segunda-feira, 19 de setembro de 2016

CULPA, RUPTURAS E REDENÇÃO


Olá queridos,

Faz tempo, não é mesmo? Acho que “teias de aranha” já dominam as páginas do Ortopraxia. Por diversas razões parei de escrever. Na verdade, tenho um monte de desculpas para não compartilhar meu pensar acerca da prática cristã, mas elas apenas servem para esconder uma fuga desesperada daquilo para que Deus me chamou.  Deixa eu tentar falar um pouco sobre isso.

Nos últimos anos tudo se transformou em minha vida, passei por um verdadeiro “tsunami”, uma onda maldita (ou não) das mais diversas e complexas transformações. Tem sido um tempo difícil. Um período de aprendizado, de descoberta, de decepções e reencontros. Enfim, muita coisa mudou.

Durante algum tempo culpei meus “algozes”, lancei sobre eles a grande responsabilidade por todo mal que me causaram e aos que amo. Os tive como responsáveis pelas maiores rupturas que passei. Até que me voltei para o interior de minha alma e como Jeremias em suas lamentações (Lm 3), reconheci que nesse tempo todo, o maior inimigo, maior algoz, maior vilipendiador de tudo aquilo que Deus havia me concedido era eu mesmo. SIM! EU SOU O GRANDE CULPADO.

Nalgum momento de minha história eu fraquejei, desisti, deixei que os pesos, as mazelas, as dores, os dissabores da caminhada afetassem o que tinha de mais precioso. Eu perdi o que mais amava e quem mais me amou. Decepcionei àqueles que jamais poderia decepcionar, deixei de assistir, de cuidar, de proteger os que deveriam ser os primeiros. Mais que isso, fui responsável por suas dores, fui causador das suas lágrimas. Pequei por negligenciar minha maior missão de pastor, cuidar do rebanho de casa. Sofri perdas irreparáveis, sofri rupturas indizíveis cujas fendas jamais fecharão e por toda vida chorarei as dores causadas por mim mesmo. SIM! EU SOU O GRANDE CULPADO.

Vivi os piores dias de minha vida, chorei, lamentei, desejei a morte e Deus sabe, busquei por ela.  Nesses dias lembrei das vozes que elogiavam, das cabeças que meneavam em sinal de aprovação quando expunha a Palavra. A memória fazia ecoar nos ouvidos as declarações de amor pastoral, os mimos e pensava: Quanta hipocrisia. O corpo ainda sentia os “tapinhas” nas costas após os cultos. Onde estavam eles? Para onde haviam ido os meus grandes amigos?  Chorava! Apenas chorava!

Hoje não mais careço de culpar os outros. Cada um deve ser consciente das suas mazelas e deve queixar-se o homem de suas próprias faltas. Queixo-me das minhas, pois elas são renitentes em meu coração. Aqueles que também foram agentes do que é MAU que se vejam com Deus acerca dos males que causaram. Isso já não é comigo e o que era de mim já não é.

Foi nesse tempo de dor que aprendi a deleitar-me mais que nunca nas águas tranquilas, conduzido pelo Pastor que em nada me faltou. Achei o refrigério da graça e da bondade daquele que esteve comigo “no vale” mais tenebroso e que não me abandonou quando toda bondade, toda gratidão, toda amizade e lealdade dos que um dia me ofereceram a destra da comunhão, me faltaram. Foi nesse tempo de dor que os “rios da graça” inundaram minha alma através de homens e mulheres que o Pastor Supremo pôs em meu caminho.

VOLTANDO AS RUPTURAS...

Das rupturas causadas, das separações, das interrupções foi resultante uma fuga da vocação. Vi-me cada dia menos indigno e incapaz de ser pastor do rebanho de Cristo. E ainda olho e digo: NÃO SOU CAPAZ! Não sou mereço, não posso, não vou. E quanto mais digo isso, mais sou conduzido a perceber que devo ir, que devo cuidar, que devo amar e que não haverá satisfação em minha alma se não cumprir aquilo para o qual ELE me comissionou. Não tem jeito, sou pastor, amo gente, amo vidas e alimentar o Rebanho d’Ele é uma tarefa da qual não há como fugir.

