domingo, 8 de janeiro de 2017

Jesus, os pecadores e os pecadores



Hoje li algo sobre um rapaz que tentou utilizar um copo como objeto sexual e acabou se ferindo. O fato rendeu todo tipo de piadas e ofensas nas redes sociais. O que por si já depõe contra o tipo de sociedade civilizada que somos. Obviamente a opção sexual do moço gerou os mais ofensivos ataques a ele enquanto pessoa. Infelizmente muitos cristãos rapidamente o "levaram" para a "fogueira" da "moderna inquisição". 

Passei a tarde refletindo sobre o acontecido, sobre nossa postura e como Jesus lidaria com esse moço. Acabou que minha mente começou a passear por algumas histórias em que a Escritura nos mostra Jesus convivendo com aqueles que a sociedade considera como escória. Mas também pude "ver" como Ele tratou com os "especiais" da fé, os fariseus. Vamos andar um pouco comigo pelas páginas da Escritura?


Com certeza você viu como Jesus tratou uma mulher que havia adulterado e pela lei deveria ser apedrejada. O mestre de modo simples e pastoral não a condenou, embora fosse o único ali que poderia fazê-lo. Ele a perdoou. Ele não jogou pedras, não xingou, não engrossou o coro dos condenadores de plantão. O Rei a perdoou. (Leia João 8.1-10)
E Zaqueu, o miserável judeu que cobrava impostos do seu próprio povo em favor dos romanos. Mais que isso, cobrava de modo criminoso. Zaqueu roubava seu povo. O que Jesus fez? Perdoou!  (Leia Lucas 19.1-10)


Mas tem o caso de uma mulher siro-fenícia. Os judeus odiavam esse povo, chamavam-nos de cães. E Jesus fala sobre isso com ela, mas simplesmente a contempla em sua fé, atende seu pedido. (Leia Marcos 7.24-29)


E Saulo, o que respirava ódio contra os cristãos. O perseguidor? Como Jesus agiu com ele? O transformou em um dos mais importantes nomes da fé cristã. (Leia Atos 9.1-9)
Mas e os fariseus? Os doutores da lei? Os defensores da fé? Como Jesus tratou com eles? Exatamente como os demais. Ele os confrontou com a verdade e deixou claro que eram tão pecadores quanto os demais. Sim, eles eram como a adúltera e assim como ela, precisariam ir e não mais pecar, e como Zaqueu, precisavam dar sinais evidentes de que houve salvação, como Paulo eles precisavam saber quem era JESUS, como a mulher siro-fenícia, deveriam entender a bem-aventurança de pertencer ao Dono de tudo.


Em nenhum lugar da Escritura Jesus criou gradações de pecados, em nenhuma página do livro Santo Ele tratou com menos rigor qualquer pecado. Ele não "deu a louca" com prostitutas, cobradores de impostos, promíscuos, nem mesmo com quem estava sendo crucificado com Ele, ou com seus algozes. 


Jesus sentou com todos os  tipos de pecadores,  fossem eles quem fossem. A cada um a quem amou, apresentou-se como Senhor do perdão e mudou suas vidas. Não importa quem eram, não importa quais eram seus pecados, suas mazelas, suas dores. A única coisa importante era a misericórdia que Ele queria derramar sobre suas vidas.


No "cristianismo de Cristo" não existem pecados e pecados; não existem méritos, virtudes, bondades, atenuantes ou agravantes. No "cristianismo de Cristo" temos apenas pecadores totalmente imerecedores do amor e O Deus misericordioso que deu em amor, seu único filho para numa cruz maldita, se dar em lugar de todo tipo de pecador, em lugar dos mais vis e odiáveis homens. Sim, o Cristo da Cruz morreu em lugar das mais inimagináveis figuras e todos aqueles pelos quais Ele derramou seu sangue, serão resgatados, pois Ele pagou um alto preço por suas vidas.


O cristianismo da cruz não está preocupado em apontar o dedo para pecados mais "condenáveis", pois sabe que eles não existem. O cristianismo da cruz vai chorar desesperadamente as dores de uma sociedade apodrecida, odiosa, violenta, cruel e desumana. 


