terça-feira, 5 de maio de 2020

O ‘cristianismo de Cristo’ e o ‘cristianismo dos homens’



São 3h42 da manhã de 05 de maio. Estou aqui sentado à frente do notebook pensando o imenso antagonismo entre o ‘cristianismo de Cristo’ e o ‘cristianismo dos homens’. Você já pensou nisso?  Acredito que existem em vigor dois tipos de ‘cristianismo’. É exatamente sobre isso que quero lhe falar hoje.

Vamos atiçar a mente? Lembremos alguns relatos bíblicos, antes, permitam-me descrever de forma muito rápida o que é o ‘cristianismo dos homens’.

Ele se apresenta de duas formas principais.  Primeiro como um padrão ‘religioso’, meramente dogmático, extremamente normativo, inquiridor, inquisidor e via de regra sem compaixão. Eivado de legalismo, ata fardos pesados demais e exige um padrão comportamental conforme os ‘donos’ desse ‘cristianismo’ desejam.

Mas ele também pode se manifestar de modo inteiramente oposto a isso. Ainda que seja religioso, tenta parecer não ser e o faz mudando o ‘deus’. O ‘EU’, o sentir, a vontade humana, a experiência, a liberdade humana e o ego, determinam as escolhas, as posturas. Fé, normas, leis, tudo isso é relativo. O importante é viver e ser feliz, até porque ‘deus’ quer nossa felicidade, mesmo que para isso o ‘crente’ abra mão da única ‘NORMA’ que de fato importa; a Escritura.

O cristianismo dos homens pode até ter variações, mas elas se alinham geralmente a uma dessas tendências. E de forma simples: AS DUAS SÃO DIABÓLICAS!

‘Mas e o cristianismo de Cristo?’ Vamos à Escritura?

Com certeza você viu como Jesus tratou uma mulher que havia adulterado e pela lei deveria ser apedrejada. O mestre de modo simples e pastoral não a condenou, embora fosse o único ali que poderia fazê-lo. Ele a perdoou. Ele não jogou pedras, não xingou, não engrossou o coro dos condenadores de plantão. O Rei a perdoou. (Leia João 8.1-10)

E Zaqueu, o miserável judeu que cobrava impostos do seu próprio povo em favor dos romanos. Mais que isso, cobrava de modo criminoso. O publicano roubava seu povo. O que Jesus fez? Perdoou!  (Leia Lucas 19.1-10)

Mas tem o caso de uma mulher siro-fenícia. Os judeus odiavam esse povo, chamavam-nos de cães. E Jesus fala sobre isso com ela, mas simplesmente a contempla em sua fé, atende seu pedido. (Leia Marcos 7.24-29)

E Saulo, o que respirava ódio contra os cristãos. O perseguidor? Como Jesus agiu com ele? O transformou em um dos mais efetivos e importantes nomes da história da fé cristã. (Leia Atos 9.1-9)

Mas e os fariseus? Os doutores da lei? Os defensores da fé? Como Jesus tratou com eles? Exatamente como os demais. Ele os confrontou com a verdade e deixou claro que eram tão pecadores quanto os demais. Sim, eles eram como a adúltera e assim como ela, precisariam ir e não mais pecar, e como Zaqueu, precisavam dar sinais evidentes de que houve salvação, como Paulo eles precisavam saber quem era JESUS, como a mulher siro-fenícia, deveriam entender a bem-aventurança de pertencer ao Dono de tudo.

Em nenhum lugar da Escritura Jesus criou gradações de pecados, em nenhuma página do livro Santo Ele tratou com menos rigor qualquer pecado. Ele não ‘aloprou’ com prostitutas, cobradores de impostos, promíscuos, nem mesmo com quem estava sendo crucificado com Ele, ou com seus algozes. 

Jesus sentou com todos os  tipos de pecadores,  fossem eles quem fossem. A cada um a quem amou, apresentou-se como Senhor do perdão e mudou suas vidas. Não importa quem eram, não importa quais eram seus pecados, suas mazelas, suas dores. A única coisa importante era a misericórdia que Ele queria derramar sobre suas vidas.