Nesse tempo minhas convicções acerca de Deus e de seu amor em nada mudaram. Na verdade, pude experimentar na prática o cuidado e a preservação do Senhor da graça sobre minha vida. Sua bondade e misericórdia se evidenciaram ainda mais em meio às dores mais intensas que minha alma viveu.

O que se asseverou ainda mais foi minha total aversão pela religiosidade, por essa doença vil e aprisionadora do igrejismo, pelos seus agentes, pelos aproveitadores da fé. Hoje mais que nunca, odeio essa religiosidade perniciosa que transforma prédios em santuários e homens em deuses. Abomino do mais íntimo do meu ser esse sistema religioso que condiciona o derramar da bênção de Deus a atos obedientemente zumbídicos e controlados pelas mãos dos “reis da fé”.

Meu coração ainda mais tem ojeriza a essa “ingreja” que apresenta um deus “sabor de mel”, um  velho medíocre e “vingancista” pronto a destruir num piscar de olhos os inimigos que os “apóstolos” de plantão elegeram para a “ingreja". Minha alma repudia veementemente essa religião que impõe pesos, agruras e cruzes que Cristo não impôs.

...UM RECOMEÇO

Esse texto é mais que uma confissão de culpa, é mais que um lamento pelos que deveriam ter sido, mas não foram. Ele marca o desejo sincero de recomeçar, de refazer, de estar nos caminhos do Redentor e ser meio pelo qual os amados de Deus encontrarão a Palavra da Redenção.

Não irei mais fugir...reaprenderei, me refarei, consertarei o consertável e voltarei a fazer o que mais me deu satisfação até hoje, cuidarei do rebanho que tem Pastor.

Não busco mais os títulos, os cargos, os poderes, os tapinhas, os louvores. Não almejo honrarias, lugares, banquetes da fé, aplausos.

Careço apenas de uma Bíblia, já tenho! O povo? O Pastor proporcionará o encontro. Quero apenas ser instrumento do REDENTOR.

É hora de uma caminhada suave conduzido pelos CAMINHOS DA REDENÇÃO.

Crer. Viver. Compartilhar!

           
Caco Pereira

            

CULPA, REDENÇÃO E MISSÃO.


Olá queridos,

Faz tempo, não é mesmo? Acho que “teias de aranha” já dominam as páginas do Ortopraxia. Por diversas razões parei de escrever. Na verdade, tenho um monte de desculpas para não compartilhar meu pensar acerca da prática cristã, mas elas apenas servem para esconder uma fuga desesperada daquilo para que Deus me chamou.  Deixa eu tentar falar um pouco sobre isso.

Nos últimos anos tudo se transformou em minha vida, passei por um verdadeiro “tsunami”, uma onda maldita (ou não) das mais diversas e complexas transformações. Tem sido um tempo difícil. Um período de aprendizado, de descoberta, de decepções e reencontros. Enfim, muita coisa mudou.

Durante algum tempo culpei meus “algozes”, lancei sobre eles a grande responsabilidade por todo mal que me causaram e aos que amo. Os tive como responsáveis pelas maiores rupturas que passei. Até que me voltei para o interior de minha alma e como Jeremias em suas lamentações (Lm 3), reconheci que nesse tempo todo, o maior inimigo, maior algoz, maior vilipendiador de tudo aquilo que Deus havia me concedido era eu mesmo. SIM! EU SOU O GRANDE CULPADO.

Nalgum momento de minha história eu fraquejei, desisti, deixei que os pesos, as mazelas, as dores, os dissabores da caminhada afetassem o que tinha de mais precioso. Eu perdi o que mais amava e quem mais me amou. Decepcionei àqueles que jamais poderia decepcionar, deixei de assistir, de cuidar, de proteger os que deveriam ser os primeiros. Mais que isso, fui responsável por suas dores, fui causador das suas lágrimas. Pequei por negligenciar minha maior missão de pastor, cuidar do rebanho de casa. Sofri perdas irreparáveis, sofri rupturas indizíveis cujas fendas jamais fecharão e por toda vida chorarei as dores causadas por mim mesmo. SIM! EU SOU O GRANDE CULPADO.