Não importa se alguém é homossexual, prostituta, adúltero, ladrão, homicida, mentiroso, fofoqueiro, explorador do rebanho de Cristo, enfim, não importa qual pecado. Cristo é suficiente para cancelar o escrito da dívida de cada um. Na verdade, todos os que se dobram diante d'Ele, já tiveram sua dívida paga na cruz maldita.


Se somos do "cristianismo de Cristo", somos convocados a sentar com os gays, com adúlteros, com os promíscuos, com os dominados pelo crack, com escravos da religiosidade; não para comungar com o que a Escritura condena, mas para dizer-lhes que em Cristo há transformação, que em Cristo ninguém, aboslutamente ninguém é melhor, é mais ou menos pecador.


O mundo carece de um cristianismo profético, que convida as pessoas ao arrependimento, fazendo-as sabedoras de sua condição pecaminosa, mas ao que mesmo tempo é um cristianismo de braços abertos, uma igreja pronta a receber todo tipo de pessoas, amá-las, sentir compaixão de suas vidas, ajudá-las a mudar suas histórias e ensiná-las a viver uma transformação integral. 


Quem se diz cristão e prefere ofender, atacar, humilhar as pessoas por suas escolhas sexuais, carece urgentemente aprender sobre o Jesus que andou com as "piores" figuras e as transformou em pessoas dos quais o mundo não era digno.  


Precisamos olhar para todas as pessoas e tratá-las como alguém por quem Cristo pode ter morrido. Se Ele vai mudar suas histórias é com Ele. Nossa obrigação é ser voz profética e ter os braços prontos para abraça-las. 



Que Cristo nos ensine a ser cristãos, apenas cristãos!





Ricardo Caco Pereira, 
apenas um cristão





imagem: entreriosjornal




quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

BALDES FURADOS? SIM, SOMOS ISSO




Nalguns momentos gosto de rever textos que escrevi. Avalio, penso, repenso, retiro, reafirmo... Enfim, reler meus escritos traz a tona velhas reflexões, faz reascender convicções e ajuda a confrontar o que cristianismo que vivo com o que a Escritura exige de mim.

Hoje trago de novo um texto de 2012. Nele falo do nosso processo diário de vida como cristãos. Na oportunidade, refletia sobre a inconstância do cristianismo que praticamos. Os pensamentos eram decorrentes das experiências do pastoreio.

Venha, vamos pensar um pouco sobre nós mesmos como “BALDES FURADOS”.

As vezes sinto como se tivesse colocando água em BALDES FURADOS. Dá uma tristeza, uma dor na alma. Mas depois lembro que alguém fez e ainda faz o mesmo por mim e comigo.

Essa frase me veio a mente em um momento de tristeza em virtude de posturas que alguns seguidores de Cristo que estão sob meu pastoreio resolveram tomar. Depois foi aquecida pelo diálogo com pessoas amadas.

Fui conduzido a refletir sobre nossa condição como ovelhas de Cristo, pessoas em processo de aprendizado sobre o que é servir a Deus. Pois bem, chegue a conclusão de que somos todos “ BALDES FURADOS ”.

Somos pecadores miseráveis que foram remidos pelo sangue de Cristo, regenerados, tornados novas criaturas. Mas ainda sim pecadores, pessoas falíveis, muitas vezes nocivas, incompletas. Temos posturas, decisões, escolhas, comportamentos completamente alheios a vontade de Deus. Somos “ BALDES FURADOS ”.

Por muitas vezes o ensino da Palavra que nos parece belo, aceitável e aplicável, escorre de nós como se não tivesse lugar para ele em nossas vidas. Há dias em que estamos tão cheios de vontade de fazer o que é reto e agradável ao bom Senhor. Almejamos por ter e temos prazer intenso na presença d’Ele. Mas noutro instante, sentimo-nos vazios e fracos. Nessas horas somos facilmente conduzidos pelos desejos contrários ao Bondoso Deus. Repete-se em nós o que Paulo diz: Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus”.Romanos 7:15-22

Todas as vezes que como “BALDES FURADOS” deixamos de agir segundo o bem que há em nós pelo sacrifício de Cristo, nos vemos entristecidos, angustiados, chorosos.  E infelizmente aparecerão alguns homens “santos demais” que nunca nos ajudarão a “remendar” os furos. Mas farão questão de simplesmente evidenciá-los.