No ‘cristianismo de Cristo’ não existem pecados e pecados; não existem méritos, virtudes, bondades, atenuantes ou agravantes. No ‘cristianismo de Cristo’ temos apenas pecadores totalmente imerecedores do amor e O Deus misericordioso que deu em amor, seu único filho para numa cruz maldita, se dá em lugar de todo tipo de pecador, em lugar dos mais vis e odiáveis homens.

Sim, o Cristo da Cruz morreu em lugar das mais inimagináveis figuras e todos aqueles pelos quais Ele derramou seu sangue, serão resgatados, pois Ele pagou um alto preço por suas vidas.

O cristianismo da cruz não está preocupado em apontar o dedo para pecados mais ‘condenáveis’, pois sabe que eles não existem. O cristianismo da cruz vai chorar desesperadamente as dores de uma sociedade apodrecida, odiosa, violenta, cruel e desumana. 

Não importa se alguém é homossexual, prostituta, adúltero, ladrão, homicida, mentiroso, fofoqueiro, explorador do rebanho de Cristo, enfim, não importa qual pecado. Cristo é suficiente para cancelar o escrito da dívida de cada um. Na verdade, todos os que se dobram diante d'Ele, já tiveram sua dívida paga na cruz maldita.

Se somos do ‘cristianismo de Cristo’, somos convocados a sentar com os gays, com adúlteros, com os promíscuos, com os dominados pelo crack, com escravos da religiosidade, com desigrejados; não para comungar com o que a Escritura condena, mas para dizer-lhes que em Cristo há transformação, que em Cristo ninguém, absolutamente ninguém é melhor, é mais ou menos pecador.

O mundo carece de um cristianismo profético, que convida as pessoas ao arrependimento, fazendo-as sabedoras de sua condição pecaminosa, mas ao que mesmo tempo é um cristianismo de braços abertos, uma igreja pronta a receber todo tipo de pessoas, amá-las, sentir compaixão de suas vidas, ajudá-las, mediante a ação regeneradora do Espírito Santo, a mudar suas histórias e ensiná-las a viver uma transformação real. 

Quem se diz cristão e prefere ofender, atacar, humilhar as pessoas por suas escolhas, carece urgentemente aprender sobre o Jesus que andou com as ‘piores’ figuras e as transformou em pessoas dos quais o mundo não era digno (Leia Hebreus 11) 

Precisamos olhar para todas as pessoas e tratá-las como alguém por quem CRISTO PODE TER MORRIDO. Se Ele vai mudar suas histórias é com Ele. Nossa obrigação é ser voz profética e ter os braços prontos para abraça-las. 

Que o Senhor Deus nos ensine a viver o ‘cristianismo de Cristo’!


Rev. Ricardo Jorge Pereira (Caco)
Instagram: @caco_pereira_
Facebook: @CacoPereira
WhatsApp: (83) 982161220 



segunda-feira, 20 de abril de 2020

Inquietações e desejos de um coração de pastor


Há algum tempo tenho estado preocupado com o que vejo acontecendo em nossas igrejas. Nem falo das sandices neopentecostais ou dos libertinos, nem dos modismos da música gospel. Isso tudo me preocupa, entristece e muitas vezes enfurece o coração. Mas o que tem tirado meu sono, me deixado bastante ‘revoltado’ é a postura ou a falta de postura de alguns ditos reformados.

Preocupa-me que alguns daqueles aqueles que se postam como detentores da melhor doutrina, como os suprassumos da exegese, os grandes pregadores expositivos, enfim, a ‘nata’ da teologia brasileira, tenham uma postura de tanta letargia, inoperância e de não relevância.  Preocupa-me terrivelmente a enorme falta de relevância presente na Igreja hodierna. Você pode dizer: “Não é bem assim”. Ao que respondo: “Nalguns momentos e lugares pode ser bem pior”

Surgem questionamentos que aterrorizam a alma e me fazem pensar acerca do meu exercício ministerial. Como temos contribuído para a mudança desse país? Que igreja é essa que permanece letárgica, estática, inerte? Que respostas são dadas aos questionamentos de um povo que vive da fé, mas como diz a canção “só não se sabe de fé em que”.  

