segunda-feira, 9 de março de 2020

Graça, combustível para prosseguir na caminhada



 
 
Leia o Salmo 13

Muitas vezes somos levados a pensar que tudo acabou, que não há mais solução, que estagnamos, chegamos num ponto sem volta, sem solução. Nesses momentos, tudo parece perdido. Ficamos sem rumo, sem norte, sem chão. E curiosamente é exatamente aí que os amigos parecem sumir, as esperanças se esvaem e ficamos em total desespero.

 Tenho certeza que você já passou por isso, já esteve completamente ilhado, desolado, perdido. Talvez esteja assim agora! Talvez olhe para o lado e não veja ninguém, peça ajuda e não seja ouvido. Seja qual for a razão (cada um tem seus motivos de sofrimento e não nos cabe julgar as dores de ninguém), sejam dívidas, depressão, fim de relacionamento, decepções, ansiedade ou que for, isso geralmente nos faz chegar aos mais profundos vales emocionais.

Nalguns momentos pessoas querem ajudar e vem com jargões de fé que mais cooperam para nos afundar. Coisas do tipo “filhos de Deus não podem ser derrotados”, “você não foi ungido para perder” são ditas com o objetivo de ajudar, mas apenas lançam nossa alma em um poço de aflição e sentimento de culpa ou criam uma neura quanto a nossa filiação divina.

Você já leu o Salmo 13. Um texto extremamente ‘depressivo’ ou que evidencia um Davi no poço, na lama, no breu. “Até quando, Senhor? Esquecer-te-ás de mim para sempre? Até quando estarei relutando dentro em minha alma com tristeza no coração cada dia? Gente esse é Davi, o grande rei de Israel , o homem segundo o coração de Deus. Ele está DESESPERADO, AFLITO, PERDIDO, PERTURBADO!

 Quantas vezes não choramos, clamamos e ainda sim sentimo-nos sós? Meus queridos, carecemos não de jargões, mas mãos que se estendem! Braços que abraçam! Carecemos de cuidadores da alma, usados pelo Senhor!

Diversas vezes sofremos em imensa solidão, sem amigos, sem mãos, sem braços, sem abraços. Nessas horas é preciso entender o que chamo de ‘didática do choro’. É momento de compreender que quando estamos mais humilhados, contritos, moídos, mais angustiados é que somos levados como Davi, a entender que “No tocante a mim, confio na tua graça; alegre-se o meu coração na tua salvação”.  Como Paulo, nessas horas entendemos que o “poder se aperfeiçoa na fraqueza”.

Quando a dor nos solapa a sanidade, quando a alma é devastada pelo sofrimento, é fundamental recorrer a graça de Deus e nela, apenas nela encontrar o combustível do RECOMEÇO! Deus em sua bondade e misericórdia sara nossas dores, cuida das feridas mais purulentas de nossa alma e nos faz recomeçar!

Todas as vezes que as dores forem muitas, que os dissabores forem insuportáveis, choremos, clamemos, gritemos ante a face do Senhor, do Pastor, do Pai e então, como o salmista poderemos dizer: “Cantarei ao Senhor, porquanto me tem feito muito bem”.

Há um tempo, durante um período de muita dor e sofrimento escrevi um poema no qual a mais importante certeza pululava em minha alma e trazia consolo, paz e esperança.  Um trecho dele diz assim:

Quando a dor é imensa, quando todos se vão;
Quando a alma está só e não há proteção;
Quando não vejo sequer a mão de um irmão;
Quando em amigos não há solução.

Tu vens Senhor, me cuidas;
Tu vens Senhor, me amas;
Tu vens Senhor me honras;
Só tu Senhor! Só tu Senhor!

Nenhuma caminhada, nenhum recomeço será sem que antes nos lancemos humilhados e dependentes nos braços do nosso Deus de amor!



Pr. Ricardo Jorge Pereira (Caco)
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sábado, 25 de janeiro de 2020

Mãos estendidas, braços e corações abertos: colunas para quem busca recomeçar





Leia Lucas 15.11-32


Se começar a caminhada cristã é difícil, se andar no Caminho nos reserva muitas vezes, dores, dificuldades e tristezas; recomeçar, voltar e refazer caminhos é indiscutível e indubitavelmente terrível. É muito pior.

