terça-feira, 25 de julho de 2017

CONVERSA DE MISERÁVEIS: É POSSÍVEL REFAZER CAMINHOS



Leia por favor 2Samuel 12 e o Salmo 51

Você já cometeu falhas enormes? Na caminhada da vida e da fé errou o caminho? Perdeu o rumo? Ficou sem norte e pediu a morte? Já agiu de um modo intensamente contrário aquilo que era comum em sua vida? Despedaçou o próprio coração e o dos outros em virtude de decisões e posturas incoerentes com seu caráter e crenças?

Se já passou ou está passando por isso, sente aí, acomode-se e vamos conversar, vamos bater um papo de miseráveis, um papo entre pessoas que contrariaram o próprio senso de justiça, de santidade e bondade.
                                                                                       
Vamos falar sobre esse sentimento horrível de culpa, de dor. Tratemos dessa angústia miserável que assola o coração e nos faz sentir as piores pessoas do mundo, os mais condenáveis dos pecadores, os mais indignos de qualquer bem. Venha, vamos conversar sobre a luta intensa entre o que somos e o que deveríamos ser.

Mas deixa eu dizer que não estamos apenas nós dois, tem um cara que esteve na mesma situação que nós. Quem é ele? Vou deixar que ele se apresente.  Venha amigo, fique a vontade:

Olá, eu sou alguém que foi chamado de “homem segundo o coração de Deus”. O maior rei que Israel já viu. Sempre fui tido por justo, decente, misericordioso e compassivo. Compus lindos salmos, cantei para o rei que me antecedeu, lutei contra os inimigos do povo de Deus e venci. Sempre fui considerado um bom homem e misericordioso, inclusive com os que tramaram o mal contra mim.

Porém fui um péssimo pai, injusto em meus julgamentos, covarde na aplicação da disciplina justa. Mas o ápice do meu pecado, a “coração” da devassidão foi quando desejei e tive para mim a mulher de outro homem. Ela era linda, eu a quis e a tive. Ela engravidou e eu precisava que o marido assumisse o filho, então tentei armar de todo jeito para que eles tivessem relações, mas isso não aconteceu, então tramei a morte dele. Sim, eu um homem de Deus, um homem segundo o coração de Deus, o ungido do Senhor! Eu fiz tudo isso! 

O que concluí ? Sou um grande pecador, um miserável e injusto homem. Não há em mim nada que possa ser reputado por bom! Sou um homem completamente desprovido de qualquer virtude. Deus sempre será considerado puro no falar e completamente justo no julgamento a meu respeito. Concluí que mereço a condenação. Mereço a morte! Eu, Davi, o grande rei de Israel não passo de um miserável pecador!

Mas esperem um pouco. Quando concluí o que sou e o que mereço, prostrei-me ante os pés do Grande e Poderoso Deus, coloquei-me em total humilhação, contrito, quebrantado, moído, confrontado pela verdade da Palavra de Deus e clamei pelo perdão, clamei por ter de volta a alegria de pertencer Àquele do qual jamais me perdi. Busquei no mais íntimo de minha alma as forças para clamar pelo perdão. E o Senhor ouviu meu clamor, perdoou-me e me fez perceber que é possível refazer caminhos, reaprender a adorar e que não há culpa que não seja perdoada pelo Deus de misericórdia.

Sofri as consequências dos meus atos. Deus executou seu juízo contra mim sim, mas agiu com misericórdia, poupou-me e reabilitou-me a servi-lo com integridade e pureza de coração.

Queridos, a história de Davi não é uma licença para o pecado. É na verdade uma enorme exortação a uma vida santa. Em Davi somos levados a perceber que os pecados embora perdoados, deixam marcas e consequências que trazem dor e sofrimentos para nós e para quem amamos.

Mas essa história também nos faz ver que por mais que tenhamos nos tornado odiáveis, cruéis e terríveis em escolhas pelo pecado, Deus o nosso Deus é Senhor da misericórdia que Ele pode nos devolver a alegria da salvação. Ele perdoa e reabilita todos aqueles que de fato lhe são filhos.

Não temos licença para pecar, mas temos a convicção absoluta de que apesar de nossa pecaminosidade, de nossa luta constante contra o pecado que em nós habita, apesar de nossa natureza pecaminosa, o Senhor Deus age de modo a nos preservar e nos apresentar diante d´Ele mesmo, purificados, imaculados e prontos para a mesa da eternidade.