Mas Paulo aconselha muito bem os “BALDES FURADOS”: Não vos embriagueis no vinho, no qual há dissolução, mas “deixai-vos ser cheios” do Espírito Santo. Se querem ser “BALDES SANTOS”, permaneçam debaixo das “águas do Espírito”  Busquem-nO e sejam cheios, transbordem d’Ele e serão diferentes.

Não há na Bíblia promessa de perfeição enquanto Cristo não voltar, mas há conselhos e promessas fantásticas para aqueles que lavados pelo sangue de Cristo, desejam tornar-se adoradores, vivendo de modo digno d’Aquele que nos chamou das trevas para a verdadeira luz.

Somos sim pecadores miseráveis, mas fomos alcançados pela graça salvadora, e se assim foi, os BALDES FURADOS não seremos jogados no "LIXO", mas seremos "feitos novos". Por isso, precisamos urgentemente começar a viver para a glória de Deus. E isso torna-se menos difícil quando entendemos que NÃO SOMOS PERFEITOS! QUE NÃO EXISTEM SUPER CRENTES. Quando isso acontece passamos  depender mais da graça de Deus.  Também é necessário entender que não devemos “facilitar” com o pecado e que precisamos “fugir” daquilo que nos aproxima de agir de forma contrária ao caráter de Deus.

BALDES FURADOS, frágeis, limitados, falíveis devem o tempo inteiro buscar ser cheios do Espírito, tendo n’Ele total contentamento, esperança e motivação de vida
Quer Deus nos encha!




Caco, um BALDE FURADO tentando se “remendar”


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

CONVERSA DE MISERÁVEIS: É POSSÍVEL REFAZER CAMINHOS




Leia por favor 2Samuel 12 e o Salmo 51

Você já cometeu falhas enormes? Na caminhada da vida e da fé errou o caminho? Perdeu o rumo? Ficou sem norte e pediu a morte? Já agiu de um modo intensamente contrário aquilo que era comum em sua vida?  Despedaçou o próprio coração e o dos outros em virtude de decisões e posturas incoerentes com seu caráter e crenças?

Se já passou ou está passando por isso, sente aí, acomode-se e vamos conversar um papo de miseráveis, um papo entre pessoas que contrariaram o próprio senso de justiça, de santidade e bondade.
                                                                                       
Vamos falar sobre esse sentimento horrível de culpa, de dor. Tratemos dessa angústia miserável que assola o coração e nos faz sentir as piores pessoas do mundo, os mais condenáveis dos pecadores, os mais indignos de qualquer bem. Venha, vamos conversar sobre a luta intensa entre o que somos e o que deveríamos ser.

Mas deixa eu dizer que não estamos apenas nós dois, tem um cara que esteve na mesma situação que nós. Quem é ele? Vou deixar que ele se apresente.  Venha amigo, fique a vontade:

Olá, eu sou alguém que foi chamado de “homem segundo o coração de Deus”. O maior rei que Israel já viu. Sempre fui tido por justo, decente, misericordioso e compassivo. Compus lindos salmos, cantei para o rei que me antecedeu, lutei contra os inimigos do povo de Deus e venci. Sempre fui considerado um bom homem e misericordioso, inclusive com os que tramaram o mal contra mim.

Porém fui um péssimo pai, injusto em meus julgamentos, covarde na aplicação da disciplina justa. Mas o ápice do meu pecado, a “coração” da devassidão foi quando desejei e tive para mim a mulher de outro homem. Ela era linda, eu a quis e a tive. Ela engravidou e eu precisava que o marido assumisse o filho, então tentei armar de todo jeito para que eles tivessem relações, mas isso não aconteceu, então tramei a morte dele. Sim, eu um homem de Deus, um homem segundo o coração de Deus, o ungido do Senhor! Eu fiz tudo isso! 

O que concluí ? Sou um grande pecador, um miserável e injusto homem. Não há em mim nada que possa ser reputado por bom! Sou um homem completamente desprovido de qualquer virtude. Deus sempre será considerado puro no falar e completamente justo no julgamento a meu respeito. Concluí que mereço a condenação. Mereço a morte! Eu, Davi, o grande rei de Israel não passo de um miserável pecador!

