quarta-feira, 17 de julho de 2019

O aplicativo do 'envelhecimento', os medos e o futuro que realmente importa



Esses dias as redes sociais ficaram cheias de ‘velhinhos’. Um aplicativo deu a oportunidade de as pessoas vislumbrarem como ‘serão’ na velhice. Penso que nenhuma outra modinha causou tanto ‘alvoroço’ nas redes como esse.

Um amigo até me mandou uma versão minha, mais envelhecido. Eu ri e dei pouca importância. O futuro que me importa não é transitório, não é baseado em anseios, dúvidas, incertezas e medos ‘desta era’. O tempo pelo qual meu coração se enche de alegria é o do ‘dia da incorruptibilidade’, o ‘da morte sendo tragada pela vitória do Cordeiro’.  O futuro que me deleita a alma é certo; está consumado na eternidade de Deus. O anseio da minha alma é o Grande Dia do Cordeiro! (Leia 1Coríntios 15).

Dizer isto, crer nisto, não me impede de pensar no tempo presente e nos anos vindouros, ao contrário, crer em Cristo e ter n’Ele a convicção de eternidade me faz olhar para o amanhã, para o daqui há pouco, para os anos à frente numa perspectiva suave e confiante, apesar das dores e incertezas desta vida. Crer na eternidade com Cristo me faz saber que mesmo que venham dores, tristezas, lutas, medos, eu estarei bem.

Sei que um dia o vigor já não será, sei que as forças se esvairão, que os braços já não terão poder, as pernas não se susterão, os olhos não mais verão com precisão. Sei que não mais ouvirei com clareza, que o pensar pode não ser tão sóbrio, enfim, sei que por aqui as coisas podem não ser tão deleitosas. Mas tenho paz por acima de tudo, saber que no final tudo irá bem.  (Leia Eclesiastes 12). Na verdade, tenho paz pela firme convicção de que o final é o começo!

Mas prefiro pensar que a cada dia basta o seu mal e que posso ter prazer nos ‘bens’ que o Senhor me tem concedido. Por isso quero poder olhar meus meninos, minha menina e minha namorada/esposa com um olhar grato pela ação graciosa do Senhor que me concede o prazer de n’Ele descansar, esperar e confiar.

Prefiro viver o compromisso de acordar grato a cada dia e viver com o coração repleto de felicidade pelo amor indizível do Deus que me solapou da morte para o Reino de seu amor infinito.

Pensar assim faz com que o envelhecer não me cause medos, que as incertezas não me atemorizem a alma. Pensar deste modo, faz o coração deleitar-se no Senhor em cujas mãos entreguei humilde e confiadamente minha existência, depois de ter a mente aberta pelo Espírito que é Deus. Faço minhas primeiras perguntas: Quem sustenta sua vida? Quem é seu direcionador? Onde estão seu coração e confiança?(Leia Salmo 37).

Quero envelhecer vivenciando o amor do Senhor. Amor que a mim se revelou na juventude e do qual não me esqueço; e ainda que nalguns momentos tente, jamais conseguirei me ausentar de seus braços. Graças a Ele, somente a Ele, não me perco. Quero envelhecer lembrando que só O amo porque Ele me amou primeiro!

Quero envelhecer sendo amor! Que eu não queira esperar que os outros me amem como resposta ao meu amor! Amar é uma decisão que mantém meu espírito jovem, forte e cheio de vida! Por isso, que eu seja amor, ainda que os outros sejam desprezo e ódio! Que eu seja amor, mas amor nos moldes do Amor que se deu na cruz! Amor que não se perde em meio ao triste desamor desta vida pecaminosa.

Desejo imensamente viver a cada dia o amor dos meus amores de Casa, das ovelhas que o Senhor puser aos meus cuidados, dos amigos que no tempo o Senhor do tempo me fizer amar.