Sim meu amigo, você que já cometeu falhas enormes, que na caminhada da vida e da fé errou o caminho, perdeu o rumo, ficou sem norte e pediu a morte... Você mesmo, deixe lhe dizer uma coisa: apresente-se diante de Deus com um coração contrito e quebrantado. Rasgue sua alma diante do Rei da misericórdia, clame-o e ele endireitará seu caminho. Humilhe-se e ele o exaltará.

Tenha em mente que somos todos igualmente pecadores miseráveis, merecedores do inferno. Não há em nós bondade alguma. Não há virtude, não há boa obra, não há justiça. Somos todos igualmente condenáveis. Apenas Cristo é homem perfeito, apenas Ele é aceitável no trono do Pai. Mas ao morrer na Cruz do Calvário, ao rasgar o santo dos santos, Ele nos deu acesso livre, direto e incontestável ao Trono da Graça.

Fiados em Seus méritos, entremos na presença do Senhor e clamemos por sua misericórdia. Ele nos ouvirá e restaurará nossos corações, endireitará nossos caminhos e como Pastor que é, guiar-nos-á pelos caminhos da justiça. Ele consertará nossos caminhos e nos ensinará a reconstruir. O Deus que restaurou a sorte de Davi, de Salomão, de Adão, de Abraão, de Pedro, de Paulo e de tantos outros é o mesmo Senhor hoje e não há nada tão vil, tão sórdido, tão pecaminoso, tão imundo que Ele não possa purificar.  "Venham, vamos refletir juntos", diz o Senhor. "Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; embora sejam rubros como púrpura, como a lã se tornarão” (Isaias 1.18 NVI)

Pois é meu amigo, a história de Davi não é nenhum pouco diferente da nossa. E o melhor, o Deus de Davi é o nosso Deus!

O Deus de Davi nos ensinará sobre o perdão. Nos mostrará que perdoar é habilitar para o recomeço! Sua bondade nos fará sentir que ainda que todos nos acusem e queiram nos "apedrejar" como aconteceu com a mulher adúltera (João 8) ou que nós mesmos nos julguemos miseráveis pecadores, o que realmente somos, Ele ainda assim olhará para nós e enxergará o mérito do Cristo que morreu na cruz em nosso lugar, sofreu as dores que eram nossas para nos dar o céu que é d´Ele. Ele nos perdoará e nos reabilitará ao recomeço. Ele é Deus que reconstrói!

Que o Senhor dos miseráveis cuide de nós e nos ensine a refazer caminhos!




Caco Pereira

quinta-feira, 13 de abril de 2017

PÁSCOA DE HOJE, A EVIDÊNCIA DE UM CRISTIANISMO CAPENGA







Escrevi esse texto em 2012. Infelizmente a realidade de nossos dias, em nada difere aos que já se passaram. A "festa da libertação" continua sendo, juntamente com o natal, uma forte declaração de que vivemos um verdadeiro aprisionamento religioso e ritualístico.  Estamos mais preocupados com formas, pompas, brilhos... Temos esquecido a essência. Vamos refletir um pouco?

Ter espírito fraterno, brando e sensível hoje é muito fácil. Ir a missas, procissões, cultos ou outras diversas programações alusivas ao período pascal é “moleza”. Fazer jejuns disso ou daquilo é a praxe da época. Postar fotos meigas ou com retratos dolorosos da morte de Cristo também é muito fácil. Dar e receber ovos de chocolate é bom demais. Mas isso apenas revela superficialidade de um cristianismo capenga, meramente ritual e bastante irrelevante.

Comemorar a morte e ressurreição de Cristo num dia e no outro viver desgraçadamente nos torna hipócritas sem Deus, sem rumo e sem fé! E sejamos bem sinceros, um cristianismo que sobrevive de duas festas anuais que na verdade, há muito foram transformadas em COMÉRCIO, não é nem de perto o que o Senhor recomendou aos seus discípulos no “Sermão do Monte” (Mateus 5 – 7).

Não tenho nada contra ovos de chocolate (podem presentear-me). Mas a cada ano sinto-me mais triste com a postura distante de Deus que temos tomado. Entristeço-me ao ver que pessoas que se dizem cristãs insistam em dar “a cruz ao coelho”, tirando dela o Cordeiro! 