Os que buscam recomeçar, muitas vezes encontram pedras em mãos que deveriam estar estendidas. São rejeitados por aqueles que os deveriam abraçar. Isso aponta para uma triste realidade: Nós que somos excelentes pregadores do perdão, somos por diversas vezes a maior contrapropaganda da Boa Nova que anunciamos. Depois de perdoados, achamo-nos senhores do juízo e não servos do perdão em Cristo. Não entendemos que se não perdoamos estamos evidenciando uma condição de não perdoados.

Muitas vezes agimos como o mais velho dos filhos pródigos aos ver tentando voltar à Casa do Pai, aquele irmão moído e quebrado em consequência de escolhas pecaminosamente desastrosas. Somos inclementes, cruéis e insensíveis. Evidenciamos um serviço mecânico, farisaico e baseado na meritocracia. Esquecemos que com o Pai não há méritos, virtudes, condutas que nos tornem aceitáveis. O único mérito válido é o de Cristo.

Precisamos entender que ninguém que de fato ame a Cristo e tenha n'Ele encontrado misericórdia, graça e remissão, deve ser punido ad aeternum. Não somos senhores juízo. Cristo é. Apenas Cristo!

Os que recomeçam não carecem de aplausos, de afagos, muito menos de contemporização. Precisam de amor, exortação e disciplina. Carecem acima de tudo de uma sincera comunhão que os recebe como irmãos amados, não como ‘crentes’ inferiores. Uma comunhão que anda junto, que tem compaixão, que ajuda nos recomeços e não se alegra com as dores do outro.

Que Deus nos conceda sabedoria, misericórdia e graça. Que Ele nos ensine a estender mãos, oferecer abraços sinceros e corações abertos aos que amam a Cristo, mas caíram e desejam se reerguer, recomeçar e caminhar com os olhos fitos no Autor e Consumador da nossa fé.

Um grande abraço de quem encontrou mãos estendidas, braços e corações abertos.



Pr. Ricardo Jorge Pereira
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sábado, 24 de agosto de 2019

Eu pior pecador, pastor dos piores pecadores!



Esse não é um texto agradável. Ao menos não é escrito para agradar. É na verdade uma confissão, ou um amontoado delas. É também, de certo modo, uma denúncia contra o que chamo de ‘santarrice travestida de piedade’. Em última análise, é um convite. Sim, um convite.

Eu sou um pecador miserável. Travo diariamente lutas dentro de mim contra o que de pior há em mim mesmo. E por ser quem sou, muitas vezes perco as batalhas diárias. Magoo a mim mesmo, àqueles que amo e acima de tudo, entristeço ao meu Senhor. Não me orgulho disso. Sou um pecador, o pior deles! Arrependido, porém ainda pecador!

Muitas vezes me vi ainda me enxergo indigno de sequer ser chamado de cristão. Por ser assim, encontro-me incapaz, incompetente e completamente imerecedor de proclamar os maravilhosos feitos do Senhor! Sou muitas vezes vil, sujo moralmente, duro em agir contra o Grande Rei.  Meu coração é desesperadamente corrupto e muitas vezes se apressa para o mal. Por muitas vezes, o bem que almejo fazer e que sei ser agradável ao Senhor, não me é assim, e por isso prefiro o mal!


Não quero, não vou e não preciso listar os meus ‘piores pecados’. Primeiro e acima de tudo, porque conheço e vivencio a real dimensão do que é ser perdoado. Segundo, porque não é este o objetivo do texto. Terceiro, porque todos os pecados são ‘piores’ diante de Deus. Mas quero asseverar que sou o pior dos pecadores! Se fosse um dos personagens da parábola do fariseu e do publicano (Lucas 18:9-17), tenham certeza que estaria bradando: Ó Senhor, sê propicio a mim pecador! Ou estaria como Isaías dizendo que sou um homem de lábios impuros, que habito no meio de um povo de impuros lábios (Isaías 6). Sim, essas são minhas confissões!