Mas esperem um pouco. Quando concluí o que sou e o que mereço, prostrei-me ante os pés do Grande e Poderoso Deus, coloquei-me em total humilhação, contrito, quebrantado, moído, confrontado pela verdade da Palavra de Deus e clamei pelo perdão, clamei por ter de volta a alegria de pertencer Àquele do qual jamais me perdi. Busquei no mais íntimo de minha alma as forças para clamar pelo perdão. E o Senhor ouviu meu clamor, perdoou-me e me fez perceber que é possível refazer caminhos, reaprender a adorar e que não há culpa que não seja perdoada pelo Deus de misericórdia.

Sofri as consequências dos meus atos. Deus executou seu juízo contra mim sim, mas agiu com misericórdia, poupou-me e reabilitou-me a servi-lo com integridade e pureza de coração.

Queridos, a história de Davi não é uma licença para o pecado. É na verdade uma enorme exortação a uma vida santa. Em Davi somos levados a perceber que os pecados embora perdoados, deixam marcas e consequências que trazem dor e sofrimentos para nós e para quem amamos.

Mas essa história também nos faz ver que por mais que tenhamos nos tornado odiáveis, cruéis e terríveis em escolhas pelo pecado, Deus o nosso Deus é Senhor da misericórdia que Ele pode nos devolver a alegria da salvação. Ele perdoa e reabilita todos aqueles que de fato lhe são filhos.

Não temos licença para pecar, mas temos a convicção absoluta de que apesar de nossa pecaminosidade, de nossa luta constante contra o pecado que em nós habita, apesar de nossa natureza pecaminosa, o Senhor Deus age de modo a nos preservar e nos apresentar diante d´Ele mesmo, purificados, imaculados e prontos para a mesa da eternidade.

Sim meu amigo, você que já cometeu falhas enormes, que na caminhada da vida e da fé errou o caminho, perdeu o rumo, ficou sem norte e pediu a morte... Você mesmo, deixe lhe dizer uma coisa: apresente-se diante de Deus com um coração contrito e quebrantado. Rasgue sua alma diante do Rei da misericórdia, clame-o e ele endireitará seu caminho. Humilhe-se e ele o exaltará.

Tenha em mente que somos todos igualmente pecadores miseráveis, merecedores do inferno. Não há em nós bondade alguma. Não há virtude, não há boa obra, não há justiça. Somos todos igualmente condenáveis. Apenas Cristo é homem perfeito, apenas Ele é aceitável no trono do Pai. Mas ao morrer na Cruz do Calvário, ao rasgar o santo dos santos, Ele nos deu acesso livre, direto e incontestável ao Trono da Graça.

Fiados em Seus méritos, entremos na presença do Senhor e clamemos por sua misericórdia. Ele nos ouvirá e restaurará nossos corações, endireitará nossos caminhos e como Pastor que é, guiar-nos-á pelos caminhos da justiça. Ele consertará nossos caminhos e nos ensinará a reconstruir. O Deus que restaurou a sorte de Davi, de Salomão, de Adão, de Abraão, de Pedro, de Paulo e de tantos outros é o mesmo Senhor hoje e não há nada tão vil, tão sórdido, tão pecaminoso, tão imundo que Ele não possa purificar.  "Venham, vamos refletir juntos", diz o Senhor. "Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão” (Isaias 1.18 NVI)


Pois é meu amigo, a história de Davi não é nenhum pouco diferente da nossa. E o melhor, o Deus de Davi é o nosso Deus!

O Deus de Davi nos ensinará sobre o perdão. Nos mostrará que perdoar é habilitar para o recomeço! Sua bondade nos fará sentir que ainda que todos nos acusem e queiram nos "apedrejar" como aconteceu com a mulher adúltera (João 8) ou que nós mesmos nos julguemos miseráveis pecadores, o que realmente somos, Ele ainda assim olhará para nós e enxergará o mérito do Cristo que morreu na cruz em nosso lugar, sofreu as dores que eram nossas para nos dar o céu que é d´Ele. Ele nos perdoará e nos reabilitará ao recomeço. Ele é Deus que reconstrói!