Principalmente agora, nesse contexto de pandemia, de incerteza, de isolamento social, a pergunta é mais forte e válida que nunca: QUANDO A IGREJA DARÁ LUGAR A IGREJA?

Dá vergonha de perceber que muitos daqueles que ‘podiam mudar o mundo’ (parafraseando Cazuza – não se escandalizem) estão mais preocupados com cargos, honras, posições, fama e agora com seguidores, compartilhamentos e aplausos. A cabeça então fervilha com o questionamento: Como posso ser pastor, servo do Senhor e comungar com estruturas, escolhas e posturas totalmente contrárias ao caráter do Deus a quem servimos?

O cenário é terrível! Dói ver pastores que a si mesmo se apascentam, homens vis que espalham suas sujidades fazendo sofrer o povo de Deus (Leia Judas). É avassalador ao coração de qualquer servo de Deus ver famílias inteiras sendo espezinhadas por figuras arrogantes e interesseiras que usam a Igreja para satisfazer suas ambições pessoais.

Causa espanto perceber que tantos indivíduos que se travestem de pastores são lobos gananciosos que só querem ser pesados à Igreja, que amam os primeiros lugares, que se esbaldam em títulos, cargos e poder! Ladrões! Roubam sonhos, esperanças e alegrias de servos fiéis ao Senhor. Isso é muito maior do que roubar dinheiro.

Evidentemente o oposto disso existe. O Senhor tem ao longo dos tempos, levantado homens com o coração pastoral. Servos d’Ele, chamados por Ele e para sua glória, os tem posto como pastores do Seu Rebanho. E minha mais sincera oração é ser diariamente um desses pecadores redimidos, chamados para o ministério e que amam o rebanho e o Senhor das ovelhas. É com esses pastores que quero andar, é deles que quero ‘beber’, é deles o modelo a seguir.

Quero ser pastor no sentido mais nobre disso. Não busco aplausos, honras, não aspiro poder, desejo apenas ser amigo, direcionador, disciplinador, companheiro, servo, líder, pai, presente, constante. Quero poder chegar em minha casa no final do dia e ter no peito a prazerosa sensação de estar indo bem na caminhada, que estou sendo um pastor direcionado por Deus. Desejo chegar ao fim dos meus dias e assim como Paulo dizer que combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé.

Mas como ser um pastor relevante? Como posso ser combativo com erro, imbatível com os falsos profetas, inimigo do que Cristo é, e ao mesmo tempo ser pastor, amigo, protetor do rebanho? Como responder aos anseios de um povo que nem percebe que não precisa de descarrego, 'reteté', mistérios, mantras, nem mesmo de um denominacionalismo tolo e sem vida, mas apenas da graça e da misericórdia de Deus?

Estou certo que a sociedade não carece de meros ‘fazedores de teologia’. O mundo precisa de teólogos na prática. As pessoas carecem de uma ação pastoral da Igreja que não lhes aponta o dedão acusador, mas que lhes estenda uma mão acolhedora, trate suas feridas, lhes alimente com a verdade; um povo que se disponha a ouvir pacientemente e responder os questionamentos, ser instrumento de Deus para sua real transformação de alma e comissionamento como parte da Igreja do Senhor!

Nalguns momentos na caminhada pastoral sou tomando por uma triste e ilusória sensação de que ‘estou lutando sozinho’. Mas ela logo é aliviada pelas palavras do Senhor a Jeremias (Jr 1.8) e pela convicção de que o Senhor Deus comissionou homens sérios, comprometidos com a Santa Verdade; servos fiéis que têm lutado incansavelmente na busca por uma Igreja cristocêntrica, firme, reformada e contextualizada.

Meu mais sincero desejo é viver o ministério como um desses homens. É anunciar com verdade e piedade o Desígnio de Deus. É ser instrumento d’Ele, proclamando e promovendo Sua Glória por meio da minha vida e ministério.

Que Deus, o Supremo Pastor use a mim e aos muitos outros servos que Ele comissionou para Sua boa obra! Que a Igreja, a bela Noiva do Cordeiro seja evidenciada em cada comunidade que faz parte da Igreja. Igreja esta que mesmo em meio a tanta infidelidade permanece fiel, noiva, desejosa pela vinda do Noivo!