MAS, Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, dois quais eu sou o pior! SIM, fui alcançado, perdoado, moído, transformado e estou sendo santificado pela GRAÇA do SUPREMO PASTOR! E vivo agora ‘entre dois mundos’, numa luta constante entre os dois ‘eu’. Ainda sou o pior dos pecadores, mas já sou uma ovelha do Senhor! E não há absolutamente nada que eu ou qualquer outra pessoa façamos que mude isso. Eu pertenço a Cristo!

O sistema religioso vigente é incapaz de conviver piedosa, pastoral e amorosamente com a realidade de que, embora sejamos novas criaturas, ainda somos miseráveis pecadores. O sistema religioso oprime, aprisiona, faz sofrer e ‘morrer’ a fé de gente que embora ame ao Senhor, ainda luta desesperadamente para resistir aos ‘prazeres do pecado’.


A igreja fabrica adeptos ao sistema. Pessoas se convertem, mas não a Cristo e sim a um amontado de regras, ditames, procedimentos, normas, cláusulas, confissões, enfim, líderes conduzem ovelhas ao que chamo de ‘matadouro do igrejismo’. Quando deveriam apenas conduzi-las, pela Palavra ao trono do Grande Rei.


Vivenciamos uma época de ‘santarrice travestida de piedade’ e não de busca pela santidade. Não toque isso, não coma aquilo, não ouça tal música, são formas de prender, de controlar, de aprisionar as ovelhas que foram chamadas à conhecer e serem libertas pela Verdade.


Conheço pessoas que amam de verdade ao Senhor, mas estão entristecidas, maltratadas, ‘jogadas’ na sarjeta da fé, pelo simples fato de que não se enquadram mais nos padrões. Eles cometeram alguns dos pecados ‘imperdoáveis’ pela igreja ou se opuseram ao compasso, ao sistema (o que é um pecado ‘imperdoável’). Agora são indignos, incapazes, descartáveis. São seres abjetos, indesejados, nocivos... Na melhor das hipóteses, são crentes de ‘segunda linha’, afinal de contas, não poderão ser exemplo para o rebanho, é o que dizem os mestres santarrões.


Davi, Abraão, Pedro, Sansão, Salomão estariam nesse time. Eles não caberiam na igreja dos santarrões! Ah! E se você é um desses santarrões, fique tranquilo, esse texto é uma denúncia contra você. Sim, contra você que é hipócrita, dissimulado, sorrateiro e que se orgulha de ser assim.


Eu sou um pecador miserável. O pior dentre todos os meus irmãos. Até outro dia era apenas um pobre pecador. Eu era perdido sem Deus... Mas Jesus estendeu a Sua mão para mim. Hoje, apesar de ser quem sou, vivo pelo que Cristo É em mim.


E você, quem é? Se sua resposta for: Sou um exemplo de homem, um cristão digno de respeito e merecedor de honras... Faça-me um favor, feche a aba do seu navegador. Não continue a leitura. Viva no seu maravilhoso mundo da ‘Hipocritolândia’.


Mas se assim como eu, você dirá que é o principal dos pecadores, continue a leitura.


Se você se vê indigno, sem merecimento, sem virtude que lhe assegure qualquer direito diante do Grande Rei. Se você luta diariamente contra os pecados que lhe perseguem a alma. Se você não cabe nesse sistema de santarrice, de culto aos padrões do igrejismo, se é tido como ‘um crente de segunda linha’, alguém cujos dons e talentos são desprezados em virtude da falta de perdão humano para pecados pelos quais Cristo pagou um alto preço, se você é um ‘ponto fora da curva’, tenho um convite para você.


Vamos caminhar juntos! Sim, Eu pecador, o pior dentre eles, sou pastor, mas só quero sê-lo de pessoas olham para dentro de si e reconhecem sua total incapacidade de adentrar no Santo dos Santos e adorar ao Grande Rei. Pessoas que não veem em si mérito, virtude, bondade ou qualquer outro atributo que lhe assegure alguma relação especial com Deus. Quero ser pastor de gente que se olha e diz CRISTO, SOMENTE CRISTO É BOM, eu sou o pior dos pecadores!