Que o Senhor dos miseráveis cuide de nós e nos ensine a refazer caminhos!


Caco Pereira

       


domingo, 25 de dezembro de 2016

O ÓDIO QUE VOU CONTINUAR SENTINDO



Hoje volto a escrever aqui no Ortopraxia e você pode imaginar que eu versaria sobre o “espírito natalino”, a importância do natal ou acerca dos planos para o próximo ano. Até poderia, mas como não costumo seguir “tendências e convenções da hora”, vou falar sobre o que tem “latejado” na minha mente nos últimos dias, sobre o que incomoda meu coração, aterroriza meu ser e deixa minha alma abatida em dor.

Vamos conversar sobre Ódio. Isso mesmo quero falar sobre o ódio que quero continuar sentindo até a volta de Cristo ou ao dia que partirei ao Seu encontro.

Salomão é o típico homem que seria recebido com toda honra em quaisquer de nossas igrejas, a despeito de ser um adúltero, promíscuo e “conchavista”. Mas certamente sofreria incessantemente com um dos maiores males da história da humanidade. A fofoca, a futrica, o disse-me-disse, o boato. O sábio Salomão, ainda que redimido, justificado e perdoado pelo Senhor, sofreria diariamente o “inferno” proposto e produzido pelo que chamo de “religiosos do cristianismo”. Uma raça vil, implacável e doente que está arraigada em todos os lugares, e que infelizmente, é muito forte do meio evangélico.

Falando sobre a língua Salomão escreveu: Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta:  olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos”. (Provérbios 6.16-19 NVI)

A fofoca é um mal de poder avassalador, ela pode e tem destruído reputações, famílias e ministérios ao longo dos tempos. E mesmo sabendo disso, os líderes não parecem interessados em agir contra essa peste. Não têm interesse em pregar de modo veemente contra essa mazela. Mas por quê? Talvez porque muitos são adeptos dessa prática odiosa e, ou porque ainda não tenham atentado para o fato de que a fofoca é sim uma das maiores armas do Diabo contra a Igreja do Senhor.

Tenho diversos e terríveis defeitos, pecados dos quais me envergonho e minha alma sente-se atormentada só em lembrá-los, mas se há algo que odeio de todo meu coração, de toda minha alma e de todo meu entendimento são diálogos que começam com: “me disseram... olhe, vou lhe contar uma coisa, mas não diga a fulano... eu ouvi dizer que... estão dizendo por aí... fiquei sabendo...”. Não! Por favor, não me contem coisas  sobre pessoas e digam que seus nomes não possam ser postos de forma clara, não acusem, não informem, não digam nada sobre alguém sem que estejam dispostos a dizer na frente desse alguém. As relações cristãs não podem ser pautadas pelos mexericos, pela falsidade, pelos tapinhas hipócritas!

Odeio de todo meu coração essa postura covarde, injusta e cruel que promove o juízo, profere a sentença condenatória e aplica as “sanções” sem dar ao menos o direito do “réu” sequer saber que está sendo julgado. É diabólica essa postura que provoca dores indizíveis e causa feridas gigantesca nas almas das pessoas. Infelizmente a fofoca e o fofoqueiro são tolerados na vida da igreja cristã e o pior, são tratados como algo normal e inofensivo.

Tiago, irmão do Senhor falando sobre os males de uma língua fofoqueira, deixou muito claro que “a língua, porém, ninguém consegue domar. É um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero” e que com a língua bendizemos ao Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus” (Tiago 3.8,9 NVI). 

Sabendo que o Senhor Deus odeia essa mazela, devemos nós odiá-la com toda nossa força. Precisamos estar sensíveis às palavras de Tiago e ter noção do poder destruidor de uma língua não domada.

A fofoca deve ser odiada pelo simples fato de que quebra o segundo mandamento no qual Jesus resumiu toda a lei. Ela é um ato de desamor, é a declaração tácita de que não amamos o outro.

Via de regra está associada a mentira, ao engano, a inveja. É resultado de um coração que maquina o mal contra o outro e o executa sem a menor preocupação com seu efeito devastador.