Que minha velhice, com a cara enrugada pelas dores da vida, marcada pelo aprendizado da lida, carregue consigo a sabedoria resultante de uma relação de intimidade com o Criador, do qual não quero esquecer e do aprendizado das lições do que vivi, sofri e observei. Que ela traga consigo a paz da comunhão, a gratidão pelas bênçãos e a convicta esperança de que mais perto estarei do Grande Dia!

Que no final dos meus dias eu olhe pra trás e continue enxergando a boa mão que me tem guiado, apesar de mim. E ao olhar para o futuro eu possa caminhar, ainda que lentamente rumo à cidade cujo Arquiteto e Fundador é Deus (Leia Hebreus 11).

Que eu possa olhar e em paz lembrar que jamais preguei para agradar  a outra pessoa que não, o Senhor Deus de toda minha vida! Que eu me alegre agora e no futuro pelo imenso privilégio de ser Boca de Deus.

E se eu não envelhecer? Bem, terei ido para Casa e estarei sorrindo cheio de gratidão.

Por fim, minhas últimas perguntas: E você, o que espera da sua velhice? Como está seu presente? Como olha para o futuro?

Que Deus lhe conceda a alegria de amá-lO agora e não temer o futuro!




Pr. Ricardo Jorge Pereira





domingo, 14 de julho de 2019

Inquietações e desejos de um coração de pastor




Há algum tempo tenho estado preocupado com o que vejo acontecendo em nossas igrejas. Nem falo das sandices neopentecostais ou dos libertinos, nem dos modismos da música gospel. Isso tudo me preocupa, entristece e muitas vezes enfurece o coração. Mas o que tem tirado meu sono, me deixado meio “sem rumo” é a postura ou a falta de postura de alguns ditos reformados.

Preocupa-me que aqueles que se postam como detentores da melhor doutrina, como os melhores exegetas, os grandes pregadores expositivos, enfim, a “nata” da teologia brasileira, tenham uma postura de tanta letargia, inoperância e de não relevância.  Preocupa-me terrivelmente a enorme falta de relevância presente na Igreja hodierna.

Surgem questionamentos que aterrorizam a alma e me fazem pensar acerca do meu exercício ministerial. Como temos contribuído para a mudança desse país? Que igreja é essa que permanece letárgica, estática, inerte? Que respostas são dadas aos questionamentos de um povo que vive da fé, mas como diz a canção “só não se sabe de fé em que”. Quando a igreja dará lugar a Igreja?

Dá vergonha de perceber que aqueles que “podiam mudar o mundo” estão mais preocupados com cargos, honras, posições, fama, seguidores, compartilhamentos e aplausos. Como posso ser pastor, servo do Senhor e comungar com estruturas, escolhas e posturas totalmente contrárias ao caráter do Deus a quem servimos?

O cenário é terrível! Dói ver pastores que a si mesmo se apascentam, homens vis que espalham suas sujidades fazendo sofrer o povo de Deus (Leia Judas). É avassalador ao coração de qualquer servo de Deus ver famílias inteiras sendo espezinhadas por figuras arrogantes e interesseiras que usam a Igreja para satisfazer suas ambições pessoais. 

Causa espanto perceber que tantos indivíduos que se travestem de pastores são lobos gananciosos que só querem ser pesados à Igreja, que amam os primeiros lugares, que se esbaldam em títulos, cargos e poder! Ladrões! Roubam sonhos, esperanças e alegrias de servos fiéis ao Senhor. Isso é muito maior do que roubar dinheiro.

Quero ser pastor no sentido mais nobre disso. Não busco aplausos, honras, não aspiro poder, desejo apenas ser amigo, direcionador, disciplinador, companheiro, servo, líder, pai, presente, constante. Quero poder chegar em minha casa no final do dia e ter no peito a prazerosa sensação de estar indo bem na caminhada, que estou sendo um pastor direcionado por Deus. Desejo chegar ao fim dos meus dias e assim como Paulo dizer que combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé.