  A Igreja que se diz de Cristo há muito esqueceu que não é um coelho mutante (que põe ovos) o símbolo da Páscoa. A Libertação real tem pão e vinho como símbolos. Mas não um mero pão feito de trigo, um pão Vivo que desceu do céu. O vinho não é o da videira perecível, mas o da Videira Verdadeira (João 15). O sangue perfeito que correu nas veias do Homem Perfeito (João 6.22-40) foi derramado por causa de pecadores miseráveis que nada merecemos.

Se querem tanto um “animal” para a páscoa, tirem os olhos do coelho e olhem fixamente para o Cordeiro Santo de Deus que tira o pecado do mundo (João 1.29)! O Cordeiro é o verdadeiro símbolo da Páscoa! Ele sim trouxe nova vida, libertação e paz. Essa páscoa não está à venda nas prateleiras dos supermercados, nas conveniências ou nos shoppings center da vida. Essa Páscoa não é comercial e não acaba no domingo da Ressurreição.

Infelizmente os cristãos ainda querem ficar presos a costumes antigos ou se pegar novas “ondas” do Comércio, mas não são capazes de como livres, viver a Páscoa do Cordeiro que esteve morto e agora ESTÁ VIVO.


Para nossa tristeza, o cristianismo tem sido irrelevante porque a morte e ressurreição de Cristo não tem mudado a vida de muitos que se dizem "do Caminho". Não há mais amor, amizade, respeito, alegria fé. NÃO EXISTE ADORAÇÃO AO CORDEIRO! O que existe é um povo ensimesmado, egoísta, existencialista, antropocêntrico e completamente alheio a Deus. Onde está esse povo? Vai no culto domingo a noite ou na missa. O povo está lá, cantando, chorando e dizendo glória a Deus que ressuscitou o filho. Mas da segunda feira em diante, esse mesmo povo passará o resto do ano "gritando: CRUCIFICA-O". Um povo que se diz livre, mas vive como escravo. Uma gente que grita aleluia, hosana ao que vem em nome do Senhor, mas que não ama ao próximo, que pisa no seu semelhante e depois "paga o dízimo" ou faz um jejum para "amenizar a ira de Deus". Pessoas que se dizem libertas, mas que nunca conheceram a liberdade.

A liberdade cristã exige mais do que um período de contrição, jejuns, cultos, missas, ritos. A páscoa do Cristianismo só existe porque o Cordeiro nos libertou e por isso, somos verdadeiramente livres. Livres da acusação e condenação eternas (João 8.32). Livres para viver uma NOVA VIDA COMO, NOVAS CRIATURAS (2 Coríntios 5.17). E ser nova criatura não resume-se a poucos dias, mas a uma vida inteira. A liberdade do cristianismo não está pautada em jejuns, festas, ritos, presentes, ovos de chocolate. Está firmada exclusivamente na Páscoa outorgada pelo Cordeiro que esteve morto e reviveu e com seu sangue comprou para si, gente que procede de toda língua, tribo,  povo e nação (Apocalipse 5.9).

E esse Cordeiro não quer menos do que sua vida inteira dedicada a Ele. Cristo não se contenta com seus feriados, com seu dízimo, com jejuns, missas, cultos, procissões. Aliás, muito disso ele NÃO QUER. Paulo entendeu bem a vontade de Cristo e pediu: "Rogo-vos irmãos que apresenteis OS VOSSOS CORPOS (a totalidade de sua vida) como sacrifício VIVO, SANTO E AGRADÁVEL A DEUS, que o culto racional de vocês". Jesus quer que nossa vida, nossas amizades, nossa alegria mais intensa, nosso prazer mais real, nosso amor mais sincero, nossas relações mais dignas sejam dedicadas a Ele como CULTO. Isso é muito mais que um ritual ou uma festa anual.

Páscoa de poucos dias é lixo, é comércio, é tradição capenga! Festa que não nos transforma em pessoas diferentes a cada dia, que não muda nossa existência é só um feriado com uma “dietinha” no meio. Dietinha quebrada por deliciosos chocolates. Páscoa real nos amolda ao caráter do Cordeiro.