Todos nalgum momento nos vimos envolvidos em alguma conversa sobre a vida alheia e infelizmente agimos de modo a compactuar com estorinhas de mexeriqueiros. Mas se realmente amamos a Deus, esse amor é evidenciado também nas relações com o próximo e a Escritura é bem clara quando diz: "Não espalhem calúnias no meio do seu povo. Não se levantem contra a vida do seu próximo" (Levítico 19.16).

Certamente também já fomos vítimas do poder da fofoca, da força do que é dito na surdina, nos corredores, ao pé do ouvido. Se sabemos os males, se vivenciamos as dores devemos ser inimigos dessa prática odiosa e satânica. Nela não há absolutamente nada aproveitável, nada de bom e tudo na fofoca deve ser abominado pelo servo de Deus, pois o Senhor a odeia.

O mexeriqueiro é alguém infeliz. Pessoas que têm felicidade real não perdem tempo falando mal dos outros. Elas estão mais preocupadas em fazer com que as pessoas encontrem a felicidade que elas encontraram, pois estão convictas que amor, alegria e bondade é que devem ser espalhadas, e não o mal.

Sim, devemos odiar a fofoca, devemos ser implacáveis com ela e combatê-la tendo em nossa mente a clara convicção de que ela é uma poderosa arma nas mãos do inimigo de nossas almas. Não podemos ser agentes contra o Reino. E não podemos tolerar que ninguém se instrumentalize com essa arma do mal. Sejamos inimigos do mal e não tolerantes com ele.

Que nossa oração seja a do Salmista: Senhor, livra-me dos lábios mentirosos e da língua traiçoeira!(Salmo 120.2 NVI).

Que o desejo mais sincero do nosso coração seja o de buscar ter na boca as palavras de cura, conforte descrito por Salomão:  “Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura” (Provérbios 12.18 NVI).

Eu sigo aqui odiando de todo meu coração essa mazela que infelizmente continuará assolando muitas vidas, destruindo relacionamentos, arruinando ministérios e envergonhando a Noiva do Cordeiro. Mas meu coração é tomado pela convicção de que apesar de nós, Deus ainda nos preservará de modo a nos apresentar diante dEle no Dia Final.

Que o Deus da verdade nos bendiga e nos faça odiar tão grande mal!


Caco Pereira

















segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CULPA, RUPTURAS E REDENÇÃO


Olá queridos,

Faz tempo, não é mesmo? Acho que “teias de aranha” já dominam as páginas do Ortopraxia. Por diversas razões parei de escrever. Na verdade, tenho um monte de desculpas para não compartilhar meu pensar acerca da prática cristã, mas elas apenas servem para esconder uma fuga desesperada daquilo para que Deus me chamou.  Deixa eu tentar falar um pouco sobre isso.

Nos últimos anos tudo se transformou em minha vida, passei por um verdadeiro “tsunami”, uma onda maldita (ou não) das mais diversas e complexas transformações. Tem sido um tempo difícil. Um período de aprendizado, de descoberta, de decepções e reencontros. Enfim, muita coisa mudou.

Durante algum tempo culpei meus “algozes”, lancei sobre eles a grande responsabilidade por todo mal que me causaram e aos que amo. Os tive como responsáveis pelas maiores rupturas que passei. Até que me voltei para o interior de minha alma e como Jeremias em suas lamentações (Lm 3), reconheci que nesse tempo todo, o maior inimigo, maior algoz, maior vilipendiador de tudo aquilo que Deus havia me concedido era eu mesmo. SIM! EU SOU O GRANDE CULPADO.

Nalgum momento de minha história eu fraquejei, desisti, deixei que os pesos, as mazelas, as dores, os dissabores da caminhada afetassem o que tinha de mais precioso. Eu perdi o que mais amava e quem mais me amou. Decepcionei àqueles que jamais poderia decepcionar, deixei de assistir, de cuidar, de proteger os que deveriam ser os primeiros. Mais que isso, fui responsável por suas dores, fui causador das suas lágrimas. Pequei por negligenciar minha maior missão de pastor, cuidar do rebanho de casa. Sofri perdas irreparáveis, sofri rupturas indizíveis cujas fendas jamais fecharão e por toda vida chorarei as dores causadas por mim mesmo. SIM! EU SOU O GRANDE CULPADO.