Vivi os piores dias de minha vida, chorei, lamentei, desejei a morte e Deus sabe, busquei por ela.  Nesses dias lembrei das vozes que elogiavam, das cabeças que meneavam em sinal de aprovação quando expunha a Palavra. A memória fazia ecoar nos ouvidos as declarações de amor pastoral, os mimos e pensava: Quanta hipocrisia. O corpo ainda sentia os “tapinhas” nas costas após os cultos. Onde estavam eles? Para onde haviam ido os meus grandes amigos?  Chorava! Apenas chorava!

Hoje não mais careço de culpar os outros. Cada um deve ser consciente das suas mazelas e deve queixar-se o homem de suas próprias faltas. Queixo-me das minhas, pois elas são renitentes em meu coração. Aqueles que também foram agentes do que é MAU que se vejam com Deus acerca dos males que causaram. Isso já não é comigo e o que era de mim já não é.

Foi nesse tempo de dor que aprendi a deleitar-me mais que nunca nas águas tranquilas, conduzido pelo Pastor que em nada me faltou. Achei o refrigério da graça e da bondade daquele que esteve comigo “no vale” mais tenebroso e que não me abandonou quando toda bondade, toda gratidão, toda amizade e lealdade dos que um dia me ofereceram a destra da comunhão, me faltaram. Foi nesse tempo de dor que os “rios da graça” inundaram minha alma através de homens e mulheres que o Pastor Supremo pôs em meu caminho.

VOLTANDO AS RUPTURAS...

Das rupturas causadas, das separações, das interrupções foi resultante uma fuga da vocação. Vi-me cada dia menos indigno e incapaz de ser pastor do rebanho de Cristo. E ainda olho e digo: NÃO SOU CAPAZ! Não sou mereço, não posso, não vou. E quanto mais digo isso, mais sou conduzido a perceber que devo ir, que devo cuidar, que devo amar e que não haverá satisfação em minha alma se não cumprir aquilo para o qual ELE me comissionou. Não tem jeito, sou pastor, amo gente, amo vidas e alimentar o Rebanho d’Ele é uma tarefa da qual não há como fugir.

Nesse tempo minhas convicções acerca de Deus e de seu amor em nada mudaram. Na verdade, pude experimentar na prática o cuidado e a preservação do Senhor da graça sobre minha vida. Sua bondade e misericórdia se evidenciaram ainda mais em meio às dores mais intensas que minha alma viveu.

O que se asseverou ainda mais foi minha total aversão pela religiosidade, por essa doença vil e aprisionadora do igrejismo, pelos seus agentes, pelos aproveitadores da fé. Hoje mais que nunca, odeio essa religiosidade perniciosa que transforma prédios em santuários e homens em deuses. Abomino do mais íntimo do meu ser esse sistema religioso que condiciona o derramar da bênção de Deus a atos obedientemente zumbídicos e controlados pelas mãos dos “reis da fé”.

Meu coração ainda mais tem ojeriza a essa “ingreja” que apresenta um deus “sabor de mel”, um  velho medíocre e “vingancista” pronto a destruir num piscar de olhos os inimigos que os “apóstolos” de plantão elegeram para a “ingreja". Minha alma repudia veementemente essa religião que impõe pesos, agruras e cruzes que Cristo não impôs.

...UM RECOMEÇO

Esse texto é mais que uma confissão de culpa, é mais que um lamento pelos que deveriam ter sido, mas não foram. Ele marca o desejo sincero de recomeçar, de refazer, de estar nos caminhos do Redentor e ser meio pelo qual os amados de Deus encontrarão a Palavra da Redenção.

Não irei mais fugir...reaprenderei, me refarei, consertarei o consertável e voltarei a fazer o que mais me deu satisfação até hoje, cuidarei do rebanho que tem Pastor.

Não busco mais os títulos, os cargos, os poderes, os tapinhas, os louvores. Não almejo honrarias, lugares, banquetes da fé, aplausos.

Careço apenas de uma Bíblia, já tenho! O povo? O Pastor proporcionará o encontro. Quero apenas ser instrumento do REDENTOR.