Quero andar com a escória, com a ‘palha da sociedade’, com aqueles de quem a igreja tem escondido o rosto. Quero andar e cuidar de todos, não importa quem são, quais experiências viveram, quais dores carregam na alma, quais pecados cometeram, porque no final das contas, cada um de nós é exatamente a mesma coisa: PECADOR! Somos a escória, preferimos o pecado e apenas um, somente um poder dar ao homem SALVAÇÃO, Cristo, Grande Rei! 

Quero andar com pecadores que como eu, reconhecem suas mazelas, sua maldade, sua pecaminosidade e vivenciam a luta diária para suplantar o 'velho homem' e fazer vencedor o 'novo homem', forjado ao caráter de Cristo. Você é um pecador arrependido e em constante luta? Então esse convite é para você!

Estou pronto a estender a mão, ajudar você a se erguer e a refazer seus caminhos. Meu dedo não estará em riste apontando seu pecado (seja ele qual for). A Bíblia fará isso e o Espírito lhe conduzirá. Minha mão não terá pedras para atirar, afinal de contas, sou o pior dos pecadores. Quero ser o instrumento pelo qual você ouvirá: ‘vá e não peques mais’. Mas desejo também ser suporte, ser amigo, ser pastor, ser irmão para chorar as suas dores, sorrir seus sorrisos e vivenciar a cada dia a maravilhosa experiência de, sendo um miserável pecador, lembrar que pertencemos ao MISERICORDIOSO SENHOR!

Não me importa o seu pecado. Vou denunciá-lo por meio da Palavra!
Não me importa seu pecado, vou amar você em obediência a Palavra!
Não tenho pedras! Tenho mãos estendidas, braços e coração abertos!
Sou pastor da Igreja do Redentor. Sou ovelha do Cristo que é Redentor
Do Cristo que de mim, o maior pecador, fez pastor do rebanho do Senhor.

Eu pior pecador, pastor dos piores pecadores!
  
Vamos caminhar juntos?!

Pr. Ricardo Pereira

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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Uma carta aos que SÃO, mas não ESTÃO



Há alguns anos, depois de ter passado por um processo de amadurecimento teológico, pastoral e de vida, escrevi o texto que você passa a ler. Amigos e leitores que já leram-no anteriormente, se identificaram com o que está escrito, se viram como num espelho, outros talvez tenham rechaçado o que foi posto, pois discordam veementemente de minhas palavras.

Independente de como você leu antes, quero lhe convidar a ler mais uma vez.  Se você discordou veementemente, disponha-se a olhar com misericórdia para o ‘outro’. Se você se viu no texto, desejo que olhe atentamente para algumas ponderações que quero fazer sobre o ‘ser, mas não estar’. É especialmente para você que reescrevo esse texto. O faço com o coração cheio de paz, a paz do suave recomeço, a paz de um pecador que esteve errante, mas foi pego ‘pela mão’ misericordiosa do Redentor, do Supremo Pastor e por Ele foi reconduzido ‘estar’, pois nunca havia deixado de ‘ser’.  Leia com carinho...

Durante muitos anos critiquei as pessoas que se diziam cristãs, subscreviam as doutrinas evangélicas, mas simplesmente não queriam mais congregar. Sempre me utilizei de textos como “Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.” Hebreus 10.25. Hoje depois de algum tempo convivendo com, e sendo mais um cristão protestante tenho algumas ponderações sobre esse assunto.

Conheço pessoas que de fato amam ao SENHOR, testemunham de Seu amor, graça e bondade, mas em determinado momento da caminhada resolveram tirar alguns pesos das costas. Servos que em dado instante viram que infelizmente a religião os afastava de Deus ao invés de aproximá-los. São ovelhas do pastoreio d’Ele, MAS foram feridas, magoadas, maltratadas e simplesmente se viram infelizes onde deveriam ser amadas, acolhidas, cuidadas, protegidas...

Continuo acreditando que é preciso congregar, que a igreja enquanto instituição é falha, mas que ainda é um ‘lugar seguro’. No entanto, preciso admitir que por muitas vezes, tem se tornado lugar de dor, de aflição, tristeza, decepção, frustração... Isso mesmo amado, hoje embora não concorde ou ainda relute com essa postura, eu a entendo. Sim, consigo calmamente dizer que encontro motivos justos para “aqueles que são, mas agora não estão”.