Mas como ser um pastor relevante? Como posso ser combativo com erro, imbatível com os falsos profetas, inimigo do que Cristo é, e ao mesmo tempo ser pastor, amigo, protetor do rebanho? Como responder aos anseios de um povo que nem percebe que não precisa de descarrego, 'reteté', mistérios, mantras, nem mesmo de um denominacionalismo tolo e sem vida, mas apenas da graça e da misericórdia de Deus?

Estou certo que a sociedade não carece de meros “fazedores de teologia”. O mundo precisa de teólogos na prática. As pessoas carecem de uma ação pastoral da Igreja que não lhes aponta o dedão acusador, mas que lhes estenda uma mão acolhedora, trate suas feridas, lhes alimente com a verdade; um povo que se disponha a ouvir pacientemente e responder os questionamentos, ser instrumento de Deus para sua real transformação de alma e comissionamento como parte da Igreja do Senhor!

Nalguns momentos na caminhada pastoral sou tomando por uma triste sensação de que “estou lutando sozinho”. Mas ela logo é aliviada pelas palavras do Senhor a Jeremias (Jr 1.8) e pela convicção de que o Senhor Deus comissionou homens sérios, comprometidos com a Santa Verdade; servos fiéis que têm lutado incansavelmente na busca por uma Igreja cristocêntrica, firme, reformada e contextualizada.

Meu mais sincero desejo é viver o ministério como um desses homens. É anunciar com verdade e piedade o Desígnio de Deus. É ser instrumento d’Ele, proclamando e promovendo Sua Glória por meio da minha vida e ministério.

Que Deus, o Supremo Pastor use a mim e aos muitos outros servos que Ele comissionou para Sua boa obra! Que a Igreja, a bela Noiva do Cordeiro seja evidenciada em cada comunidade que faz parte da Igreja. Igreja esta que mesmo em meio a tanta infidelidade permanece fiel, noiva, desejosa pela vinda do Noivo!

  
Pr. Ricardo Jorge Pereira






segunda-feira, 11 de março de 2019

Guardar a feira, um ato de adoração ao Senhor


Por favor leia Mateus 6:25-34



Ao longo da vida Deus tem me feito viver o que chamo de ‘dias didáticos’, dias que Ele usa para promover em minha alma diversos aprendizados e saberes que, Ele mesmo usa para forjar em mim o cristão que almejo ser. Não tenho dúvidas que isso faz parte do processo de santificação, faz parte da corrida para o premio da soberana vocação em Cristo, conforme Filipenses 3.13,14.

Um dos aprendizados fundamentais em minha vida foi o de passar a reconhecer a boa mão do Senhor Deus, me sustentando em todas as coisas, suprindo todas as minhas necessidades. Isso de modo algum significa atender aos meus quereres, ao contrário, Ele me levou cativo à sua vontade, me fez mais submisso ao Seu querer, mais dependente do Seu agir e mais grato por Seu amor e cuidado.

Hoje quero falar da gratidão, mas em especial, gratidão pela provisão do pão de cada dia, do sustento físico mesmo, de alimento. Gostaria de falar sobre como guardar e feira deve ser um exercício de adoração ao Senhor.

A Bíblia nos ensina que tudo o que temos vem Senhor, que Ele nos sustenta em tudo, que até nosso alimento é resultado da providência do Pai. Mas muitas vezes nós não paramos para perceber isso, para reconhecer esse cuidado, sustento e provisão da parte do Pai (Leia Mateus 6:25- 34)..

Parar e contemplar a boa mão do Senhor nos sustentando, nos alimentando, cuidando das coisas mais simples nos levará a uma adoração sincera e contemplativa. Isso de fato, é render louvor, honra e adoração ao Senhor que nos sustenta.

Sempre que eu e Thaisa vamos ao mercado fazer as compras gosto de chegar em casa e guardar o que compramos, e faço isso com o coração repleto de alegria, com uma satisfação indizível e com uma gratidão imensurável ao Senhor, pois reconheço que ELE nos sustenta. Ele cuida de nós de um modo maravilhoso e inexplicável.