É hora de uma caminhada suave conduzido pelos CAMINHOS DA REDENÇÃO.

Crer. Viver. Compartilhar!

           
Caco Pereira

            

quarta-feira, 1 de junho de 2016

AVE MARIA

Em março de 2011 escrevi esse texto. Hoje dando uma passada aqui no Ortopraxia, entendi que era tempo de falar sobre esse assunto mais uma vez... 

Desejo que algumas reflexões sejam promovidas pela leitura tranquila dessa breve pastoral.

Um grande abraço



Outro dia na mesa de um restaurante ouvi a seguinte pergunta: Ricardo (na verdade fui chamado por um apelido carinhoso. Apelido esse que somente essa tia e sua filha podem usar. rsrsrs – censurado) o que vocês (protestantes) pensam sobre Maria?

Sabe quando alguém faz uma pergunta e você agradece a Deus pelo privilégio de poder respondê-la? Então, foi assim que me senti naquele momento. Alguns dias antes eu havia comentado com que escreveria sobre esse assunto. Tinha agora a oportunidade de “testar” meu texto e isso enquanto degustava um bom churrasco em companhia de pessoas que amo.

Disse exatamente o que penso. Nada mais do que a Bíblia diz sobre essa serva abençoada do Senhor. Maria foi sem dúvida alguma uma jovem (adolescente) muito dependente do Deus de sua vida. Demonstrou confiança, humildade, mansidão e submissão. Por tudo isso, é sim um dos maiores ícones da fé cristã.  

O anjo vai ao seu encontro e em uma frase que já diz muito, mas muito mesmo sobre quem é essa moça: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo! (Lucas 1.28). Nossa que afirmação magnífica! Imagine-se no lugar dessa garota de aproximadamente 16 a 20 anos. Ela acabara de ouvir que deveria alegrar-se, pois era cheia do favor não merecido de Deus e que Ele mesmo era com ela. A menina judia mal sabia que a graça do Senhor sobre sua vida a faria meio pelo qual o Salvador, o Rei dos reis tornar-se-ia homem (Lucas 1.30).

A menina teve medo, mas logo recebeu do anjo palavras que certamente começaram a encher seu coração de paz.  Ela seria instrumento pelo qual o Filho do Altíssimo, o herdeiro do trono de Davi tomaria forma humana (Lucas 1.31,32). Mas o que é fantástico ao ler sobre o encontro do anjo com Maria é o relato de sua resposta: “Eis aqui a escrava do Senhor. Aconteça comigo segundo tua palavra”. (Lucas 1.38). Que dependência, disponibilidade! A jovem estava colocando em risco todos os seus sonhos ao lado de José – afinal de contas como explicar a gravidez quando ainda não “conhecia” homem algum? Como dizer para seu futuro marido, que não o traiu, mas que carregava no ventre uma criança? - O QUE VOCÊ FARIA NO LUGAR DELA?

Pois bem, penso de Maria exatamente o que Bíblia me diz sobre ela.  E sinceramente, vejo duas “marias” sendo propagadas por aí e ambas não refletem a humilde serva do Senhor. A primeira é vista, aclamada e venerada como co-Redentora, uma espécie de quarta pessoa da divindade. Tem poderes de intercessora, pode fazer milagres, é tão ou em alguns momentos, mais importante que o próprio Filho. Essa Maria em nada se compara a jovem humilde, escrava, dependente da graça. Ela é sofisticada, pomposa, tem vários dias de comemoração especial. É adorada (venerada como alguns dizem – significa a mesma coisa) em diversos santuários, tem músicas especiais e ainda tem direito a frases que a colocam em papel imprescindível para a fé cristã. Você nunca leu TUDO COM JESUS. NADA SEM MARIA?

Pois bem, essa não pode ser a Maria da Escritura. Não é a moça que cantou: “Minha alma engrandece o SENHOR e rejubila meu espírito em DEUS, MEU SALVADOR, porque olhou para a humildade de suaSERVA. Eis que desde agora me chamarão FELIZ todas as gerações, porque grandes coisas fez em mim o PODEROSO cujo nome é SANTO. Sua misericórdia passa de geração em geração para os que o temem.” (Lucas 1. 46-50).