Que nesse tempo de medo, angústia, aflição; que nesse tempo de desespero e solidão, sejamos luzeiros em meio a escuridão, sejamos fonte de refrigério, de alento e consolo. Que os sedentos possam por nós serem guiados Àquele que diz: Vinde a mim os que estais cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei.

Que sejamos pastores, apenas pastores!
  
  
Pr. Ricardo Jorge Pereira (Caco)
Instagram: @caco_pereira_
Facebook: @CacoPereira
WhatsApp: (83) 982161220 


terça-feira, 7 de abril de 2020

Coronavírus: Declínio da falsa pregação e chamado aos verdadeiros profetas de Deus




De modo avassalador o Coronavírus conseguiu ‘abalar as estruturas’ do planeta. Grandes potências mundiais foram atingidas e têm sofrido danos enormes em virtude do vírus. Enquanto não houver controle, o medo seguirá sobrepujando a alegria das pessoas em todo mundo. É preciso esperar pela cura e pela vacina, mas até que isso aconteça, o mundo seguirá em ritmo lento e amedrontado. Angustia, ansiedade, medo, incertezas, aflições, perdas e dores intensas continuarão assolando a humanidade em vários países. Pessoas continuarão carecendo de consolo, pastoreio e direção.

É exatamente nesse contexto que a Igreja precisa levantar-se como arauto do Grande Rei. Mais do que nunca, esse é o momento em que o os crentes em Cristo devem proclamar as virtudes daquele que os tirou das trevas para o Reino de sua maravilhosa luz (Leia 1Pe 2, especialmente o verso 9). Afinal, isso é parte da nossa missão!

Essa é uma ‘oportunidade’ preciosa para que pastores que de fato amam o Rebanho do Senhor ‘saiam’ em busca de ovelhas que ainda nem sabem que são. É tempo de pregar uma mensagem que conforte, mas que confronte o homem e seu pecado. É tempo de anunciar com intrepidez a Escritura como único meio pelo qual o homem será alcançado pela Salvação. Crendo que “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17).

O covid fez o que muitos pregadores sérios têm tentado ao longo dos anos, porém sem êxito. Ele silenciou os teólogos da autoajuda, os ‘pastores coaching’, os adeptos da teologia da prosperidade, os profetas e sonhadores do nada e os curandeiros do gospel. O vírus calou o maior empecilho para a pregação fiel do Evangelho em nosso tempo. O ‘corona’ calou, ainda que temporariamente, os vendilhões do templo, os apresentadores de um pseudo evangelho existencialista, antropocêntrico, desprovido de respaldo escriturístico, sem amor, sem fé e sem graça.

E agora, com o ‘inimigo’ suplantado, é preciso que aqueles que amam a boa doutrina da Escritura passem a anunciar o Evangelho do Reino; e isso de modo mais efetivo e amplo, com os corações repletos de amor, esperança, temor e tremor diante do Senhor. É tempo de anunciar o Evangelho do Reino que já chegou em Cristo Jesus (Leia Lucas 10).

As redes sociais já eram e agora ainda mais se tornaram um excelente meio pelo qual podemos anunciar a Boa Nova. Neste momento em que os coaching da fé, os vendilhões e toda horda de falsos profetas está emudecida, é momento de homens chamados pelo Senhor, se postarem como voz profética, anunciando a verdade, com a autoridade que lhes foi dada pelo Deus que os conheceu, santificou e comissionou (Jeremias 1.4-10).

Os corações estão desolados, apreensivos e entristecidos. O homem de nosso tempo está lidando com a morte de um modo que jamais pensou que estaria. E esse homem carece de consolo, mas não de massagem no ego. Ele precisa ouvir que é preciso arrepender-se dos seus maus caminhos e se dobrar diante d’Aquele que domina sobre todas as coisas, inclusive sobre a pestilência.