Vivi os piores dias de minha vida, chorei, lamentei, desejei a morte e Deus sabe, busquei por ela.  Nesses dias lembrei das vozes que elogiavam, das cabeças que meneavam em sinal de aprovação quando expunha a Palavra. A memória fazia ecoar nos ouvidos as declarações de amor pastoral, os mimos e pensava: Quanta hipocrisia. O corpo ainda sentia os “tapinhas” nas costas após os cultos. Onde estavam eles? Para onde haviam ido os meus grandes amigos?  Chorava! Apenas chorava!

Hoje não mais careço de culpar os outros. Cada um deve ser consciente das suas mazelas e deve queixar-se o homem de suas próprias faltas. Queixo-me das minhas, pois elas são renitentes em meu coração. Aqueles que também foram agentes do que é MAU que se vejam com Deus acerca dos males que causaram. Isso já não é comigo e o que era de mim já não é.

Foi nesse tempo de dor que aprendi a deleitar-me mais que nunca nas águas tranquilas, conduzido pelo Pastor que em nada me faltou. Achei o refrigério da graça e da bondade daquele que esteve comigo “no vale” mais tenebroso e que não me abandonou quando toda bondade, toda gratidão, toda amizade e lealdade dos que um dia me ofereceram a destra da comunhão, me faltaram. Foi nesse tempo de dor que os “rios da graça” inundaram minha alma através de homens e mulheres que o Pastor Supremo pôs em meu caminho.

VOLTANDO AS RUPTURAS...

Das rupturas causadas, das separações, das interrupções foi resultante uma fuga da vocação. Vi-me cada dia menos indigno e incapaz de ser pastor do rebanho de Cristo. E ainda olho e digo: NÃO SOU CAPAZ! Não sou mereço, não posso, não vou. E quanto mais digo isso, mais sou conduzido a perceber que devo ir, que devo cuidar, que devo amar e que não haverá satisfação em minha alma se não cumprir aquilo para o qual ELE me comissionou. Não tem jeito, sou pastor, amo gente, amo vidas e alimentar o Rebanho d’Ele é uma tarefa da qual não há como fugir.

Nesse tempo minhas convicções acerca de Deus e de seu amor em nada mudaram. Na verdade, pude experimentar na prática o cuidado e a preservação do Senhor da graça sobre minha vida. Sua bondade e misericórdia se evidenciaram ainda mais em meio às dores mais intensas que minha alma viveu.

O que se asseverou ainda mais foi minha total aversão pela religiosidade, por essa doença vil e aprisionadora do igrejismo, pelos seus agentes, pelos aproveitadores da fé. Hoje mais que nunca, odeio essa religiosidade perniciosa que transforma prédios em santuários e homens em deuses. Abomino do mais íntimo do meu ser esse sistema religioso que condiciona o derramar da bênção de Deus a atos obedientemente zumbídicos e controlados pelas mãos dos “reis da fé”.

Meu coração ainda mais tem ojeriza a essa “ingreja” que apresenta um deus “sabor de mel”, um  velho medíocre e “vingancista” pronto a destruir num piscar de olhos os inimigos que os “apóstolos” de plantão elegeram para a “ingreja". Minha alma repudia veementemente essa religião que impõe pesos, agruras e cruzes que Cristo não impôs.

...UM RECOMEÇO

Esse texto é mais que uma confissão de culpa, é mais que um lamento pelos que deveriam ter sido, mas não foram. Ele marca o desejo sincero de recomeçar, de refazer, de estar nos caminhos do Redentor e ser meio pelo qual os amados de Deus encontrarão a Palavra da Redenção.

Não irei mais fugir...reaprenderei, me refarei, consertarei o consertável e voltarei a fazer o que mais me deu satisfação até hoje, cuidarei do rebanho que tem Pastor.

Não busco mais os títulos, os cargos, os poderes, os tapinhas, os louvores. Não almejo honrarias, lugares, banquetes da fé, aplausos.

Careço apenas de uma Bíblia, já tenho! O povo? O Pastor proporcionará o encontro. Quero apenas ser instrumento do REDENTOR.

É hora de uma caminhada suave conduzido pelos CAMINHOS DA REDENÇÃO.

Crer. Viver. Compartilhar!

           
Caco Pereira