Cada quilo de feijão, de arroz, cada porção de carne, cada pacote de macarrão, enfim, cada um daqueles produtos representa, não o nosso trabalho, mas a bênção do Deus que de nós cuidou através do trabalho e dos talentos que Ele nos deu.

Porque o Senhor é bom, misericordioso, provedor, justo e compassivo, posso viver em paz, tendo muito, pouco, ou quase nada, mas jamais deixando de tê-lO comigo e com minha família em todo tempo (Leia o Salmo 23).

Porque o Senhor é bom, posso adorar enquanto guardo a feira. Hoje sei que noutros tempos nos quais faltaram amigos, alegrias, prazeres, abraços e até o pão, o Senhor que é meu Pastor, sempre esteve comigo e nunca me faltou. Pois “O Senhor é meu Pastor, e ELE em nada me faltará” Salmo 23 e “Ainda que me abandonem pai e mãe, o Senhor me acolherá”, Salmo 27.10

Hoje guardamos a feira e podemos dizer: Glória a Deus que de nós tem cuidado!




Pr. Ricardo Pereira









segunda-feira, 4 de março de 2019

O Sol está lá. Ele não se foi!




Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. 

Hebreus 12:2


Talvez você viva uma época em que as coisas não estão bem, num tempo de desânimo, sem muitas alegrias e não valorizando aquilo que lhe pode fazer sorrir. Talvez seu coração passe por diversas tribulações e elas soterrem sua alma em dores, tristezas, incertezas, lamentos e angústias.

É exatamente para pessoas como você que eu desejo falar nesse momento. Eu sei o que é viver assim, sei como é sentir as forças se esvaindo, sem nada poder fazer. Sei o que é perder a confiança em mim mesmo, no próximo e até em Deus. Sei como é não ter comunhão com Deus e viver as mais cruéis dores resultantes do afastamento do Senhor e de seus caminhos. Eu vivi isso, sofri, chorei, lamentei, caí em um 'vale' de profunda dor, lamento e escuridão da alma. 

Mas Ele, o Senhor se mostrou Deus Restaurador, Deus amor. Ele me fez enxergar o sol. Por isso posso dizer-lhe com o coração repleto de esperança de que as coisas hão de melhorar: O SOL ESTÁ LÁ. ELE NÃO SE FOI!

Sabe, no período em que as dores eram maiores que tudo, vi essa imagem que está na postagem, era o sol escondido entre as nuvens, escondido, mas ainda sol, escondido, mas ainda com luz e luz capaz de iluminar uma bela tarde. Disse ao meu filho: fotografa isso, fotografa! Eu quero essa foto! E Deus sabe como naquele momento me emocionei, mesmo que não houvesse lágrimas, mesmo que não houvesse entusiasmo, houve esperança e paz! 


Assim como houve em mim, espero que haja em você, paz apesar da dor, luz apesar da escuridão, alegria, apesar da tristeza. Desejo que seu coração seja cheio dessa paz pelo simples fato de que o Sol brilha apesar das nuvens escuras. A tristeza, a escuridão e a dor são transitórias, mas o Sol é permanente; o Sol é eterno!

É assim na minha e na sua vida. Por diversas vezes precisamos seguir em frente, mesmo que as “nuvens” comecem a escurecer, mesmo que tempestades venham, que avalanches soterrem tudo pela frente, mesmo assim, precisamos crer que o “sol” ainda há de brilhar. É urgente que olhemos além das nuvens, que mantenhamos nosso foco no Autor e Consumador de nossa Fé.


Se formos capazes de olhar para além das nuvens seremos alcançados pela sublime convicção de que há esperança mesmo que o desespero pareça irremediável. Se mantivermos em nosso peito a certeza plena de que depois de plantarmos em meios as lágrimas, voltaremos felizes colhendo o fruto... 

Ah! Queridos, se essas convicções encherem nossa alma, seremos capazes de enxergar o Sol, de crer na misericórdia e de viver na imensa esperança de dias melhores. E isso será combustível que nos manterá caminhando, sendo capazes de manter os olhos além do horizonte...