Não estou falando de pessoas que se dizem cristãs, querem viver uma falsa fé e por isso não aguentam ser Igreja.  Refiro-me a pessoas que foram regeneradas, justificadas por Cristo, que se tornaram operosas, firmes no amor ao Senhor, mas que foram tão moídas e afligidas onde deveriam encontrar refrigério que não suportaram o peso e precisaram “descansar das cargas da religiosidade”. Sim, conheço pessoas assim. Gente fiel ao Senhor! Gente que O tem como Soberano.

Já vi pessoas terem o passado remoído, a honra manchada, o nome jogado ao chão. Vi também calúnias serem levantadas, falsos testemunhos, mentira, hipocrisia. Testemunhei pessoas sendo postas “de lado” porque não tinham os mesmos costumes ou por terem opiniões diferentes. Isso tudo em nome da RELIGIÃO, dos ‘bons costumes’. Vi pessoas ‘crucificadas’ porque não baixaram a cabeça para o erro, porque não se subjugaram a decisões e posturas contrárias ao Senhor.

A fofoca, o disse-me-disse, a falta de amor, de solidariedade, de justiça, de perdão, as promessas vazias em pregações feitas para agradar o freguês e promover lágrimas fúteis são instrumentos usados pelo Diabo para simplesmente afastar pessoas da Igreja. E infelizmente preciso reconhecer que muitos líderes, muitos dos que deviam apascentar, apenas afugentam. São lobos em peles de cordeiro e querem devorar, destruir...

O pior de tudo é que não percebo esforços para trazer essa gente de novo para perto; é como se eles fossem descartáveis, indesejadas, imprestáveis... Até parece que existe alívio nos corações de muitos quando essas pessoas saem. O pastoreio perdeu-se em meio ao ativismo, ao evangelicalismo e a imensa postura empresarial e ditatorial das comunidades ditas cristãs. Parece-me que o pastor que vai a busca da única ovelha que ficou pelo caminho já não existe mais. A igreja tem deixado de ser IGREJA e por isso, perdido o seu perfil pastoral, cuidador, zeloso.

Sabem como passei a entender esses queridos? Quando comecei a refletir como eles, quando me senti como alguém que “é, mas não quer estar”. Adquiri nos um costume meio solitário, mas altamente devocional. Pego o carro e saio dirigindo acompanhado unicamente por Aquele que não me deixa em tempo algum. Nem importa para onde estou indo, apenas com quem estou... Nesses momentos ponho meu coração, sonhos, angústias, pecados, enfim, ponho-me diante d’Ele. Exatamente em situações como essa reflito sobre a coisa institucionalizada demais, burocratizada demais, medida demais, farisaica demais em que estamos transformando a NOIVA do Cordeiro.

Um dia desses percebi que não me encaixo nessa coisa toda. Não sou um desses supra-santos, não sou infalível, impecável. Sou um pecador miserável, sem dignidade, sem merecimento, sem bens... Sou um desses que simplesmente não cabem numa igreja tão cheia de exigências pretensamente morais.

Ah! Mas sou pastor, pensei eu. Isso era apenas um eco do que escuto sempre que “não agrado” aos fariseus, aos “donos”, dominadores. Senti nesse momento como resposta uma paz tão doce em meu coração ao ter em minha mente um eco da graça que me dizia: “seja ovelha, pois é apenas isso que importa”.

Hoje creio de maneira ainda mais convicta que é preciso congregar, que é preciso crescer junto, aprender, caminhar... É sim doce a comunhão dos remidos do Senhor. Sei que grande parte dessa gente que parou de congregar não optou por estar fora da Igreja, apenas libertou-se de uma igreja tacanha, mesquinha, fofoqueira, sugadora e nem um pouco pastoral. É triste constatar isso, mas infelizmente a grande verdade é que muitos dos que “estão não são e diversos que são não estão”.