De portas fechadas, a Igreja do Senhor tem a oportunidade de abrir a voz através da ‘rede’, e bradar que o Grande Rei permanece firme em seu santo trono. Acreditando biblicamente que nada acontece distante do controle do Deus Soberano, Senhor de todas as coisas. Ele é Rei absoluto, cujo trono permanece firme, a despeito de quaisquer abalos sobre a terra (Salmo 93). Creiamos nisso. Vivenciemos essa verdade inarredável!

O homem que tem ouvido mensagens de autoajuda, de vitória, de promessa vazia, está agora caído e estarrecido diante da dor e da morte. É o momento de quem prega o Grande Rei, anunciar com toda ousadia, coragem e amor: Arrependa-se, volte-se para o Senhor, confessando suas culpas e n’Ele você encontrará a vida que ultrapassa essa situação transitória. É tempo, meus irmãos, de devolver o homem ao seu devido lugar e exaltar ao Rei que jamais perdeu o trono!

Penso com muita paz no coração que Deus se instrumentalizará deste momento para solapar para Si eleitos que ouvirão a verdade por nossas bocas e textos publicados nas redes sociais. Ele fará isso através daqueles que pregam sua Santa Palavra com temor e tremor! Por isso, preguemos!

Que o Senhor da Igreja, o Deus de todas as coisas use seu povo como bem lhe aprouver. Que pastores que amam ao Senhor e zelam pela Palavra, busquem, na dependência d’Ele, anunciar com todo amor, fidelidade e piedade o Evangelho.

A internet é neste momento um viável instrumento para os servos do Grande Rei! Anunciemos por meio dela, as verdades que os homens carecem ouvir! Queira o Senhor promover um verdadeiro avivamento em nosso país, levando homens a se dobrarem diante do Cristo que verteu seu sangue na cruz, ressuscitou e voltará glorioso!

Que Ele nos bendiga!


Rev. Ricardo Jorge Pereira (Caco)
Instagram: @caco_pereira_
Facebook: @CacoPereira
WhatsApp: (83) 982161220 



segunda-feira, 9 de março de 2020

Graça, combustível para prosseguir na caminhada



 
 
Leia o Salmo 13

Muitas vezes somos levados a pensar que tudo acabou, que não há mais solução, que estagnamos, chegamos num ponto sem volta, sem solução. Nesses momentos, tudo parece perdido. Ficamos sem rumo, sem norte, sem chão. E curiosamente é exatamente aí que os amigos parecem sumir, as esperanças se esvaem e ficamos em total desespero.

 Tenho certeza que você já passou por isso, já esteve completamente ilhado, desolado, perdido. Talvez esteja assim agora! Talvez olhe para o lado e não veja ninguém, peça ajuda e não seja ouvido. Seja qual for a razão (cada um tem seus motivos de sofrimento e não nos cabe julgar as dores de ninguém), sejam dívidas, depressão, fim de relacionamento, decepções, ansiedade ou que for, isso geralmente nos faz chegar aos mais profundos vales emocionais.

Nalguns momentos pessoas querem ajudar e vem com jargões de fé que mais cooperam para nos afundar. Coisas do tipo “filhos de Deus não podem ser derrotados”, “você não foi ungido para perder” são ditas com o objetivo de ajudar, mas apenas lançam nossa alma em um poço de aflição e sentimento de culpa ou criam uma neura quanto a nossa filiação divina.

Você já leu o Salmo 13. Um texto extremamente ‘depressivo’ ou que evidencia um Davi no poço, na lama, no breu. “Até quando, Senhor? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando estarei relutando dentro em minha alma com tristeza no coração cada dia? Gente esse é Davi, o grande rei de Israel , o homem segundo o coração de Deus. Ele está DESESPERADO, AFLITO, PERDIDO, PERTURBADO!

 Quantas vezes não choramos, clamamos e ainda sim sentimo-nos sós? Meus queridos, carecemos não de jargões, mas mãos que se estendem! Braços que abraçam! Carecemos de cuidadores da alma, usados pelo Senhor!