Hoje, o ‘Sol’ brilha intensamente em meu viver, as densas nuvens foram dissipadas, e a alegria de uma ‘bela manhã’ é presente. Não por mim ou por minha virtude, mas pelo Sol da Justiça. Somente pelo Sol! Com você também pode ser assim, olhe um pouco mais, perceba a luz, sinta um pouco do 'calor' de um Sol que nunca para de brilhar, deleite-se na certeza de que Ele virá ao seu encontro e a seu favor sempre! Creia mesmo quando não parecer crível, tenha esperança em meio ao desespero e alegria em meio a dor! 


Creia que O SOL ESTÁ LÁ. ELE NÃO SE FOI!




Pr. Ricardo Pereira


sábado, 19 de janeiro de 2019

Ser pastor: Convicções e compromissos


 

Nos próximos dias completarei 12 anos de ordenação ao ministério pastoral.  Mais precisamente no dia 03 de fevereiro. Nesse período vivenciei muitas coisas, cometi erros, soltei o ‘arado’ por alguns instantes, sofri um bocado em consequência dos meus pecados, também em virtude dos meus posicionamentos e princípios, até pelo pecado e ou talvez por alguma perseguição de algozes, mas isso nem importa.


A experiência nesse curto tempo de ministério, o relacionamento com as pessoas, as alegrias, decepções, tristezas, os concílios, enfim, tudo que tenho vivido nos últimos anos têm forjado em minha mente alguns pensamentos, posicionamentos, decisões e firmes convicções que certamente marcarão o ‘compasso’ da minha vida ministerial agora e nos próximos anos, até que eu vá ou que Ele venha.


Escrevo esse texto como forma de afixar para mim mesmo, para minha família, para a Igreja do Senhor e acima de tudo para Deus, as minhas convicções e compromissos enquanto pastor da Igreja d’Ele.

Anteriormente escrevi algo bem parecido em um texto que chamei de “DELÍRIOS DE UM JOVEM PASTOR”. Embora muito do que lá está, esteja aqui também, a peça que hora escrevo é mais pastoral, mais mansa, mais recheada com a graça que envolve a minha alma e me enche de uma paz jamais experimentada.  

Nos últimos anos como já disse, vivenciei muitas coisas. O que não disse é que algumas delas foram terríveis, mas sinceramente, já não têm nenhum ‘poder’ sobre minha alma. Não mais me inquietam o coração, não me fazem chorar... Delas tirei a experiência, o aprendizado e a certeza de que apesar de tudo, de todos e principalmente de mim mesmo, O Senhor está comigo!

Nos ‘Delírios de um jovem pastor’, escrevi negações e afirmações sobre o que entendo ser um pastor. Aqui não falarei das negações. Quero apenas falar daquilo que afirmo ser biblicamente um ministro do Evangelho, os seus compromissos e convicções.

As palavras que passo a escrever representam a mais sincera e devota confissão e compromisso que quero que pautem a cada dia a minha caminhada como cristão e como pastor.

Leia e confira os textos bíblicos. Só creia se puder ser comprovado com a ‘voz do Pastor’.

O pastor é um pecador miserável, incapaz de crer sem a ação transformadora do Espírito Santo de Deus (Romanos 3.10, Efésios 2.1-10, etc). É um pecador que embora redimido, continua sendo imperfeito, frágil, miserável e carente da graça e bondade de Deus (Romanos 7);

É um ser humano normal (ou não), frágil, limitado, com vontades, preferências, algumas delas são iguais as suas, outras são completamente diferentes;.