Tenho orado por uma Igreja acolhedora, amável, militante, proclamadora, piedosa, pastoral. Uma Igreja que ama o Seu Dono de tal forma, que não deseja outra coisa senão adorá-lO. E por ser assim, ela se ama. Por amar, cuida, protege, pastoreia. Essa Igreja, essa bela Noiva não exclui, ao contrário abraça e trata os feridos. Não aponta o dedo trazendo a tona o passado sujo do outro. Na verdade ela é instrumento do Senhor para restaurar as mais purulentas feridas.

Nas minhas orações, leituras da Palavra e em conversas com homens que temem a Deus, que O amam e que desejam honrá-lO em seus ministérios, fomos movidos pelo Pastor Supremo a entender que é possível buscar uma comunidade onde tais posturas, sentimentos e escolhas diárias sejam praticadas. Entendemos que é possível construir relacionamentos dignos do Nome que carregamos em nossas almas. É possível vivenciar ainda que de forma limitada as alegrias da verdadeira comunhão dos remidos do Senhor.         

Por isso, reescrever esse texto é mais do que simplesmente para dizer que continuo entendendo você. Sim, continuo! E sinto-me do mesmo modo. Mas hoje meu coração está cada dia mais instigado, movido e altamente motivado pelo desejo de contribuir para que assim como eu e outros queridos, ‘você esteja de volta e viva o que é e jamais deixou de ser’.  Quero ser instrumento pelo qual o Senhor lhe conduz de volta ao CAMINHO DA REDENÇÃO.  

Esse texto é para dizer que assim como eu e você, há uma ‘porrada’ de gente que ama o Senhor, que já sofreu um monte de mazelas pelas escolhas dos outros e pelas suas próprias. Uma gente que definitivamente não quer viver esse ‘evangelho superficial’ presente em muitos lugares. Um povo que apesar de desejar ardentemente um evangelho simples, relacional, amigo, pastoral, piedoso e relevante, ‘morre de medo’ de sofrer outra vez, de se decepcionar novamente e ter a alma moída. Sim, tem uma porção de gente que como nós, sente a mesma coisa. Essas pessoas precisam de alguém para caminhar junto, para bater um papo enquanto come uma pizza, para orar junto e para voltar ao CAMINHO DA REDENÇÃO.

Acho que já está na hora de você, eu e outros que somos, buscar outros que também são e estarmos juntos caminhando na busca por outros que ainda perceberão que são, até o dia em que de fato seremos um com o Senhor!

Sim, eu escrevi cada palavra dessa pensando em você. Em cada linha que reescrevi e em cada parte nova nesse texto, minha mente vislumbrou o rosto de cada irmão, irmã, filho e filha na fé, que o Senhor Deus me deu e que sei que apesar de ser, agora não está.  Por isso, ao ler imagine que eu estou falando diretamente para você, pois estou. Tenho certeza que você consegue me ‘ver’ falando cada palavra dessas. Mais que isso, você sabe que essa é uma verdade que arde em meu coração.  

Meu grande desejo é que você redescubra a alegria de estar e que esse redescobrir lhe faça desejar trilhar com o coração repleto de alegria o CAMINHO DA REDENÇÃO.

Que o Supremo Pastor nos faça SER, mais do que simplesmente ESTAR!


Pr. Ricardo Pereira
 @caco_pereira_




quarta-feira, 17 de julho de 2019

O aplicativo do 'envelhecimento', os medos e o futuro que realmente importa



Esses dias as redes sociais ficaram cheias de ‘velhinhos’. Um aplicativo deu a oportunidade de as pessoas vislumbrarem como ‘serão’ na velhice. Penso que nenhuma outra modinha causou tanto ‘alvoroço’ nas redes como esse.

Um amigo até me mandou uma versão minha, mais envelhecido. Eu ri e dei pouca importância. O futuro que me importa não é transitório, não é baseado em anseios, dúvidas, incertezas e medos ‘desta era’. O tempo pelo qual meu coração se enche de alegria é o do ‘dia da incorruptibilidade’, o ‘da morte sendo tragada pela vitória do Cordeiro’.  O futuro que me deleita a alma é certo; está consumado na eternidade de Deus. O anseio da minha alma é o Grande Dia do Cordeiro! (Leia 1Coríntios 15).