A Maria da Bíblia jamais quereria ser adorada, pois é uma adoradora. Em momento algum requereria o título de RAINHA, pois se submeteu ao privilégio de ser ESCRAVA DA GRAÇA sob a mão do PODEROSO. Essa FELIZ serva do Senhor não precisa ser tida como virgem eternamente para ter meu respeito e até gratidão. A Escritura registra que ela teve a BÊNÇÃO DE SER MÃE DE OUTROS FILHOS ALÉM DE JESUS (por favor, leia na sua Bíblia o evangelho de Marcos 6. 1-3). A Jovem mãe do Jesus não foi concebida sem pecado (apenas Jesus foi – se houvesse nascido sem pecado seria uma deusa e a Bíblia não a trata como tal). Ela também não teve seu corpo elevado ao céu (a Bíblia não diz a forma como ela morreu, mas se houvesse tido tão importante destino certamente haveria registro).

Há uma segunda “Maria” bastante difundida. Uma mulher sem virtudes, sem respeito, sem reconhecimento. Essa é “maria” dos evangélicos. Ela surge como uma espécie de resposta à primeira. REPOSTA MUITO MAL DADA, DIGA-SE DE PASSAGEM. 
Deixar de reconhecer quem foi o essa mulher extraordinária é não é ser fiel a Bíblia.  Os “crentes” são especialistas em exaltar servas fantásticas como Sara, Rebeca, Raabe e tantas outras. Isso é muito bom. Mas Maria, a moça dependente do Senhor é posta de lado. E não vejo dentre servas e servos de Deus, ninguém que como Maria, tenha evidenciado de forma tão prática o que é submissão ao Senhor.

Maria era sim uma mulher simples, falível, pecadora. Mas foi sim fundamental na execução dos planos de Deus para a vida daqueles que seriam salvos por meio de Cristo. O Senhor Deus quis dá a esta humilde serva o privilégio de ser instrumento nas mãos d´Ele para execução dos Seus planos. Assim é que deve ser vista, como um exemplo de cristianismo prático. Mas não como uma “deusa” nem, como uma qualquer, sem papel no Reino de Deus.

Quero muito ser pai de uma menina. E quando minha pequena nascer quero ensinar-lhe a viver olhando os grandes nomes da fé e aprendendo deles. Maria a menina corajosa e humilde de Israel é sem dúvida o maior exemplo de serva de Deus que um pai pode querer ensinar para sua filha.

Enfim, rejeito as duas “marias”, mas deleito-me pelo privilégio de ser irmão pelos laços da Cruz da verdadeira Maria, a Maria da Bíblia a Maria que exalta ao que tem que ser exaltado.

Que o Deus de Maria nos cuide!

Um abraço carinhoso,
Caco,
um irmão de Maria




PS.: Todos os textos bíblicos citados foram retirados da Bíblia Sagrada co-edição VOZES E SANTUÁRIO (Versão Católica).     


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

ADORAR EM MEIO A DOR




Por esses dias recebi uma notícia muito ruim, algo que me foi dado pelo Senhor Deus, me foi tirado. Não pretendo discutir sob hipótese alguma. Com relação a isso, vivo momentos de intensa paz e comunhão diante do Senhor, mesmo em meio a imensa dor que tal perda me tem causado.

Essa paz é fruto de alguns entendimentos à luz da Palavra d’Ele. É resultante da decisão de ADORAR EM MEIO A DOR. O livro de Jó muito tem contribuído para essa firme decisão. Por isso, quero compartilhar com vocês um pouco do que tenho aprendido com as experiências de um homem conhecido por sua paciência, integridade, retidão e fé. Mas que foi meramente religioso e pecador. Que se viu arrasado ao constatar que a tal “meritocracia”, que a sua justiça pessoal, que suas virtudes de fé, de integridade e tudo mais em qual pudesse estar fiado, não existem diante de Deus.

Venha comigo, vamos perceber em Jó que é possível ADORAR EM MEIO A DOR.