Diversas vezes sofremos em imensa solidão, sem amigos, sem mãos, sem braços, sem abraços. Nessas horas é preciso entender o que chamo de ‘didática do choro’. É momento de compreender que quando estamos mais humilhados, contritos, moídos, mais angustiados é que somos levados como Davi, a entender que “No tocante a mim, confio na tua graça; alegre-se o meu coração na tua salvação”.  Como Paulo, nessas horas entendemos que o “poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Quando a dor nos solapa a sanidade, quando a alma é devastada pelo sofrimento, é fundamental recorrer a graça de Deus e nela, apenas nela encontrar o combustível do RECOMEÇO! Deus em sua bondade e misericórdia sara nossas dores, cuida das feridas mais purulentas de nossa alma e nos faz recomeçar!

Todas as vezes que as dores forem muitas, que os dissabores forem insuportáveis, choremos, clamemos, gritemos ante a face do Senhor, do Pastor, do Pai e então, como o salmista poderemos dizer: “Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem”.

Há um tempo, durante um período de muita dor e sofrimento escrevi um poema no qual a mais importante certeza pululava em minha alma e trazia consolo, paz e esperança.  Um trecho dele diz assim:

Quando a dor é imensa, quando todos se vão;
Quando a alma está só e não há proteção;
Quando não vejo sequer a mão de um irmão;
Quando em amigos não há solução.

Tu vens Senhor, me cuidas;
Tu vens Senhor, me amas;
Tu vens Senhor me honras;
Só tu Senhor! Só tu Senhor!

Nenhuma caminhada, nenhum recomeço será sem que antes nos lancemos humilhados e dependentes nos braços do nosso Deus de amor!



Pr. Ricardo Jorge Pereira (Caco)
Instagram: @caco_pereira_
Facebook: @CacoPereira
WhatsApp: (83) 982161220 



sábado, 25 de janeiro de 2020

Mãos estendidas, braços e corações abertos: colunas para quem busca recomeçar





Leia Lucas 15.11-32


Se começar a caminhada cristã é difícil, se andar no Caminho nos reserva muitas vezes, dores, dificuldades e tristezas; recomeçar, voltar e refazer caminhos é indiscutível e indubitavelmente terrível. É muito pior.

Os que buscam recomeçar, muitas vezes encontram pedras em mãos que deveriam estar estendidas. São rejeitados por aqueles que os deveriam abraçar. Isso aponta para uma triste realidade: Nós que somos excelentes pregadores do perdão, somos por diversas vezes a maior contrapropaganda da Boa Nova que anunciamos. Depois de perdoados, achamo-nos senhores do juízo e não servos do perdão em Cristo. Não entendemos que se não perdoamos estamos evidenciando uma condição de não perdoados.

Muitas vezes agimos como o mais velho dos filhos pródigos aos ver tentando voltar à Casa do Pai, aquele irmão moído e quebrado em consequência de escolhas pecaminosamente desastrosas. Somos inclementes, cruéis e insensíveis. Evidenciamos um serviço mecânico, farisaico e baseado na meritocracia. Esquecemos que com o Pai não há méritos, virtudes, condutas que nos tornem aceitáveis. O único mérito válido é o de Cristo.

Precisamos entender que ninguém que de fato ame a Cristo e tenha n'Ele encontrado misericórdia, graça e remissão, deve ser punido ad aeternum. Não somos senhores juízo. Cristo é. Apenas Cristo!

Os que recomeçam não carecem de aplausos, de afagos, muito menos de contemporização. Precisam de amor, exortação e disciplina. Carecem acima de tudo de uma sincera comunhão que os recebe como irmãos amados, não como ‘crentes’ inferiores. Uma comunhão que anda junto, que tem compaixão, que ajuda nos recomeços e não se alegra com as dores do outro.

Que Deus nos conceda sabedoria, misericórdia e graça. Que Ele nos ensine a estender mãos, oferecer abraços sinceros e corações abertos aos que amam a Cristo, mas caíram e desejam se reerguer, recomeçar e caminhar com os olhos fitos no Autor e Consumador da nossa fé.

Um grande abraço de quem encontrou mãos estendidas, braços e corações abertos.



Pr. Ricardo Jorge Pereira
Instagram: @caco_pereira_
Facebook: @CacoPereira
WhatsApp: (83) 982161220