprou para si, gente que procede de toda língua, tribo,  povo e nação (Apocalipse 5.9).

E esse Cordeiro não quer menos do que sua vida inteira dedicada a Ele. Cristo não se contenta com seus feriados, com seu dízimo, com jejuns, missas, cultos, procissões. Aliás, muito disso ele NÃO QUER. Paulo entendeu bem a vontade de Cristo e pediu: "Rogo-vos irmãos que apresenteis OS VOSSOS CORPOS (a totalidade de sua vida) como sacrifício VIVO, SANTO E AGRADÁVEL A DEUS, que o culto racional de vocês". Jesus quer que nossa vida, nossas amizades, nossa alegria mais intensa, nosso prazer mais real, nosso amor mais sincero, nossas relações mais dignas sejam dedicadas a Ele como CULTO. Isso é muito mais que um ritual ou uma festa anual.

Páscoa de poucos dias é lixo, é comércio, é tradição capenga! Festa que não nos transforma em pessoas diferentes a cada dia, que não muda nossa existência é só um feriado com uma “dietinha” no meio. Dietinha quebrada por deliciosos chocolates. Páscoa real nos amolda ao caráter do Cordeiro.

Que Deus nos abençoe e nos faça viver diariamente sob a intensa convicção de que Cristo se entregou por nós, esteve morto e reviveu! E com essa certeza em mente, sejamos CRISTÃOS DE ATO, PORQUE O MUNDO ESTÁ CANSADO DE CRISTÃOS BARATOS.

Um grande braço!

Ricardo Pereira





Foto de: http://coacia.educacaoadventista.org.br