Antes de mencionar a experiência de ADORAR EM MEIO A DOR, deixem-me dizer uma coisa simples: Satanás só agiu contra Jó porque DEUS MANDOU! Deus é o Senhor de tudo, inclusive do Diabo, que nada mais é que um “cachorro seguro sob a mão do Poderoso Dono”. Essa ação limitada promoveu em Jó a maior experiência que um homem pode ter, o encontro consigo mesmo e com o Senhor de sua vida. Essa convicção é sem dúvida base para adoração e paz meio às mais cruéis dores.

Agora, dê uma olhada no verso 21 do capítulo 1. Jó recebera as mais avassaladoras notícias que alguém poderia ouvir. Perdera tudo o que tinha, inclusive os filhos, maior herança de um homem.

Ele então bradou que não aceitava aquela situação? Determinou a vitória imediata? Buscou restituição? Não. Jó adorou em meio a dor! Vejamos três aspectos fundamentais da adoração no início do "calvário" de Jó.

     1. Ele começou pelo reconhecimento de sua pequenez – 21a

A condição de se humilhar diante de Deus como fator fundamental à adoração é vista em toda a Escritura. Veja os casos da Parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas 18), nos profetas que não se consideram dignos de estar diante do Senhor (Veja por exemplo Isaías 6). No verso 20 Jó humilha-se em uma dor indizível, rasga suas vestes, raspa a cabeça e adora.

Essa adoração é marcada pelo reconhecimento de que jamais foi dono de nada. Que nasceu nu, pobre, sem bens, filhos, honras, poderes. Apenas nu.

Ninguém pode aproximar-se como adorador sem antes reconhecer que não tem nada que seja seu. Essa visão gerará antes de mais nada, a sincera gratidão por qualquer coisa que Deus dê. Promoverá no coração a conformação em meio as maiores dores e aflições, em momentos de perdas. Afinal de contas, como perder aquilo que de fato nunca foi nosso?

Bens não são nossos.  Filhos não nos pertencem. Honras, dons, poderes, aplausos, reconhecimento. Nada é nosso!

2. Ele reconheceu o Senhor como Doador de tudo – 21b

Jó diz que o senhor deu. O Senhor tomou. Sim, ele é o Dono. Tudo lhe pertence e não há nada, absolutamente nada que não esteja sob seu poder, domínio e direção. Deus não é um velho louco que, cansado da lida, largou tudo nas mãos dos homens e correu para tirar férias do mundo.

Ele é o Senhor absoluto de todas as coisas. Governante Soberano de tudo. O Salmo 93 é a perfeita declaração dessa soberania. Reina o Senhor. Revestiu-se de Majestade! (Glória a Deus!!). No Salmo 24 as portas se abrem para que entre o Rei da Glória. Ele é o Senhor forte e poderoso. 

Jó compreendeu que esse Deus era o Dono de tudo, de seus bens, de suas honras, reconhecimentos e de seus filhos. Sim, os bens pelos quais trabalhou, a honra que “conquistou” durante muitos anos de vida, os filhos a quem criara com amor e ensinando a temer e adorar ao Senhor, nunca pertenceram a Jó e ele compreendera isso de forma imensamente dolorosa.

Reconhecer Deus como doador de tudo o que temos gerará a mais completa convicção de que Ele é na verdade, o dono do que temos e somos. Isso impedirá que sejamos insubmissos, rebeldes, revoltados conta a vontade do Dono. Promoverá em nossos corações a sublime e amorosa submissão ante o Trono do Soberano.

3. Ele bendisse o nome do Senhor – 21c

Reconhecer a sua condição de “senhor do nada” e a de Deus como “Soberano sobre tudo” fez com que o humilhado, consternado, dilacerado Jó, pudesse bendizer ao Deus de sua vida em meio a dor.

O texto santo diz que ele bendisse ao Senhor. Uma canção pentecostal diz que Jó falou para todo inferno escutar. Não. O adorador não tem interesse em que mais ninguém saiba de sua adoração, exceto O ADORADO. Deus, apenas Deus é o foco, o objeto, o centro da adoração e Jó adorou. Obviamente a adoração promoverá proclamação, mas o adorador tem interesse fundamental no Senhor, em agradá-lo, em reconhece-lo.