Que Deus nos abençoe e nos faça viver diariamente sob a intensa convicção de que Cristo se entregou por nós, esteve morto e reviveu! E com essa certeza em mente, sejamos CRISTÃOS DE ATO, PORQUE O MUNDO ESTÁ CANSADO DE CRISTÃOS BARATOS.

Um grande braço!

Ricardo Pereira





Foto de: http://coacia.educacaoadventista.org.br

domingo, 19 de fevereiro de 2017

UMA DEFESA DA VERDADE




Vivemos uma época que chamo de “tempo da intocabilidade” ou “era do melindre”.  Sob os mais diversos aspectos, as opiniões são tolhidas ou devem ser muito bem colocadas no mais perfeito estilo “pisando em ovos”, pois não se pode desagradar ou contrariar o outro. Há sempre o risco de se tornar impopular ou de ser processado em virtude do que se pensa. Liberdade de expressão existe apenas no papel. E os que desafiam essa “filosofia da tolerância muda” são “apedrejados” virtualmente e até fisicamente.

Quando se trata de fé a coisa é ainda mais severa. A era do melindre tem a seu favor o relativismo e a pluralidade das crenças. É dito que cada um crer como quiser e ninguém tem o direito de contrariar sua fé, afinal a verdade é relativa e não há absoluto. Por fim, numa tentativa tosca de estabelecer o que chamo de “falsa paz” é dito de forma bela que todos os caminhos levam a Deus e que não importa a religião, pois todas são boas e Deus é o mesmo.

Acredito que deve sim haver respeito e tolerância. Cada um tem o livre direito de manifestar sua fé e deve ter seu “direito de crença” respeitado. Tenho amigos de diversos credos e outros que não creem em nada. Procuro amar e respeitar cada um deles, mas não abro mão de dizer aquilo que creio como sendo VERDADE ABSOLUTA.  Certa vez um camarada disse que eu pagaria o preço por me posicionar. Certamente esse texto pode me render mais alguns “preços” a serem pagos. Vamos a eles. Lá vou eu me posicionar sobre as frases mencionadas pelos “agentes da falsa paz”.

“Todos os caminhos levam a Deus” e “as religiões são diferentes, mas o Deus é o mesmo”. As frases são bonitas e via de regra estão nos lábios dos que pregam tolerância e igualdade. Pois bem, prego tolerância, igualdade e respeito, mas NÃO NEGOCIO A VERDADE ABSOLUTA. O EVANGELHO É A VERDADE!

Mas todos os caminhos levam a Deus? SIM! Todos os caminhos, todas as escolhas, todas as rotas, trilhas e até mesmo a não caminhada, de algum modo conduzirão os homens para diante do Juiz de todas as coisas, para o Criador Absoluto.

No grande dia, budistas, ateus, espíritas, cristãos, muçulmanos, agnósticos, ricos, pobres, brancos, negros, héteros, gays, reis, políticos, religiosos, enfim todos, independentemente dos caminhos que trilharam, comparecerão perante o Trono do Juízo e nessa hora, muitos compreenderão que nunca dependeu de seus méritos, de sua capacidade intelectual, de suas virtudes, ritos e mantras. Nessa hora ficará evidente que apenas O CAMINHO conduziu pessoas de todas as línguas, tribos, povos e nações para o feliz encontro desse dia, que será de alegria e dor.

No Grande dia do Senhor todo joelho se dobrará diante do Cordeiro que foi morto e reviveu - Porque está escrito: ‘Por mim mesmo jurei’, diz o Senhor, ‘diante de mim todo joelho se dobrará e toda língua confessará que sou Deus’Romanos 14:11 . Sim, todos hão de se curvar diante da Verdade Absoluta, do Deus Vivo e Verdadeiro, do Criador de todas as coisas. Uns cheios de uma indizível alegria, de um gozo inexplicável (Leia Apocalipse 5), outros tomados da mais absurda certeza de condenação (Leia Apocalipse 6.12-17). 

Haverá profundo desespero nos corações dos que não o tiveram como Senhor de suas vidas antes daquele dia.  Deixa eu ser mais claro: Aqueles que não se dobrarem diante de Jesus Cristo, reconhecendo-se miseráveis pecadores, incapazes de qualquer bem e completamente sem o menor direito de acesso ao Pai, estarão perdidos nos grande e terrível dia do Senhor. Ele lhes será Juiz e não Salvador.