Dizer isto, crer nisto, não me impede de pensar no tempo presente e nos anos vindouros, ao contrário, crer em Cristo e ter n’Ele a convicção de eternidade me faz olhar para o amanhã, para o daqui há pouco, para os anos à frente numa perspectiva suave e confiante, apesar das dores e incertezas desta vida. Crer na eternidade com Cristo me faz saber que mesmo que venham dores, tristezas, lutas, medos, eu estarei bem.

Sei que um dia o vigor já não será, sei que as forças se esvairão, que os braços já não terão poder, as pernas não se susterão, os olhos não mais verão com precisão. Sei que não mais ouvirei com clareza, que o pensar pode não ser tão sóbrio, enfim, sei que por aqui as coisas podem não ser tão deleitosas. Mas tenho paz por acima de tudo, saber que no final tudo irá bem.  (Leia Eclesiastes 12). Na verdade, tenho paz pela firme convicção de que o final é o começo!

Mas prefiro pensar que a cada dia basta o seu mal e que posso ter prazer nos ‘bens’ que o Senhor me tem concedido. Por isso quero poder olhar meus meninos, minha menina e minha namorada/esposa com um olhar grato pela ação graciosa do Senhor que me concede o prazer de n’Ele descansar, esperar e confiar.

Prefiro viver o compromisso de acordar grato a cada dia e viver com o coração repleto de felicidade pelo amor indizível do Deus que me solapou da morte para o Reino de seu amor infinito.

Pensar assim faz com que o envelhecer não me cause medos, que as incertezas não me atemorizem a alma. Pensar deste modo, faz o coração deleitar-se no Senhor em cujas mãos entreguei humilde e confiadamente minha existência, depois de ter a mente aberta pelo Espírito que é Deus. Faço minhas primeiras perguntas: Quem sustenta sua vida? Quem é seu direcionador? Onde estão seu coração e confiança?(Leia Salmo 37).

Quero envelhecer vivenciando o amor do Senhor. Amor que a mim se revelou na juventude e do qual não me esqueço; e ainda que nalguns momentos tente, jamais conseguirei me ausentar de seus braços. Graças a Ele, somente a Ele, não me perco. Quero envelhecer lembrando que só O amo porque Ele me amou primeiro!

Quero envelhecer sendo amor! Que eu não queira esperar que os outros me amem como resposta ao meu amor! Amar é uma decisão que mantém meu espírito jovem, forte e cheio de vida! Por isso, que eu seja amor, ainda que os outros sejam desprezo e ódio! Que eu seja amor, mas amor nos moldes do Amor que se deu na cruz! Amor que não se perde em meio ao triste desamor desta vida pecaminosa.

Desejo imensamente viver a cada dia o amor dos meus amores de Casa, das ovelhas que o Senhor puser aos meus cuidados, dos amigos que no tempo o Senhor do tempo me fizer amar.

Que minha velhice, com a cara enrugada pelas dores da vida, marcada pelo aprendizado da lida, carregue consigo a sabedoria resultante de uma relação de intimidade com o Criador, do qual não quero esquecer e do aprendizado das lições do que vivi, sofri e observei. Que ela traga consigo a paz da comunhão, a gratidão pelas bênçãos e a convicta esperança de que mais perto estarei do Grande Dia!

Que no final dos meus dias eu olhe pra trás e continue enxergando a boa mão que me tem guiado, apesar de mim. E ao olhar para o futuro eu possa caminhar, ainda que lentamente rumo à cidade cujo Arquiteto e Fundador é Deus (Leia Hebreus 11).

Que eu possa olhar e em paz lembrar que jamais preguei para agradar  a outra pessoa que não, o Senhor Deus de toda minha vida! Que eu me alegre agora e no futuro pelo imenso privilégio de ser Boca de Deus.

E se eu não envelhecer? Bem, terei ido para Casa e estarei sorrindo cheio de gratidão.

Por fim, minhas últimas perguntas: E você, o que espera da sua velhice? Como está seu presente? Como olha para o futuro?

Que Deus lhe conceda a alegria de amá-lO agora e não temer o futuro!




Pr. Ricardo Jorge Pereira