Mesmo com as perdas, com as dores e lamento, havia um motivo para bendizer e Jó, apesar de ainda não ter tido um “ápice” nessa relação com Deus (depois chegaremos lá), pôde prostrar-se como adorador.

Reconhecer quem somos e que nada temos, promoverá reconhecimento de quem Ele é, o que tem e o que nos deu. Quando isso acontece somos levados a nos humilhar em constante gratidão e submissão diante d’Ele. Adoração sem esses elementos é apenas aparência.

      Em meios às dores que vivo nos últimos dias decidi que não vou atribuir a mais ninguém, exceto ao Senhor os sofrimentos de agora. Sim, Ele deu e tomou!

            Decidi que não vou fazer nada além de me humilhar ante o Trono da Graça.

            Reconheço que não tenho nada.

            Reconheço que tudo é d’Ele.

            Então bendirei ao Senhor!

    Minhas firmes convicções e a imprescindível dependência de sua bondade e misericórdia levam-me a submeter-me a Sua vontade Soberana, convicto de quem em tudo Ele coopera para meu bem (Romanos 8.28).
       
        Tenho a plena convicção de que assim como Jó, no tempo oportuno me alegrarei com o que o Senhor tem preparado e sei que o regresso será em paz, refrigério e tranquilidade, sob a condução do Supremo Pastor.
           
          Por fim:  Paz para adorar. Paz em adorar!






Caco Pereira
Crer. Viver. Compartilhar! 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

OLHANDO MUITO MAIS ALÉM




Escrevi esse texto há um tempo atrás. Resolvi publicá-lo novamente, com algumas leves alterações. Ele representa meu grande desejo para sua vida. Que Deus nos cuide e nos dê um ano de paz e com os olhos capazes de enxergar muito mais.  



Nada me deixa mais maravilhado e sensibilizado do que a contemplação da obra criada pelo Senhor observada calmamente. Por isso, o texto de hoje é uma tentativa de levá-los a contemplar uma das mais belas e fascinantes obras da criação, o MAR (talvez a que melhor expresse a grandeza do Criador). Porém, desejo que o façam vendo-o como uma imensa parábola acerca da ESPERANÇA (parece confuso, mas pode ser encantador...). Faça-me um favor imenso ao ler esse texto: por gentileza imagine o cenário descrito, faça-se personagem, contemple e “devocionalize”.

Era mais um dia comum, Ele ia levá-la ao trabalho como de costume. Mas resolveram parar um pouco e contemplar o mar. Foram ao mirante, ficaram observando um barco bem distante, ouvindo o ruído das grandes águas. Passaram então a conversar sobre a grandeza do mar, o ruído das águas e um dos dois falou sobre o que vem depois do horizonte. Daí a conversa mudou de perspectiva, falaram não mais do mar, mas do Deus que o criou, não mais do horizonte simplesmente geográfico, mas da incapacidade humana de enxergar apenas até onde os olhos podem ver. Então ele disse: - Olhar depois do horizonte é enxergar as bênçãos além do alcance da visão humana limitada – Seus olhos estavam marejados. Eles agora podiam contemplar a grandeza da Esperança que lhes dava prazer em viver.

Essa breve parábola mostra muito da nossa realidade. Nalguns momentos paramos e olhamos o “MAR”, enxergamos nada mais do que está ao alcance dos olhos. Somos temporais, circunstanciais, existenciais. De certa forma, somos social e eclesiasticamente preparados para o agora, para o que é palpável já. Quando pensamos em bênçãos, vislumbramos coisas, acontecimentos, milagres, curas e tudo mais que possa alimentar-nos agora, que preencham os nossos vazios no momento, que satisfaçam nossa miserável esperança no JÁ (1Co15.19). Mas essa é a perspectiva bíblica? Quando olhamos a cosmovisão celestial somos convocados a ser tão transitórios?