Todos os caminhos levam a Deus? SIM. Mas apenas nO Caminho você vai com o EMANUEL. E com Ele, a "chegada" é feliz. Sem Ele a morte é certa. Não importa sua trilha, seu caminho, sua rota de fuga... Um dia estaremos diante d'Ele e nessa hora perceberá que apenas Cristo era o Caminho a ser seguido.

Ah! Ricardo, mas todas as religiões são boas e o Deus é o mesmo. NÃO! Nenhuma religião é boa! Ao menos não do ponto de vista espiritual. Apenas O EVANGELHO é bom. Apenas o EVANGELHO conduz o homem a Cristo e apenas em CRISTO, há salvação.  E todo homem separado de JESUS é um escravo do pecado, obediente a Satanás e seu caminho, por mais agradável, terapêutico e prazeroso que seja, não o levará para um encontro de paz com o Senhor de todas as coisas (Leia Efésios 2.1-4).

Na “era do melindre” no “tempo da intocabilidade” quero deixar claro que apenas o EVANGELHO é a VERDADE ABSOLUTA e que, apesar de respeitar todos em suas escolhas, permanecerei dizendo que apenas JESUS é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6). Apenas o EVANGELHO ensina que a escolha nunca foi do homem, sempre foi DO ÚNICO SENHOR.

Em meio a essa grande “era do melindre”, do não me toques, reafirmo que não há em mim ou em nenhum ser humano, por mais ético, justo, decente, bondoso que seja, um, apenas um mérito, uma virtude, uma bondade... Não há nada em nós que possa nos fazer alcançar um padrão de santidade agradável a Deus. Somente em Jesus e pelos méritos de d'Ele, o homem pode achegar-se ao Trono da Graça. E pelos méritos d’Ele, somos vivificados, feitos pedras vivas, sacerdócio real, nação santa (Leia 1 Pedro 2.1-10). Somente n’Ele há salvação. D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele, somente a Ele, seja toda a glória! (Leia Romanos 11.33-36).

Por fim, quero deixar claro que Cristo não é Salvador de quem não é Senhor. Se o homem não está sob o senhorio de Cristo, certamente não o conheceu como Salvador. Isso não é religião, isso é o EVANGELHO e como já bem disse o poeta “o evangelho é que desvenda dos nossos olhos...”. Não importa o "currículo eclesiástico", a tradição familiar, os cargos numa denominação, a quantidade de pessoas evangelizadas, nada disso importa! Apenas a CRUZ, somente o CORDEIRO DA CRUZ, morto e ressurreto é que importa!

Que o Deus ÚNICO abra os corações, retirando-os dos falsos caminhos e conduzindo-os pelo CAMINHO que é VERDADE e VIDA.


Ricardo Pereira
correndo o risco de perder amigos



domingo, 8 de janeiro de 2017

Jesus, os pecadores e os pecadores



Hoje li algo sobre um rapaz que tentou utilizar um copo como objeto sexual e acabou se ferindo. O fato rendeu todo tipo de piadas e ofensas nas redes sociais. O que por si já depõe contra o tipo de sociedade civilizada que somos. Obviamente a opção sexual do moço gerou os mais ofensivos ataques a ele enquanto pessoa. Infelizmente muitos cristãos rapidamente o "levaram" para a "fogueira" da "moderna inquisição". 

Passei a tarde refletindo sobre o acontecido, sobre nossa postura e como Jesus lidaria com esse moço. Acabou que minha mente começou a passear por algumas histórias em que a Escritura nos mostra Jesus convivendo com aqueles que a sociedade considera como escória. Mas também pude "ver" como Ele tratou com os "especiais" da fé, os fariseus. Vamos andar um pouco comigo pelas páginas da Escritura?