É alguém que chora, sorri, ama, sente raiva, se magoa, tem carências, necessidades, medos, angustias... (Veja as cartas de Paulo e perceberá um pastor com todas as fragilidades de um ser humano qualquer);

O pastor é alguém que vive e deve viver a realidade presente, tendo o direito de gostar de coisas, práticas, costumes e ambientes que alguns podem não gostar. Isso é um direito de todos. A Escritura deverá ser o juiz para a vida dele, assim como para a sua;

Enquanto ministro de Deus, ele é um livre escravo do Senhor servindo à Sua Igreja, não por uma compensação material, mas pelo chamado de Deus. Dizer isso não nega o direito ao sustento por parte da Igreja, apenas esclarece que a motivação não é material (1Pedro 5.1-4, 1Coríntios 9.13,14, 1Timóteo 5.17,17);

O pastor é ‘boca de Deus’. Quando seu pastor prega a Bíblia fielmente, Deus está falando. E se você rejeita essa voz, não é o pastor que está sendo rejeitado, mas o PASTOR (Jeremias 1.4-10, veja as cartas Pastorais de Paulo);

O pastor é um defensor da verdade do Evangelho e enquanto ‘boca de Deus’, deve pregar todo desígnio de Deus, doa a quem doer (Atos 20, Romanos 7 e os profetas);

Afirmo com o coração repleto de paz, que o pastor é alguém que AMA, e só quem é pastor sabe do amor que falo. Amamos quando não somos amados, oramos quando não nos querem orando, choramos por quem nos fez chorar, sorrimos quando entristecidos (Galátas 4.19). E não queremos outra vida, outros sonhos, outro caminho. Somos pastores. Essa é nossa vocação. É o nosso dom!

Ser pastor é ser amigo (veja o amor de Paulo e sua amizade com o rebanho, veja o amor do Supremo Pastor).

Uma simples, firme e inegável convicção me faz desejar caminhar em paz vivenciando a cada dia o ministério para o qual ele me chamou. “Um dia o Deus que me conheceu antes da fundação do mundo, me consagrou para o ministério (Efésios 1, Jeremias 1.4-10). Ele me designou para cuidar do Seu rebanho, do seu povo, dos eleitos, sua Igreja, a Noiva do Cordeiro.

É fascinante saber que ao passo que sou pastor, sou ovelha, sou parte da Noiva que um dia se encontrará as portas da Cidade com o Supremo Pastor, o Cordeiro, o Leão da Tribo de Judá.

Por isso posso suave e tranquilamente afirmar alguns compromissos:

Não serei um animador de auditório que diz palavras bonitinhas para agradar uma gente que a cada dia se distancia mais de Deus;

Não dominarei o rebanho ou serei um inquisidor de uns para agradar a outros;

Não tratarei a Igreja como uma empresa ou como um circo;

Não vestirei a roupa de super-herói da Gospelândia, pondo-me como paladino da justiça e solucionador de todas as causas;

Jamais me postarei com essa ‘santarrice vil’ do meio evangélico;

Jamais negarei minha podridão moral, minha pecaminosidade; ao contrário, lutarei diariamente contra ela, buscando viver em santidade segundo Deus;

Em nenhum momento me porei como alguém perfeito, mas diariamente lutarei contra o que sou, buscando ser um cristão autêntico, um adorador, um marido e pai em quem minha família encontre fortaleza, paz, amor, direção e abrigo sempre;

Não serei movido pelo meu próprio ego ou pelos desejos de pessoas que embora estejam, não são Igreja.  Não quero isso pra mim. Não serei feliz assim!

Quero amar gente, cuidar de gente, buscar, pregar, brincar, abraçar, exortar.  Quero poder ir em busca das ovelhas do Senhor. Isso é o que me faz feliz.

Quero ser modelo, padrão, amigo, pai...

Quero ser alento, porto seguro, guia...

Quero ser voz profética ao pregar a viva profecia (Escritura)...

Quero ser parte na alegria dos que se alegram, mas também quero chorar com os que choram...

Por fim, quero ser aquilo que Deus me quis fazer (Jeremias 1.4-10).

Tenho uma Bíblia, uma vocação e uma convicção: Sou um ninguém chamado pra cuidar de outros 'ninguéns'!


Ricardo Pereira
Apenas um pastor!