A Carta do Espírito Santo aos Hebreus ao comentar a esperança dos heróis da fé (Hebreus 10-12), mostra-nos que sua imensa dignidade, da qual o mundo não era digno dava-se pela ESPERANÇA que tinham. Eles não almejavam a Canaã transitória, não punham suas esperanças naquilo que é perecível. Abraão, Isaque, Jacó, Moisés, Davi e todos os que morreram em Cristo foram ensinados pelo Senhor a viver sob a perspectiva daquilo que está além do alcance dos olhos. Eles aprenderam a olhar aquela cidade cujo arquiteto e fundador é o próprio Deus.

Sabe querido, assim como o casal da nossa parábola, muitas vezes sentamos e vemos barcos, ondas bravias, alguns tsunamis, vemos até onde os olhos deixam, mas não somos capazes de perceber pela fé que além, muito além dos que os olhos alcançam há um futuro imensamente glorioso, eterno, cheio de paz e vida abundante para aqueles que são capazes de olhar para o Autor Consumador de nossa fé. E o nosso imenso desafio como servos do Senhor Deus é ser capazes de não fixar os olhos no que é passageiro, no perecível. Somos convocados a manter nosso foco na Pátria que nos aguarda e não naquilo que irá passar.

Já vivi algumas dores e vi pessoas sentido dores. Uma delas chorava a perda de um filho, um moço de 35 anos, servo do Senhor. Seu pai olhou e disse: - Pastor, meu filho se acabou. O que dizer nessa hora? Apenas dei-lhe um abraço e disse: Meu irmão, nós dois sabemos que a nossa esperança não perece e por isso temos consolo, ELE ESTÁ BEM. Ele então respondeu: Isso é o que diminui minha dor! 

Olhar além do horizonte traz paz em meio as maiores dores meus queridos. Enxergar aquilo que os olhos não alcançam deve ser um maravilhoso combustível na vida dos que amam o Senhor.

O apóstolo Paulo foi alguém que aprendeu a viver na perspectiva de quem enxerga muito mais além. Por isso podia dizer que morrer é lucro (Fp 1.21). Exatamente por ser dessa forma, preocupou-se em fazer com que os crentes de Tessalônica fossem capazes de viver com o coração cheio da imperecível esperança (1Ts.13-18) e fossem por ela consolados. Então ele lhes escreveu dizendo que não deveriam ser como aqueles que não tem esperança, ao contrário, suas vidas seriam plenas de alegria se fossem cheios da certeza de que ressoada a trombeta, ouvida a voz do arcanjo, os mortos em Cristo ressuscitariam e os vivos seriam transformados para que pudessem reinar com o Senhor eternamente. 

Meus queridos, isso está além daquilo que podemos compreender, está muito distante da nossa perspectiva! Nossa mente limitada não consegue assimilar intelectualmente isso. Crer é ver além dos olhos e essa é uma certeza pela qual devemos viver todos os nossos dias.

Espero que você ainda esteja sentado comigo contemplando o mar. Olhe novamente as ondas, elas parecem imensas, veja o tsunami destruidor, perceba que pode haver tubarões... O mar é imenso, mas é tão pequeno, o horizonte é distante, mas é logo ali... O imenso mar é tão diminuto perante a face do CRIADOR... O horizonte reserva algumas surpresas, mas aquele HORIZONTE guarda as mais maravilhosas, imperecíveis e eternas alegrias para os que são capazes de manter-se em todo tempo com os olhos fitos no Autor e Consumador de nossa fé. Sendo assim, pare um pouco de ver as dores, as angústias, as tristezas da vida. Pare de aguardar em homens, não ponha mais sua esperança em qualquer coisa que não seja o Reino do Majestoso. Enxergue além do horizonte, veja aquilo que pelo sangue da NOVA ALIANÇA Ele reservou para todos aqueles por quem se deu na cruz! Viva de hoje em diante com a perspectiva de quem é capaz de enxergar além...

Olhar além do horizonte fará com que o ano seja realmente novo, o recomeço aconteça, o sonho seja perseguido, o alvo seja mirado, a amizade seja refeita, o amor reconstruído, o ministério restaurado, enfim, olhar além do horizonte porá nossos olhos no Autor e Consumador da nossa fé.



Deus nos cuide e nos faça ENXERGAR!



Caco Pereira
tentando olhar mais longe