Com certeza você viu como Jesus tratou uma mulher que havia adulterado e pela lei deveria ser apedrejada. O mestre de modo simples e pastoral não a condenou, embora fosse o único ali que poderia fazê-lo. Ele a perdoou. Ele não jogou pedras, não xingou, não engrossou o coro dos condenadores de plantão. O Rei a perdoou. (Leia João 8.1-10)
E Zaqueu, o miserável judeu que cobrava impostos do seu próprio povo em favor dos romanos. Mais que isso, cobrava de modo criminoso. Zaqueu roubava seu povo. O que Jesus fez? Perdoou!  (Leia Lucas 19.1-10)


Mas tem o caso de uma mulher siro-fenícia. Os judeus odiavam esse povo, chamavam-nos de cães. E Jesus fala sobre isso com ela, mas simplesmente a contempla em sua fé, atende seu pedido. (Leia Marcos 7.24-29)


E Saulo, o que respirava ódio contra os cristãos. O perseguidor? Como Jesus agiu com ele? O transformou em um dos mais importantes nomes da fé cristã. (Leia Atos 9.1-9)
Mas e os fariseus? Os doutores da lei? Os defensores da fé? Como Jesus tratou com eles? Exatamente como os demais. Ele os confrontou com a verdade e deixou claro que eram tão pecadores quanto os demais. Sim, eles eram como a adúltera e assim como ela, precisariam ir e não mais pecar, e como Zaqueu, precisavam dar sinais evidentes de que houve salvação, como Paulo eles precisavam saber quem era JESUS, como a mulher siro-fenícia, deveriam entender a bem-aventurança de pertencer ao Dono de tudo.


Em nenhum lugar da Escritura Jesus criou gradações de pecados, em nenhuma página do livro Santo Ele tratou com menos rigor qualquer pecado. Ele não "deu a louca" com prostitutas, cobradores de impostos, promíscuos, nem mesmo com quem estava sendo crucificado com Ele, ou com seus algozes. 


Jesus sentou com todos os  tipos de pecadores,  fossem eles quem fossem. A cada um a quem amou, apresentou-se como Senhor do perdão e mudou suas vidas. Não importa quem eram, não importa quais eram seus pecados, suas mazelas, suas dores. A única coisa importante era a misericórdia que Ele queria derramar sobre suas vidas.


No "cristianismo de Cristo" não existem pecados e pecados; não existem méritos, virtudes, bondades, atenuantes ou agravantes. No "cristianismo de Cristo" temos apenas pecadores totalmente imerecedores do amor e O Deus misericordioso que deu em amor, seu único filho para numa cruz maldita, se dar em lugar de todo tipo de pecador, em lugar dos mais vis e odiáveis homens. Sim, o Cristo da Cruz morreu em lugar das mais inimagináveis figuras e todos aqueles pelos quais Ele derramou seu sangue, serão resgatados, pois Ele pagou um alto preço por suas vidas.


O cristianismo da cruz não está preocupado em apontar o dedo para pecados mais "condenáveis", pois sabe que eles não existem. O cristianismo da cruz vai chorar desesperadamente as dores de uma sociedade apodrecida, odiosa, violenta, cruel e desumana. 


Não importa se alguém é homossexual, prostituta, adúltero, ladrão, homicida, mentiroso, fofoqueiro, explorador do rebanho de Cristo, enfim, não importa qual pecado. Cristo é suficiente para cancelar o escrito da dívida de cada um. Na verdade, todos os que se dobram diante d'Ele, já tiveram sua dívida paga na cruz maldita.


Se somos do "cristianismo de Cristo", somos convocados a sentar com os gays, com adúlteros, com os promíscuos, com os dominados pelo crack, com escravos da religiosidade; não para comungar com o que a Escritura condena, mas para dizer-lhes que em Cristo há transformação, que em Cristo ninguém, aboslutamente ninguém é melhor, é mais ou menos pecador.


O mundo carece de um cristianismo profético, que convida as pessoas ao arrependimento, fazendo-as sabedoras de sua condição pecaminosa, mas ao que mesmo tempo é um cristianismo de braços abertos, uma igreja pronta a receber todo tipo de pessoas, amá-las, sentir compaixão de suas vidas, ajudá-las a mudar suas histórias e ensiná-las a viver uma transformação integral. 


Quem se diz cristão e prefere ofender, atacar, humilhar as pessoas por suas escolhas sexuais, carece urgentemente aprender sobre o Jesus que andou com as "piores" figuras e as transformou em pessoas dos quais o mundo não era digno.  


Precisamos olhar para todas as pessoas e tratá-las como alguém por quem Cristo pode ter morrido. Se Ele vai mudar suas histórias é com Ele. Nossa obrigação é ser voz profética e ter os braços prontos para abraça-las. 



Que Cristo nos ensine a ser cristãos, apenas cristãos!





Ricardo Caco Pereira, 
apenas um cristão





imagem: entreriosjornal




quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

BALDES FURADOS? SIM, SOMOS ISSO




Nalguns momentos gosto de rever textos que escrevi. Avalio, penso, repenso, retiro, reafirmo... Enfim, reler meus escritos traz a tona velhas reflexões, faz reascender convicções e ajuda a confrontar o que cristianismo que vivo com o que a Escritura exige de mim.

Hoje trago de novo um texto de 2012. Nele falo do nosso processo diário de vida como cristãos. Na oportunidade, refletia sobre a inconstância do cristianismo que praticamos. Os pensamentos eram decorrentes das experiências do pastoreio.

Venha, vamos pensar um pouco sobre nós mesmos como “BALDES FURADOS”.

As vezes sinto como se tivesse colocando água em BALDES FURADOS. Dá uma tristeza, uma dor na alma. Mas depois lembro que alguém fez e ainda faz o mesmo por mim e comigo.

Essa frase me veio a mente em um momento de tristeza em virtude de posturas que alguns seguidores de Cristo que estão sob meu pastoreio resolveram tomar. Depois foi aquecida pelo diálogo com pessoas amadas.

Fui conduzido a refletir sobre nossa condição como ovelhas de Cristo, pessoas em processo de aprendizado sobre o que é servir a Deus. Pois bem, chegue a conclusão de que somos todos “ BALDES FURADOS ”.

Somos pecadores miseráveis que foram remidos pelo sangue de Cristo, regenerados, tornados novas criaturas. Mas ainda sim pecadores, pessoas falíveis, muitas vezes nocivas, incompletas. Temos posturas, decisões, escolhas, comportamentos completamente alheios a vontade de Deus. Somos “ BALDES FURADOS ”.

Por muitas vezes o ensino da Palavra que nos parece belo, aceitável e aplicável, escorre de nós como se não tivesse lugar para ele em nossas vidas. Há dias em que estamos tão cheios de vontade de fazer o que é reto e agradável ao bom Senhor. Almejamos por ter e temos prazer intenso na presença d’Ele. Mas noutro instante, sentimo-nos vazios e fracos. Nessas horas somos facilmente conduzidos pelos desejos contrários ao Bondoso Deus. Repete-se em nós o que Paulo diz: Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus”.Romanos 7:15-22

Todas as vezes que como “BALDES FURADOS” deixamos de agir segundo o bem que há em nós pelo sacrifício de Cristo, nos vemos entristecidos, angustiados, chorosos.  E infelizmente aparecerão alguns homens “santos demais” que nunca nos ajudarão a “remendar” os furos. Mas farão questão de simplesmente evidenciá-los.

Mas Paulo aconselha muito bem os “BALDES FURADOS”: Não vos embriagueis no vinho, no qual há dissolução, mas “deixai-vos ser cheios” do Espírito Santo. Se querem ser “BALDES SANTOS”, permaneçam debaixo das “águas do Espírito”  Busquem-nO e sejam cheios, transbordem d’Ele e serão diferentes.

Não há na Bíblia promessa de perfeição enquanto Cristo não voltar, mas há conselhos e promessas fantásticas para aqueles que lavados pelo sangue de Cristo, desejam tornar-se adoradores, vivendo de modo digno d’Aquele que nos chamou das trevas para a verdadeira luz.

Somos sim pecadores miseráveis, mas fomos alcançados pela graça salvadora, e se assim foi, os BALDES FURADOS não seremos jogados no "LIXO", mas seremos "feitos novos". Por isso, precisamos urgentemente começar a viver para a glória de Deus. E isso torna-se menos difícil quando entendemos que NÃO SOMOS PERFEITOS! QUE NÃO EXISTEM SUPER CRENTES. Quando isso acontece passamos  depender mais da graça de Deus.  Também é necessário entender que não devemos “facilitar” com o pecado e que precisamos “fugir” daquilo que nos aproxima de agir de forma contrária ao caráter de Deus.

BALDES FURADOS, frágeis, limitados, falíveis devem o tempo inteiro buscar ser cheios do Espírito, tendo n’Ele total contentamento, esperança e motivação de vida
Quer Deus nos encha!




Caco, um BALDE FURADO tentando se “remendar”